Vocabulário - parte 5
importância: "Muiézinha miseráve cumo esta nunca vi: magine que cainhô uas laranja pras criança!" CAIPIRA, s. m. - habitante da roça, rústico. - q. - próprio de matuto, digno de gente rústica: "Você é um menino caipira". - "Que vestido tão caipira, esse que mandou fazer!" | Este voc. é usado em Portugal, pelo menos, há cerca de um século. Em 1828-1834 designava os constitucionais em luta com os realistas. No Minho, homem sovina, avarento, seg. o "Novo Dic.". Em Ponte do Lima, já L. de Vasc. colhera significados semelhantes. Camilo empregou na "Brasil. de Prazins", em acepção que não se depreende bem do contexto: "Aglomeravam-se aí duas Bragas - a fiel, a caipira, pletórica de fidalgos..." Em Pernamb., é nome de um jogo popular, que se joga com um dado único (Garcia). - Qual a origem? Como todas as palavras de aspecto indígena, real ou aparente, tem fornecido largo pasto à imaginação dos etimologistas. Uns derivam-na de "currupira", sem se dar o trabalho de explicar a transformação; outros, de "caapora",' o que é ainda mais extravagante, se é possível. C. de Mag. entendia que era ligeira alteração de "caa-pira", mondador de mato. CAIPÓRA1, s. m. - certo gênio habitador do mato: "Nas noite de vento, do arto do Samambáia, a gente óve uns grito à meia noite... É o Caipora... Deus te livre!" (C. P.). Superstição pouco espalhada hoje, em S. P., e comum a quase todas as outras regiões do Brasil, onde também dizem "caapora", mais de acordo com a etimologia. Acreditamos que já não corresponde, aqui, pelo menos, a qualquer entidade definida. Os caipiras fazem uma grande confusão entre os seus demônios, o caipora, o currupira, o saci, o bitatá, os quais vivem no vago e na incerteza, tomando e deixando formas, atributos e manhas uns dos outros. CAIPÓRA2, s. f. e q. - Infelicidade, má sorte, desastre; o que é vitima da desdita. | O "caapora", gênio silvestre, tinha a particularidade de fazer infeliz quem o encontrasse, montado no seu porco, a correr pelo mato. Daí o novo sentido que o t. adquiriu. CAIPORISMO, s. m. - o mesmo que "caipora"2, dando, porém, às vezes. idéia de má sorte continuada, teimosa. CÀITITÚ, CATETO, TATETO, s. m. - espécie de porco do mato, "Dicotyles torquatus". - Tupi. CAJÚZINHO, s. m. - arbusto do campo. CALOMBO, s. m. - inchação, tumor, protuberância. CAMARADA, s. m. - indivíduo que, nas fazendas, está encarregado de vários serviços; trabalhador de roça. CAMARINHA, s. f. - aposento. quarto de dormir(?). | Seg. Mac. Soares é usado com esta acepção no Norte do Br. Em S. P., só nos recordamos de o ter ouvido uma vez, há muitos anos, com estes versos: Ó senhora Miquelina, eu le peço por favor, me tirai da camarinha, me ponhai no corredor. CAMBARÁ, s. m. - árvore da fam. das Compositas. CAMBARÁ-PÓCA, s. m. - árvore semelhante ao cambará, de madeira frágil ("póca"). CAMBAU, s. m. - pedaço de pau com corretas nas extremidades, para jungir dois cães, cavalos, etc. Em Port. há cambão designando a mesma coisa. CAMBETEÁ(R), v. i. - andar aos pulos, como a perder o equilíbrio. | V. CAMBITO. CAMBITO, s. m. - aparelho para cochar o tabaco de corda; pau com que se torcem as corretas sobre a carga de um animal, para fixá-la; pernil de porco; perna fina. | Na Amaz. designa um pau delgado que se suspende ao teto para nele pendurar esteiras, cordas, etc. (Cherm.) em Pernamb., forquilha que se põe sobre o lombo de um animal para segurar a carga de canas, lenha, etc. (Garcia). - Cherm. deriva-o do tupi "acambi", forquilha, galho; mas parece, mais simplesmente, ligar-se a cambau, cambão, cambota, cambetear, etc., vocs. nos quais há uma idéia comum e persistente de curvatura, volta, etc. CAMBÓTA, s. f. - cada uma das duas peças, em figura de segmento de círculo, que, com o meão, formam a roda do carro de bois. CAMBÓTE, s. m. - brinquedo que consiste em pôr a cabeça no chão e virar o corpo até que os pés toquem novamente o solo: "virá(r) cambote". CAMBRA, câmara, s. f. - (C. municipal). CAMBUCI, s. m. - árvore do gên. "Eugenia", fam. das Mirtáceas. CAMBUÍ, s. m. - designa várias plantas do gên. "Eugenia", Mirtáceas; a fruta dessas árvores. CAMBUISÊRO, s. m. - árvore também chamada cambuí. CAMBUQUIRA, s. f. - grelos de abóbora: "Chegava a hora da ceia. Caldo de cambuquira, um feijão virado alumiando de gordura..." (C. P.) - Tupi. CÂMERA, câmara, s. f. - (C. municipal). CAMPEÁ(R), .v. t. - procurar: "Virei pra trás de supetão: campeei um cacete, voei na dita galinha..." (V. S.). CAMPÊRO1, s. m. - homem que lida com gado, nas fazendas. CAMPÊRO2, q. - designa certa espécie de veado que vive nos campos. CANA-FRISTA, cana-fístula, s., f. - árvore da fam. das Leguminosas. CANASTRA1, s. f. - caixa revestida de couro, na qual se guardam roupas brancas e outros objetos. Em Port., cesta tecida de vêrga ou material semelhante. CANASTRA2, q. - Ver TATU-CANASTRA. CANA-TACUÁRA, s. f. - espécie de cana de açúcar muito dura, que se dá aos animais. CANDEIA, s. f. - árvore da fam. das Linantéias. Há grande e mirim, | O nome provém de que o pau é facilmente combustível, dando uma luz viva. CANDIÊRO1, s. m. - lamparina de lata, com torcida, e que se alimenta com azeite ou querozene. CANDIÊRO2, s. m. - indivíduo, geralmente menino, que vai adiante do carro, com uma aguilhada, a servir de guia, e que também lida com os bois: "Enquanto o candieiro ajouja os bois, o carreiro verifica as arreiatas a ver se não falta alguma peça . (A. S.) | Talvez altr. de "cangueiro". Ou simples metáfora? CANDIMBA, s. f. - espécie de lebre. CANDONGA, s. f. - arteirice. | T. pouco usado em S. P. onde, como aliás pelo resto do país, não parece ter significação definida. Oscila entre as idéias de feitiçaria, intriga, manha, tentação. | Ê cast. CANDONGUÊRO, q. - intrigante, arteiro. Nesta última acepção empregou-o S. Lopes no Rio G. do S.:" A Tudinha era a chinoca mais candongueira que havia por aqueles pagos ". | Cast. "candonguero". CANELA, s. f. - designa muitas espécies de árvores pertencentes a diversas famílias, e isto com ou sem os determinantes sassafraz, amarela, antã, ameixa, e mais dezenas deles. CANELÊRA, s. f. - o mesmo que canela: "... a um lado a mata distante uivava e os jequitibás, as perobeiras e caneleiras se balouçavam num acenar desesperado para o levante".(C. P.) CANFRÔ, alcatifar, s. f. - cânfora: "... fomentação de querozene ou de pinga com confrô..." (C. P.). CANGAPÉ, cambapé, s. m. CANGICA1, s. f. - milho quebrado, para se comer cozido; o mesmo, já preparado. | Tem outras acepções, no Brasil. - Dão-lhe alguns procedência indígena; outros o derivam de canja, voc. este de orig. oriental (Mons. Dalg.) com a signif. primitiva de "caldo de arroz". CANGICA2, q. - diz-se do trote duro e martelado das cavalgaduras: "Não pude até hoje saber de quem era aquele bragado tão esquisito, de tábua do pescoço tão fina, de cola tão rala, que seguia o homem num trote cangica..." (V. S.). CANGÓTE, s. m. - a região occipital. | Cruzamento de cogóte e canga. CANHAMBORA, CANHEMBORA, CANHIMBORA, s. m. - escravo fugido, que geralmente vivia em quilombos ou malocas pelos matos. B. - R. regista as variantes "caiambola, calhambola, canhambola, canhambora, canhembora, caiambora". Segundo Anchieta, citado pelo mesmo, o tupi "canhembara" significava fugido e fugitivo. - Houve talvez alguma confusão com "quilombola". determinando todas as variantes em ala, ora, que ficam consignadas. CANIÇO, s. m. - cobertura de taquaras sobre a mesa do carro de bois. CANINANA, s. f. - cobra sem peçonha da fam. "Colubridae"; mulher má: "A caninana envolvia no mesmo insulto a inocência ignorante e a nobreza de um sentimento puríssimo, recalcado no fundo do meu ser". (M. L.). CANINHA, s. f. - espécie de cana de açúcar, muito boa para aguardente; a aguardente que dela se faz. CANIVETE, s. m. - cavalo pequeno. Taunay colheu-o em Mato Grosso ("Inoc.") - F. J. Freire regista "faca", cavalo pequeno de corpo. Em Gil V. acha-se "faca" e "facanea", este correspondendo ao cast. "hacanea". CANJARANA, CANJERANA, CAJARANA. s. f. - árvore da fam. das Meliáceas: "...tomar da foice, subir ao morro, cortar a canjerana, atorá-la, baldeá-la às costas e especar a parede..." (M. L.). | H. P. regista ainda o sinon. "pau de santo". A árvore dá um fruto em forma de cajá, o que torna aceito o étimo "acajá" "rana", falso, parecido. Neste caso, a forma exata será cajarana, podendo explicar-se a nasalidade do primeiro a por influência do terceiro, acentuado, ou por influência de canja. CANTO CHORADO - expressão usada na frase "trazer de canto chorado", isto é, debaixo de rigorosa vigilância, de exigências despiedadas. CANUDO, s. m. árvore de pau óco, da fam. das Flacourtiáceas, comum no vale do Paraíba. | H. P. regista, além desse nome, pau canudo e canudeiro. CANUDO DE PITO, s. m. - arvore de pau mole e oco. | O mesmo que canudo? CAPAÇÃO, s. f. - ato e efeito de castrar. CAPADÊTE, s. m. - porco castrado, antes de entrar para a ceva: "Teve égua, mas barganhou-a por um capadete e uma espingarda velha". (M. L.). CAPADO, s. m. - porco castrado. CAPANGA, s. m. - indivíduo assalariado para guarda e defesa de alguém; "guarda-costas". | Em bundo, "kapanga" é uma Ioc. adv.: no sovaco. Talvez se dissesse, nesse idioma, do indivíduo forte e valente, que "tinha cabelo no sovaco", como se diz ainda hoje, na roça, que "tem cabêlo no apá", isto é, na pá, que é justamente a parte do ombro correspondente à axila. CAPÃO, s. m. - mato pequeno e isolado. | Tupi "caapuan". CAPÉLA, s. f. - bando de bugios. CAPENGA, q. - cambaio, de perna torta. | Talvez de orig. afric. Cp. os brasileirismos pengá, capiangar, caxingó. CAPIM, s. m. - designa, especial ou coletivamente, quaisquer gramíneas rasteiras, ou até certa altura, mas ainda tenras. | Muitas espécies: c. angola, branco, catingueiro, fino, gordura, guassú, jaraguá, melado, membeca, mimoso, papuan, etc. | T. usado em todo a Brasil e não desconhecido mesmo em Portugal. Dão-lhe orig. tupi. CAPINA, copínaçãa, s. f. - limpa, mondadura com enxada. | De capinar. CAPINADOR, s. m. - homem que capina. CAPINÁ(R), v. t. e i. - mondar, limpar de ervas e mato (a solo, as plantações). CAPINZÁ(L), s. m. - lugar onde há muito capim. CAPITÃO, s. m. - bocado de feijão com farinha, que se prepara entre os dedos, dando-lhe uma forma alongada. | C. Rámos colheu em Goiás "capetão". Talvez seja a forma mais próxima da orig. CAPITUBA, s. f. - caniço de beira de água, gramínea alta de beira de rios e lagoas. Do tupi "caapituba", muito capim, capinzal. CAPIVARA, s. f. - grande roedor da fam. "Caviidae". | Tupi. CAPIXINGUI, s. m. - árvore da fam. das "Euforbiáceas". CAPUAVA, s. f. - parte de um sítio, ao fazenda, onde se fazem anualmente plantações de cereais e outras. | É provável que outrora tivesse significação um tanto diversa. B. - R., citando Paula Sousa, diz que em S. P. designa qualquer estabelecimento agric. para cultura de cereais, feijões, mandioca e outros mantimentos. - Na Par. do N. e R. G. do N., pronuncia-se capuaba, e o t. designa cabana, casa mal construída e arruinada. No Esp. Santo, capixaba é o mesmo que a capuava paulista. (B. - R.). CAPUÊRA, s. f. - mato que nasceu em lugar de outro derrubado ou queimado. | De "caapuanuera" mato isolado que foi, antigo mato virgem. - A forma culta é capoeira, assimilada a palavra já existente na língua. CAPUERÃO, s. m. - capuêra alta e densa. CAPUERINHA, s. f. - capuêra baixa. CARÁ, s. m. - nome de várias plantas rasteiras e trepadoras que dão um tubérculo comestível. | Há quem identifique cará com inhame, o que não é exato, ao menos em S. P. CARACACHÁ, s. m. - chocalho de lata. | É o "maracá" do Norte, o ganzá" ou "canzá" do Nordeste. CARACARÁ, s. m. - ave de rapina da fam. dos Falconidas: "Só um caracará resiste à soalheira num esgalho de peroba: está de tocaia aos pintos do Urunduva, o rapinante". (M. L.). CARAGUATÁ, CRAUATÁ, GRAVATÁ, s. m. - bromeliácea vulgar. CARANGUEJÊRA, q. - que se junta a aranha, para designar certas espécies grandes e escuras, cobertas de pelos. CARAPINA, s. m. - carpinteiro ordinário: "... o Teixeirinha Maneta era um carapina ruim inteirado, que vivia de biscates e remendos". (M. L.). CARAPINHÉ1, s. m. - certa espécie de gavião. | Voc. onomatopaico. CARÁPINHE2, s. m. - brinquedo infantil que consiste em pegar uma pessoa, com dois dedos de uma das mãos, a pele das costas de outra mão, puxando-a, ao mesmo tempo que eleva e abaixa repetidamente os braços, dizendo: cara... cara... carapinhééé!... | É, evidentemente, um arremedo dos movimentos do gavião a arrebatar a vítima no bico. Este brinco, popularíssimo em todo o Estado, fazem-no os adultos, ou crianças maiores, para divertir as pequeninas. CARAQUENTO, q. - que tem grânulos, escamas ou películas rebentadas (pele, fruto, qualquer superfície). | Cp. cast. "carachento", sarnoso. CARCAMANO, s. m. - nome jocoso que se dá ao indivíduo de nacionalidade italiana. Existe, ou existiu, esse termo na costa da Galiza, sob a forma "carcaman", servindo para designar os contrabandistas; tem ainda, no cast., a significação de "navio grande, mau e pesado". | Cap. o port. carraca, grande embarcação antiga, mencionada na "Cron. de D. Duarte", de Rui de Pina. CARÉPA, s. f. - usado na frase "levado da carépa", equivalente de "levado da bréca", ou "do diabo". CARÊSTIA, carestia, s. f. CARIMÁ, s. m. - doença que ataca as maçãs do algodão. | Tupi. CARNE-DE-VACA, s. f. - árvore da fam. das Protáceas. CARNEÁ(R), v. t. - esfolar e espostejar uma res. | Romag. consigna como "esfolar" apenas e dá como voc. sul-americano. CARNEGÃO, s. m. - matéria endurecida que se forma na raiz de um furúnculo. | De carnicão? CARÔNA, s. f. - peça composta geralmente de dois couros quadrangulares iguais, e que se coloca em baixo do lombilho, nas cavalgaduras. | É usado, com variantes, em quase todo o Brasil, e nas repúblicas do Prata. La carona, en que mil flores Bordò un paisano ladino - (Granada). ANDÁ PRAS CARÔNA, andar pelas caronas - achar-se em estado de saúde extremamente precário, estar morre não morre. Frase usada também no R. G. do S. CARPA, CARPIÇÃO, s. f. - ato ou efeito de carpir. CARPI(R), v. t. e i. - o mesmo que capinar, com a diferença, porém, que se emprega mais carpir quando se trata de plantações (ex., "carpir o café", isto é, o cafezal: limpá-lo do mato que nasce entre os arbustos) e capinar quando se trata de um terreno qualquer (capina-se o solo para plantar). | B. - R. aponta a possibilidade de um étimo latino, hipótese reforçada, ultimamente, por Ot. Motta, na "Rev. da Ling. Port.", n.º 3. Também há quem descubra procedência indígena de vário feitio. CARRAPICHO, s. m. - semente espinhosa de várias plantas; essas próprias plantas. CARREADÔ(R), s. m. - caminho entre plantações. CARRÊRA1, s. f. - corrida de cavalos. CARRÊRA2, s. f. - ato de correr. DE -: a correr. CARRÊRO, CARREIRINNO, s. m. - caminho estreito, trilho. CARTUCHE, cartucho, s. m. - "Compro uma espingarda que nem aquela de seu padrinho: de botá cartuche (C. P.). | Cp. guspe por cuspo, aspre por áspero, fixe por fixo. CARURÚ1, s. m. - nome de várias espécies de erva, algumas comestíveis. Na Bahia, mistura de ervas, quiabos, camarões ou peixe. etc. | Tupi? Africano? CASAMENTEÁ(R), v. t. relat. - animar, excitar (alguém) a casar-se com determinada pessoa: "O Pedro anda casamenteando a Maria co Rocha" - "O Juáo e a Tudica foram casamenteado(s) um cum ôtro, desde piqueno(s), pros parente(s)". CASCA DE ANTÁ, s. f. - pequena árvore da fam. das Magnoliáceas. CASIÃO, ocasião, s. f. - oportunidade, momento: "Certa casião, no tempo das guerra c'os castelano paraguaio, eu percisei i tira cipó..." (C. P.). Encontra-se em Gil V. ao lado de cagião (em escritores mais antigos, cajom): Mas que sei eu s'eIla mesma Deu casião para isso? CASTEIANO, castelhano, q. - filho das repúblicas do Prata. Também no R. G. do S., com a mesma acepção. CATAGUÁ, s. m. - árvore de campo, da fam. das Rutáceas. Há branco e rajado. (H. P.). CATAPÓRA, TATAPÓRA, s. f. - varicela. | Tupi.