Samaritana Tarde · Capítulo 65 de 98
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Samaritana

Numa volta de estrada, em sede insana,

Vi-te. Ao lado, a frescura da cisterna.

E tinhas a expressão piedosa e terna,

Como na Bíblia, da Samaritana.

Deste-me de beber. Mas quanto engana,

Às vezes, a piedade, e a esmola inferna!

Deste-me de beber da fonte eterna,

De onde a torrente dos remorsos mana.

Com a água que me deste (que contraste

De ti para a mulher de Samaria!)

A boca e o coração me envenenaste:

Maior do que o da sede, este tormento,

Esta ânsia singular, esta agonia

Que é de saudade e de arrependimento!

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