II - Lexicologia O Dialeto Caipira · Capítulo 3 de 24
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II - Lexicologia

1. O vocabulário do dialeto é, naturalmente, bastante restrito, de acordo com a simplicidade de vida e de espírito, e portanto com as exíguas necessidades de expressão dos que o falam. Esse vocabulário é formado, em parte: a) de elementos oriundos do português usado pelo primitivo colonizador, muitos dos quais se arcaízaram na língua culta; b) de termos provenientes das línguas indígenas; c) de vocábulos importados de outras línguas, por via indireta; d) de vocábulos formados no próprio seio do dialeto. ELEMENTOS DO PORTUGUÊS DO SÉCULO XVI 2. Em verdade, estes não se limitam ao léxico. Todo o dialeto está impregnado deles, desde a fonética até a sintaxe. A sua discriminação através dos vários departamentos do dialeto constituiria sem duvida um dos mais curiosos estudos a que se pode prestar a nossa linguagem rústica, e não só pelo interesse puramente lingüístico, senão também pelo clarão que lançaria sobre questões atinentes à formação do espírito do nosso povo. Sobre a importância lingüística, não é necessário insistir, pois ela, por assim dizer, se impõe por definição. Basta notar o seguinte: uma vez reconhecido que o fundo do dialeto representa um estado atrasado do português, e que sobre esse fundo se vieram sucessivamente entretecendo os produtos de uma evolução divergente, o seu acurado exame pode auxiliar a explicação de certos fatos ainda mal elucidados da fonologia, da morfologia e da sintaxe histórica da língua. Por exemplo: a pronunciação clara de e e o átonos finais comprova o fato de que o ensurdecimento vozes só começou em época relativamente próxima, pois de outro modo não se compreenderia porque o caipira analfabeto pronuncia lado, verdade, quando os portugueses pronunciam ladu, verdad'. 3. São em grande número, relativamente à extensão do vocabulário dialetal, as formas esquecidas ou desusadas na língua. Lendo-se certos documentos vernáculos dos fins do século XV e de princípios e meiados do século XVI, fica-se impressionado pelo ar de semelhança da respectiva linguagem com a dos nossos roceiros e com a linguagem tradicional dos paulistas de "boa família", que não é senão o mesmo dialeto um pouco mais polido. Na carta de Pero Vaz Caminha abundam formas vocabulares e modismos envelhecidos na língua, mas ainda bem vivos no falar caipira: inorância, parecer (por aparecer) mêa (adj. meia), u"a, trosquia, imos (vamos), despois, reinar (brincar), preposito, vasios (região da ilharga), luitar, desposto, alevantar, "volvemo nos lá bem noute", "veemo nos nas naus', "lançou o na praya". 4. Os elementos arcaicos da língua, conservados no vocabulário dialetal, dividem-se, naturalmente, em arcaísmos de forma, de significação, e de forma e significação (11) Exemplos: ARCAÍSMOS DE FORMA acupá(r) inorá(r) agardecê(r) livér argua (u nasal). ........... lua (u nasal) avaluá(r) malino Bertolomeu manteúdo correição ...................... ninhua (u nasal) cresçudo premêro dereito repuná(r) eigreja reposta ermão saluço escuitá(r) somana estâmego sajeitá(r) fermoso sojigá(r) fruita sovertê(r) ímburuiá(r) súpito intrúido teúdo inxúito trusquia ARCAÍSMOS DE SENTIDO aério .............................. perplexo dona .............................. senhora função ........................... baile, folguedo praça .............................povoado reiná(r) ......................... fazer travessuras salvar ........................... saudar ARCAÍSMOS DE FORMA E SENTIDO arreminado ................................. indócil contia ......................................... quantidade qualquer cuca (arc. côco, côca) escotêro .. ente fantástico escotêro ...................................... o que viaja sem bagagem imitante (como particípio) modinha ..................................... cançoneta punir ........................................... defender, "pugnar" sino-samão ................................. signo de Salomão. 5. Abundam igualmente as locuções arcaicas ou, pelo menos, de sabor arcaico bem pronunciado: a modo que a pôs, a pôs de ........................... a pós de antes tempo (sem prep.) ............ antes da hora, antecipadamente a par de ..................................... junto, ao lado de verdade ................................ de véras de primeiro ............................... outrora em antes de .............................. antes de no mais .................................... não mais neste meio ............................... entrementes 6. É natural que, diante de certas formas apontadas como arcaicas (ermão, somana), haja dúvida se de fato se trata de arcaísmo, se de mera coincidência. Num ou noutro caso, esta última hipótese será talvez a mais aceitável: por exemplo, se o nosso povo pronuncia craro, frôr, não se deve ter pressa em ligar essas formas, historicamente, às idênticas que se encontram em velhos documentos da língua; pois que tais formas, antes de mais nada, obedecem a uma lei da fonética local, a permutação de l subjuntivo por r. Mas, ermão, somana, etc., só se podem explicar como formas recebidas dos colonizadores, pois, além de se encontrarem em escritos antigos, se confirmam por outros fatos análogos da língua, ao passo que mal se acomodam às regras que atuam na alteração dialetal dos vocábulos. ELEMENTOS INDÍGENAS 7. Das línguas dos autóctones, ou, melhor, do tupi, recebeu o dialeto grande quantidade de termos. A nossa população primitiva, durante muito tempo, antes da introdução do negro, era, pela maior parte, composta de indígenas e de mestiços de indígenas. Da extensão que teve a língua dos aborígenes no falar dos primitivos dois ou três séculos da nossa existência, dão testemunho flagrante, além de muitos vocábulos que entraram nos usos sintáticos correntes, os não menos numerosos topônimos, que se encontram nas vizinhanças dos centros de população mais antigos. 8. Quanto a isto sobressai a capital com seus arredores, onde abundam os nomes tupis, os quais vão escasseando pelo interior, nas zonas mais novas, onde, ainda assim, os que se nos deparam são em boa parte artificialmente compostos. Só no município de São Paulo e nos que com ele confinam se contam por dezenas os rios, riachos, montes, bairros, fazendas e povoados com denominações tupis tradicionais (12): Açu Caguassu Choruróca Guaracau Ajuá Cabussu Cocaia Guarapiranga Aricanduva Caçacuéra Cupecê Guarará Anhangabaú Caçandoca Ebirapuéra Guaratim Baquiruvu-guassu Caçapava Gopaúva Guaraú Bopi Cangùera Guacuri Guavirutuba Botucuara Canindé Guaiaúna Imbiras Buçucaba Caraguatá Guaió Itaberaba Butantan Carapicuiba Guapira Itacuaquecetuba Itacuéra Jaguaré Nhanguassú Tacuaxiara Itaguassu Jaraguá Pacaembú Tamanduitei Itaim Jaraú Pari Tamburé Itaparicuéra Juquiri Piquiri Tatuapé Itaperoá Jurubatuba Pirajussara Tremembé Itapicirica Mandaqui Pirituba Tucuruvi Itararé Mandi Pirucaia Uberaba Ipiranga Mhoi Prati Utinga Jaceguava ou Mooca Poá Votussununga Jaceguai Murumbi Quitaúna Voturantim Jacuné Mutinga Saracura 9. Os nomes de animais contam-se por centenas. Uma parte dos mais conhecidos: acará guará maracanã sucuri anu guariba mucuím suindara araponga guaripu mumbuca surubi arapuá guaru-guaru mussurana sussuarana arara gùirá mutuca tabarana bacurau içá mutum tamanduá baitaca inhambu nhaçanã tambijuá biguá irara paca tambiú biriba itobi pacu tanajura borá jacaré pairiru tangará caçununga jacu piaba taperá cambucu jaburu piapara tarira caninana jacutinga penambi taçuíra capivara jaguatirica piracambucu tatêto cará-cará jaó piracanjuba tatorana chabó japu piraju tatu coró japuíra pirambóia tietê cuati jararaca piranha tiriva cuiú-cuiú jateí sabiá tovaca cumbé jaú sabiá-cica tuím cupim jiquitiranabóia sabiá-poca tuiuva curiango jundiá sabiá-una tuvuna curimbatá jurutí sanhaço uru curió lambari sanharão urubu curruíra mamangava saracura urutau curuquerê mandaçáia sará-sará urutu cutía mandaguarí saúva xororó gambá mandi siriêma xupim gaturamo mandorová siri giboia manduri socó 10. Não são menos abundantes os nomes indígenas de vegetais, de que daremos algumas dezenas, à guisa de exemplificação: abacate capixingui ipê piri abacaxi capitava jaborandi pitanga andaguassú caraguatá jabuticava piúva araçá carnaúba jacarandá samambaia aruêra caróba jacaré sagùi araribá caruru jantá sapé araticum catanduva jaracatiá sapuva açatunga cipó jarivá sumaúma bacaba crindiuva jataí taióva baguassu grumixama jiquitaia taiúva bracuí guabiroba jiquitibá tacuara brejaúva guãibè jovéva tacuari buriti guandu juá tacuaritinga bucuva guapê jurema tacuarussu butiá guapocarí macaúba timbó cabiúna guareróva manacá timbori cabriúva guanxuma mandióca tiririca caiapiá guaraiúva mangava trapoeraba cajuru guaratã maracajá tucum cambuci guatambu maçaranduva urucu cambuí imbaúva nhapindá urucurana canjarana imbúia orindiúva uvá canxim indaiá perova capim ingá pipóca 11. Nomes de diferentes fenômenos, acidentes, produtos da natureza, doenças, etc,: beréva cupim piracema tabatinga bossoróca joçá pororóca taguá cambuquira manipuêra quiréra tijuco capão nambiuvu sambiquira tupururuca capuêra pacuéra sapiróca catapóra pichuá sororóca catinga picumã suã 12. Nomes de utensílios, aparelhos, objetos de uso, alimentos, etc: arapuca caxerenguengue jacuba muquéca arataca chuã jiqui mipeva arimbá jacá juquiá pamonha pamonã pindacuêma samburá tacuru pari pipóca sapicuá tipiti paçoca piruá saracuã patuá pito solímão peléta pussaguá sururuca 1 3. Nomes referentes a usos, costumes, abusões, etc.: bitatá canhembora caruru piracuara buava capuava guaiú saci caiçara cateretê mumbava tapéra caipira catira perequê tiguéra caipora coivara piá 14. Adjetivos e substantivos usados como tais: aíva jururú pepuíra punga chimbeva macaia pereréca sarambé ité nambi piricica turuna jaguané napéva piririca javevó pangaré piúva jissi pararaca pururuca 15. Todos os vocábulos acima citados são, com uma ou outra excepção apenas, de origem tupi. Esta língua, como diz o sr. Teodoro Sampaio no seu precioso livrinho "O Tupi na Geografia Nacional", vicejou próspera e forte em quase todo o país, sobretudo em S. Paulo e algumas outras capitanias. Aqui, segundo aquele escritor, a gente do campo falava a língua geral até fins do século XVIII. Todos a sabiam, ou para se exprimir, ou para entender. Era a língua das bandeiras; era a de muitos dos próprios portugueses aqui domiciliados. É o que explica essa absoluta predominância do tupi, entre as línguas brasílicas, na toponímia local, na nomenclatura de animais e de plantas e em geral no vocabulário de procedência indígena. É possível, entretanto, como dissemos, que haja excepções. Mesmo sem outros elementos de suspeita, pode-se duvidar que todos os vocábulos vulgarmente apresentados como tupis de fato sejam dessa língua, ou mesmo de qualquer outra língua brasílica, considerando-se apenas as dificuldades de ordem geral que embaraçam todo trabalho etimológico em idiomas não escritos, cujas formas variam tanto no tempo e no espaço, e se acham tão sujeitas, em bocas estranhas, a profundas corrupções voluntárias e involuntárias. (13) 16. Muitos dos vocábulos de procedência indígena flutuam numa grande variabilidade de formas, principalmente certos nomes de animais e de plantas: açatonga, açatunga, guaçatonga, guaxatonga; caraguatá, crauatá, cravatá; tarira, taraira, traíra; maitaca, baitaca; corimbatá, curumbatá, curimatá. Na terminação vogal + b + vogal, geralmente usada pela gente culta, o caipira prefere quase sempre v a b: jabuticava, mangava, beréva, tiriva, taióva, saúva. A origem destas incertezas está em que a nossa fonética nem sempre possui sons exatamente correspondentes aos indígenas. O u consoante (w) foi desde cedo interpretado de vários modos: por uns como v, por outros como b, por outros ainda como gh: é o que explica as variações caraguatá, carauatá, cravatá, - capivara, capibara, capiguara, - piaçava, pioçaba, piaçágua (cf. Piaçagùéra), etc. A pronúncia popular, nestes casos, é a melhor. O povo, direta e inconscientemente influenciado pela fonética indígena, conserva ainda sinais dessa influência na própria incapacidade para bem apanhar o som distinto de v em vocábulos portugueses: daí pronúncias, que às vezes se ouvem, como guapô por vapor, etc. (14) ELEMENTOS DE VÁRIA PROCEDÊNCIA 17. A receptividade do dialeto em relação a termos de origem estranha é muito limitada, porque as necessidades de expressão, para o caipira, raramente vão além dos recursos ordinários. O caipira genuíno vive hoje, com pouca diferença, como vivia há duzentos anos, com os mesmos hábitos, os mesmos costumes, o mesmo fundo de idéias. Daí o conservar teimosamente tantos arcaísmos - e também tantos termos especiais que, vivos embora no português europeu, são às vezes completamente desconhecidos, aqui, da gente da cidade, tais como chêda, tamoeiro, cambota, náfego, etc. Daí, também, o não precisar tanto de termos novos, que, pela maior parte, ou designam coisas a que vive alheio, ou idéias abstratas que não atinge. 18. Dos vocábulos estrangeiros modernamente introduzidos na língua e que são de uso corrente no falar das pessoas mais ou menos cultas, ele só tem aceito alguns, poucos, relativos a objetos de uso comum, produtos de artes domésticas, etc.: paletó (que desterrou por completo o vernáculo casaco), croché, cachiné, revórve, etc. 19. Existem entretanto no dialeto muitos vocábulos (além dos brasílicos e parte dos africanos) que não lhe vieram por intermédio da língua. Destas aquisições, umas pertencem ao dialeto geral do Brasil, outras resultaram da própria atividade paulista. Exemplos: Do guarani, do quichúa (15): chacra guaiava iapa purungo garõa guaiaca pampa Do castelhano: amarilho cola lunanco porvadêra aragano empalizado parêia rengo caraquento enfrenar pareiêro(16) retovado cincha entreverar pitiço rinha cochonilho lonca perrengue Dos dialetos ibero-sul-americanos e do vocabulário sul-rio-grandense: bagual guasca pala ponche gaúcho matungo pangaré retaco Quase todos esses termos nos vieram por intermédio do Rio Grande do Sul, com o qual mantiveram outrora os paulistas intensas relações de comércio, sobretudo de comércio de animais, sendo freqüentíssimas as viagens de tropeiros de uma para outra província. Dessas relações guardam ainda os vocabulários e os costumes populares de lá e de cá numerosíssimos elementos comuns, não só de origem estrangeira, como de elaboração própria. 20. A maior parte dos vocábulos africanos existentes no dialeto caipira não são aquisições próprias. A colaboração do negro, por mais estranho que o pareça, limitou-se à fonética; o que dele nos resta no vocabulário rústico são termos correntes no país inteiro e até em Portugal: angu cacunda macóta quingengue banguela carimbo malungo quisília batuque caximbo mandinga samba binga cuxilo missanga sanzala cachaça lundu quilombo urucungo 21. Há um certo número de provincianismos brasileiros de origem africana, que, recebidos pela maior parte do Norte, aqui se introduziram no falar das cidades e na linguagem literária, mas não penetraram no dialeto: tais, por exemplo: cangerê, cacimba, candomblê, giló, munguzá, quingombô. FORMAÇÕES PRÓPRIAS 22. Com os elementos que vieram do português, do tupi e de outras línguas, formaram-se no Brasil numerosos vocábulos, principalmente por derivação, - já no seio do povo paulista, que através do seu movimento de expansão pelo território nacional os levou a longínquas regiões, já em outras terras, de onde foram trazidos. Encontra-se no falar caipira de S. Paulo, e na própria linguagem das pessoas educadas, toda uma multidão de neologismos derivados, alguns muito expressivos e já indispensáveis àqueles mesmos que procuram fugir à influência do regionalismo: VERBOS (17) abombar chifrar frautear moquear aforar chatear fuchicar passarinhar ami(lh)ar coivarar fuçar pealar asperejar covejar gramar pererecar assuntar cutucar intijucar pescocear barrear desbarrancar inquisilar petecar bestar descabeçar imbirotar pinicar bobear descanhotar impaçocar piriricar bolear descangicar impipocar pitar buçalar descoivarar lerdear prosear capengar desguaritar mamparrear pururucar campear desmunhecar mantear sapecar capinar facerar miquear tapear catingar fachear moçar trotear(18) cavortear festar molear SUBSTANTIVOS areão buraquêra caipirada corredêra bobage burrage caipirismo dada botina cabeção caiporismo derrame barrigada carpa capina eguada bestêra carpição capinzar gaùchismo bodocada cavadêra capuerão gentama boquera cabocrada chifrada gentarada bugrêro caiçarada chifradêra jabuticavêra lapiana mulequêra rodada tijucada moçada ossama rodêro tijuquêra moçarada perovêra sapezar varrição micage piazada sitiante mulecada poetage soberbia mulecage porquêra taquarar ADJETIVOS abobado espeloteado filante praciano abombado impacador franquêro saberete atimboado impipocado mamóte supitoso bernento inredêro micagêro catinguento facêro passarínhêro catingudo peitudo 23. São em menor número as palavras formadas por composição, e estas, na maior parte, pela justaposição de elementos com a partícula subordinante de: dôr-d'-óio (olhos) fruita-de-lobo sangue-de-tatu áua-de-açucre (água de açúcar) sangue-de-boi cordão-de-frade rabo-de-tatu mer-de-pau (mel) arma-de-gato (alma) pedra-de-fogo. orêia-de-onça (orelha) baba-de-moça pente-de-mico abobra-d'-áua unha-de-gato côro-de-arrasto (couro) língua-de-vaca pau-de-espinho cachorro-do-mato barriga-de-áua gato-do-mato tacuara-do-reino pá-de-muleque pimenta-do-reino ôio-de-cabra canário-do-reino barba-de-bóde quejo-do-reino Por justaposição direta e por aglutinação: quatro-pau(s) tatu-canastra quebra-cangaia arranha-gato cinco-nerva(s) méde-léua(léguas) mata-sete passa-treis mandioca-braba vira-mundo tira-prosa quatróio(olhos) abobra-minina chora-minino tira-acisma minhócussu Por prefixação: entreparar descoivarar desaguaxado descoivarado e outros vocábulos já citados quando tratamos da derivação. 24. Muitas palavras há, entre as portuguesas, que têm sofrido aqui mudanças mais ou menos profundas de sentido. Exemplos tomados entre os casos de mais pronunciada diferenciação: ATORAR - partir à pressa, resolutamente; fugir. CANA - cana de açúcar. CAIERA - grande fogueira festiva. CANDIERO - guia de carro de bois. CAPADO, subst. - porco castrado. DESMORALIZAR, v. trans. - fazer perder o entusiasmo, o brio. DESPOTISMO - enormidade. INTIMAR - ostentar. Daí intimação e intimador. FAMÍLIA (famia) - no plural, filhos. FRUITA - jaboticaba (usada sem determinação, tem este único sentido). FUMO - tabaco. FINTAR - faltar dolosamente a uma dívida. IMUNDÍCIA - caça miúda. LOJA - armazém de fazendas a retalho. MANGAÇÃO - vadiação. MANCAR - vadiar PIÃO - domador. PINGA - aguardente de cana. PILINTRA - casquilho. PATIFE - medroso; sensível. PANDÓRGA - desmazelado, moleirão. PINHO - viola. RANCHO - cabana de campo. SCISMA - desconfiança; presunção. SÍTIO - propriedade agrícola menor que a fazenda. TABACO - rapé.

25. Outras palavras, conservando o seu sentido, ou sentidos, têm adquirido novos: ÁGUAS - direção das fibras da madeira. BABADO - folho de vestido de mulher. DÔBRE - canto (de pássaro), repique (de sino). DOBRAR - cantar (o pássaro), repicar (o sino). ESTACA - cabide. LADRÃO - desvio de uma regueira ou açude; broto de cafeeiro. SANGRADÔ(URO) - ponto do pescoço do boi, ou outro animal, onde se embebe a faca ao matá-lo. SÁIA - fronde que oculta o tronco desde o solo. VIRGEM - poste de moenda. SOLDADO - certo pássaro. TOMBADÔ(URO) - lugar onde tombam as águas de um salto. VAPÔ(R) - locomotiva

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