Palavras Tarde · Capítulo 77 de 98
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Palavras

As palavras do amor expiram como os versos,

Com que adoço a amargura e embalo o pensamento:

Vagos clarões, vapor de perfumes dispersos,

Vidas que não têm vida, existências que invento;

Esplendor cedo morto, ânsia breve, universos

De pó, que um sopro espalha ao torvelim do vento,

Raios de sol, no oceano entre as águas imersos,

- As palavras da fé vivem num só momento...

Mas as palavras más, as do ódio e do despeito,

O "não!" que desengana, o "nunca!" que alucina,

E as do aleive, em baldões, e as da mofa, em risadas,

Abrasam-nos o ouvido e entram-nos pelo peito:

Ficam no coração, numa inércia assassina,

Imóveis e imortais, como pedras geladas.

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