Cantilena Tarde · Capítulo 84 de 98
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Cantilena

Quando as estrelas surgem na tarde, surge a [esperança...

Toda alma triste no seu desgosto sonha um Messias:

Quem sabe? o acaso, na sorte esquiva, traz: a mudança

E enche de mundos as existências que eram vazias!

Quando as estrelas brilham mais vivas, brilha a esperança...

Os olhos fulgem; loucas, ensaiam as asas frias:

Tantos amores há pela terra, que a mão alcança!

E há tantos astros, com outras vidas, para outros dias!

Mas, de asas fracas, baixando os olhos, o sonho cansa;

No céu e na alma, cerram-se as brumas, gelam as luzes:

Quando as estrelas tremem de frio, treme a esperança...

Tempo, o delírio da mocidade não reproduzes!

Dorme o passado: quantas saudades, e quantas cruzes!

Quando as estrelas morrem na aurora, morre a esperança...

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