Vocabulário - parte 15
PETECÁ(R), v. i: - jogar a peteca; bater como a peteca; v. t. -encher de adornos, fitas, rendas ou flores (um vestido, um chapéu, etc.). PETECADO, q. - cheio de adornos acumulados (um vestido, um chapéu, etc.). PIÁ, s. m. - menino. | Tupi "piá" - coração. PIALÁ(R), v. t. - dar PIALO. PIALO, s. m. - ato de puxar, repentina e violentamente, o laço a que um animal vai preso, a correr. Corrente no R. G. do S., de onde acreditamos que nos veio. - De "pião"? PIÃO, s. m. - domador: quebra o chapeu na testa o tal Faé. que é o pião mais cuéra e mais desempenado. (C. P.) | Alter. de peão, com uma curiosa evolução de sentido, que vem a dizer justamente o contrário do que outrora se entendia, isto é, "homem que anda a pé". - É monossílabo. PIAVA, PIABA, - s. f. - certo peixe de rio. PICAÇO1, q. - diz-se do cavalo escuro com a frente e os pés brancos. | Alter. de pigarço. PICAÇO2, s. m. - espécie de carrapato grande. PICADA, s. f. - passagem aberta através do mato. | É port., mas o "Novo Dic." o regista como colhido pela primeira vez, o que mostra que não será usual. Entre nós é de emprego comuníssimo. PICADÃO, s. m. - picada larga. PICAPAU1, s. m. - espingarda de um só cano e de carregar pela boca: "Na fresta praticada na parede que dá para o riacho, e onde há milho. a picapau de um cano..." (C. P.) PICAPAU2, s. m. - designa diversas aves da fam. "Picidae"; pedaço de papel dobrado de certo modo, que lhe dá a vaga aparência de um pássaro, e que as crianças, segurando com a mão direita, fazem, por meio de pequenos sopros, bater com o bico na unha do polegar da mão esquerda. PICHUÁ, s. m. - fumo forte, feito das faiscas e do mel que se desprendem do fumo em corda comum. | Tupi? PICUÁ, s. m. - jogo de dois sacos, geralmente de algodão, ligados um ao outro por uma larga tira do mesmo pano, e que se colocam sobre a cavalgadura à maneira de cangalhas. | O mesmo que SAPICUÁ. - Em Pernamb., cacareus, trastes e utensílios velhos. PICUMÁ, s. m. - fuligem. | Do tupi "ape + cumã" ,, seg. B. Caet. Na ling. ger., "tatàticuãá", seg. B. Rodr., forma a que corresponde "taticumã", no Pará. PIDONA, q. - fera. de PIDONHO. Não há real em palácio: Ando baldo; perdi a bolsa, Que saio os modos com que Se despede uma pidona. (G. de Mat., "A' Brites"). PIDONHO, q. - pedinchão. O "Novo Dic." regista "pida", ato de pedir esmola, provincian. alentejano. De "pida" poderia derivar-se facilmente "pidonho", pelo tipo de tristonho, etc. É muito provável, porém, que no port. antigo existisse o voc., ao lado de pedigonho, registado por F. J. Freire, que o colheu do "Cancion. de Rez.". PINDUCA1, dimin. carinhoso de Pedro. PINDUCA2, s. m. - dimin. de pinhão. PINGUÇO, q. - o mesmo que pinguê(i)ro. PINGUÊRO, q. - bebedor de pinga, aguardente de cana. PINICÁ(R), v. t. - beliscar, picar de leve. | Como quase todo voc. de orig. incerta, este também já teve quem lhe atribuísse proveniência indiática. B. - Rodr. aponta-lhe o étimo "pinica" = beliscar, do nheng. e da ling. ger. Pode estar certo; mas também pode ser, e temos por mais provável, que o voc. seja de genuína formação portuguesa. Já temos, há muito, "repinicar", vernáculo como tudo que mais o seja, e com sentido muito aproximado, senão idêntico, em essência. Tendo o composto "repinicar", que obsta a que tivéssemos também o simples "pinicar"? O que é possibilíssimo, por ser fato ordinário da vida das línguas, é que nós no Br. tenhamos associado a este t. os sentidos afins de "picar" e "beliscar". PINICÃO, s. m. - ato de PINICAR. PINTÁ(R), v. i. - fazer diabruras, proezas. | Redução da frase "pintar o sete, a manta, o caneco". PIÔIO-DE-COBRA, piolho, - s. m. - nome com que se designam varios miriápodos. PIPÓCA, s. f. - milho que se faz estalar ao fogo, para comer; espécie de milho pequeno, bom para comer estalado; borbulha, bolha. | T. tupi, usado em todo o Br. PIPOCÁ(R), v. i. - estourar, estalejar: "O rojão pipocô no ar" -"Quando as moça se encontra, é um pipocá de beijoca que deixa um cristão meio zonzo...." PIQUÊTE, s. m. - pasto pequeno e fechado, onde se conservam por pouco tempo animais em serviço. PILÃO, s. m. - gral de madeira, em que se pila a cangica, a paçoca, etc. - Pilão, t. port., que passou aqui a designar o gral, é propriamente o pau com que se pila. A este chamam aqui mão de pilão. PILEQUE, s. m. - bebedeira. PINCHÁ(R), v. t. - arrojar, arremessar: "Pinche fora êsse cigarro, e pite êste charôto". - "Pinchô na orêia in riba da cabeça... (um cão)" (C. P.). | Veja-se APINCHAR. - "Pinchar, em antiga linguagem, valia o mesmo que expulsar com violência..." (F. J. Freire). PINDACUÊMA, s. f. - instrumento de pesca, que consiste numa linha amarrada a um pau colocado à margem do rio. | Do tupi. PINDAIPÁ, s. f. - árvore da fam. das Anonáceas. PIQUINITATE, dimin. de piqueno, q. PIQUIRA, q. - pequeno (cavalo). | Cp. pepuíra e piqueno, piquitito, etc. PIQUITITO, dimin. de piqueno, q. PIRACAMBUCÚ, s. m. - certo peixe do Tietê. | Tupi. PIRACANJUBA, PRACANJÚ, s. f. - certo peixe fluviátil. | Tupi. PIRACEMA, s. f. - época em que o peixe remonta o rio, aos cardumes. | Tupi. PIRACUARA, s. m. - designa o habitante das margens do Paraíba. PIRACUAXIARA, s. m. - espécie de peixe do Tietê. PIRANGUÊRO, q. - pescador adestrado; apaixonado da pesca fluvial. PIRANHA, s. f - certo peixe de rio. PIRÃO, s. m. - papas de farinha de mandioca. | Dão-lhe origem tupi em "ypirô". Mas, seg. Capelo e Ivens, citados por B. - R., é corrente na África ocid. PIRI, BIRI, s. m. - espécie de junco que se cria em quantidade em lagoas e margens de rios e que dá uma paina delicada. | M. Lobato ("Urupês") escreve "pery". Ignoramos se o e da primeira sílaba corresponde a uma outra pronuncia real; acreditamos que se trata de simples identificação, por inadvertência, com a forma do nome próprio "Pery". - Nas proximidades de S. Paulo (capital) há uma estação com o nome de "Pirituba" (muito piri). PIRICICA, q. - buliçoso; inquieto; daninho (falando-se de criança). | Tupi. PIRICÓTE, s. m. - rolo de cabelo que as mulheres fazem no alto da cabeça. PIRIRICA, q. - áspero (falando-se, por ex., de uma superfície cheia de pequenas borbulhas ou escamas). B. - R. dá como t. do vale do Amaz., significando "áspero como lixa", o que exprime regularmente a significação que o t. tem também entre nós. - Do tupi "piriri", tremer. - V. PURURUCA. PIRIRICÁ(R), v. i. - encher-se de pequeninas borbulhas ou escamas. | De PIRIRICA. - V. PURURUCAR. PIRUÁ, s. m. - bago de milho pipoca que não estalou. PISADÊRA, s. f. - alter. de pesadelo. PISCA-PISCA, q. - que tem o sestro de piscar continuamente. PISSUÍ, possuir, v. t. - adquirir, comprar: "... senão quando u"a galinha já esporuda que eu pissuí no levantá aquêle rancho..." (V. S.). | Quanto a forma, veio ela, muito provavelmente, de Port., haja vista ao galego "pessuir" (L. de Vasc., "Textos"). Quanto ao sentido, esse acreditamos que resultou de evolução realizada aqui. Para exprimir a idéia do nosso "possuir", usa o caipira de "ter" ou de algum circunlóquio. Ao Nordeste, a aceitar-se como documento válido um verso de Cat. o verbo conserva o sentido castiço: Era rico, apois pissuia uma furtuna de gado. ("Quinca Micuá") PITÁ(R), v. t. e i. - fumar. | Dir-se-ia mera e explicável adaptação de um verbo hispanoportuguês (pitar, apitar, de pito, apito); mas parece assentado que é americanismo. "Pety ou petym ou petyma e também petum, é nome indígena da Nicotina (tabaco) e o verbo brasiliense pitar vem evidentemente de pety-ar "tomar ou chupar o petym" diz B. Caet.; e, adiante: "É de notar-se que no chillidugu há pùthem tabaco, pùthemn pitar, fumar (tomar o tabaco) e puthen queimar-se. O u do chillidugu creio que é exatamente o y do abaneenga". PITIÇO, s. m. - cavalo pequeno. | De petiz? PITO, s. m. - cachimbo cujo pipo é feito de barro e está munido de um canudo (geralmente de certa planta chamada canudo de pito, cujo caule e galhos são ocos) ; fig., repreensão. | A primeira acepção é de uso vulgar no país; a segunda é usada, talvez entre outras regiões ou Estados, em Pernamb. PITÔRRA, s. f. - pião de madeira, preparado de modo a produzir um som agradável quando gira. | Em port., sinon. de "piôrra", pião pequeno. PIÚCA, s. f. - pau podre. Usa-se também adjetivado: "pau piúca". | Tupi. PIÚVA, s. f. - árvore bignonácea, de madeira dura e resistente; fig., indivíduo importuno, cacête, porrête, pau, peróba. PIXAIM, q. - enrolado (diz-se do cabelo do negro). | B. - R. dá como pernambucan., e alter. do tupi "iapixaim", crespo. B. Rodr. o dá, tal qual, como t. da ling. ger., significando "anelar". PIXÉ, q. - diz-se do leite ou doce esturrado, ou com gosto de fumaça. | Na Amaz., cheiro desagradável: pixé de fumaça, pixé de sangue (Cherm.). - Seg. B. Rodr., é voc. da ling. ger., e significa "bolor". Cp., porém. o port. pichelar, de que, seg. Af. Taun., há entre nos um correspondente, em pixerar, - constatação muito interessante por oferecer talvez um elo evolutivo capital, na hipótese da origem portuguesa. Note-se que a mudança de l final em r e conseqüente queda do fonema é fato corriqueiro da fonética brasileira. ("Pichel, picher, piché"). POAIA, q. - enjoativo, aborrecido. PODE (R), s. m. - quantidade enorme: "De Minas tem descido um poder de capadaria que mete medo". (M. L.). POETAGE(M), s. f. - parolagem, fantasias. POIÁ(L), s. m. - espécie de soco de tijolo ou pedra, junto a parede, geralmente a um canto, e onde se coloca o pote de água; fogão constituído de tijolos: "Na cozinha ampla, quase sempre ficam, além do poiá..." o forno, a um canto..." (C. P.). | E t. port., com signífs. ligeiramente diversas. POISÁ(R), v. i. - passar a noite: "Onte não poisei im casa". | É port., mas com ligeira especialização de sentido, pois na língua tem também a signif. de hospedar-se, assistir. POISO, s. m. - pousada; casa que, nas fazendas ou à beira das estradas, se destina a dormitório de viajantes. POITÁ(R), v. i. - lançar a pôita (falando-se de canoa e outras embarcações fluviais). | Em port. há pôita; o verbo, não o encontramos. POMBEÁ(R), v. t. - espiar, espreitar, vigiar de longe. | Usa-se no R. G. do S. e em Pernamb. sob a forma "bombear, e assim também corre nas republicas espanholas da Amer. do S. - Talvez do bundo "pombe", mensageiro. POMBÊRO, s. m. - espia. | Em outras partes, bombeiro" V. POMBEÁ(R). PONCHE, s. m. - espécie de capa de baeta: Laço nos tentos, a chilena ao pé, o ponche na garupa pendurado. (C. P.) | No R. G. do S. a forma é poncho", da qual julgamos a paulista mera alter. O objeto igualmente difere, pois pelo feitio corresponde melhor ao que aqui chamamos pala. - Quanto ao e final, cp. guspe, cuspo; aspre, áspero; cartuche, cartucho; espiche, espicho. PONTA, s. f. - manada, lote (de gado vacum). PONTEADO, s. m. - ação ou efeito de pontear (a viola): Ôh viola véia! Ôh mocinho! num ponteado é destimido! (C. P.) PONTEÁ(R), v. t. - tanger (a viola), tirando sons destacados: opõe-se a rasgar (talvez alter. de "rascar"), que consiste em passar as pontas dos dedos sobre as cordas, produzindo sons unidos e longos: pensa na guapa e vai ponteando a viola... (C. P.) PORORÓCA, s. m. - borbulha de água, rebojo (de rio). | E t. geral no Br., ou em quase todo o Br., mas, em S. P., não vale justamente o mesmo que, por ex., no Amazonas, onde designa um fenômeno próprio do grande rio. PORQUÊRA, s. f. - porcaria (em sentido figurado). | É curioso notar que, no sentido material, se prefere usar "porcaria", e, no fig., porquê(i)ra, formado de "porco" como besteira de "besta", sujeira de "sujo", etc. Parece geral no Br. Empregou-o Cat. em "Quinca Micuá" (poema cearense): ...a Cunceição insinava pra falá tanta porquêra - Paiva registou este t., ou seu homônimo, sem a signif. PORRÊTE, s. m. - cacete, bastão tosco; fig., remédio enérgico, de efeito seguro; sujeito importuno, maçador, cacete, piúva, peróba, pau. PORRETADA, s. f. - pancada com porrete; fig., importunação, caceteação, cacetada. PORTAR, v. i. - parar, de passagem (numa casa): "Fui pra o sítio e, de caminho, portei no rancho do Garcia". PÓRTE, s. m. - altura (falando-se de pessoa, animal ou vegetal): "Eu era mulecóte ansinzinho, dêste pórte, quano fui pra o Paranã". PÓRVA, pólvora, s. f. Pórva, espingarda e cutia, um facão fala-verdade - (C. P.) PORVADÊRA, polvadeira, s. f. - grande poeira. | Usado em todo o Sul do Br. Empregou-o Taunay, na sua forma culta (a segunda acima registada), em "Céus e Terras": "Passa uma tropa de animais... e logo densa polvadeira, rolos de terra pulverizada no chão, se erguem, envolvem os grupos e os vão seguindo na jornada, rúbida nuvem que intercepta e quebra os fulgores do sol ardente". - Temos por provável que nos viesse do R. G. do S., de onde importamos muitos termos relativos a animais, tropas e viagens; deve ser alter. do cast. "polvareda". PORVARINHO, polvorinho, s. m. POTRANCA, fem. de potro. | No R. G. do S. também se usa a forma do masculino, "potranco". POVARÉU, s. m. - grande quantidade de povo. | O "Novo Dic." dá como colhido pela primeira vez, fazendo supor que não será vulgar em Port. Entre nós é de uso corrente. Também no R. G. do S.: "Pois à carreira essa tinha acudido um povaréu imenso". (S. L.). PRAÇA, s. f. - cidade, povoado: "Êste ano pertendo fazê casa na praça". | "... quem faz casa na praça huns dizem que é alta, outrós que he baixa..." ("Eufros."). PRACEANO, q. - que é próprio da praça, isto é, do povoado; que vive na praça: "Esse chapêu tá bão pra mecê, que é praceano; pra mim, não". PRAGUEJÁ(R), v. i. - ser atacada de praga (a planta) : "Tudo o feijão que prantei êste ano praguejo". PRALIZIA, paralisia, s. f. PRANCHÁ(R), PRANCHEÁ(R), v. i. - cair para um lado (a cavalgadura, e, por ext., qualquer outro animal, ou mesmo pessoa). | O "Novo Dic." regista-o como provincianismo extremenho. - De prancha. PRA-PÔCO, para-pouco, loc. adj. - moleirão, incapaz (indivíduo). | Usou-a fr. Luis de Sousa: "... por muito que desejavam acudir ao desemparo espiritual não se atreviam a uzar da força que viam ser necessária, umas vezes desconfiando dos sujeitos vidrentos e para pouco: outras com medo de lhes faltar quem aturasse nos mosteiros que estavam ermos". - Não foi ainda registada. PRECURA, PERCURA, PRICURA, procura, s. f. PRECURÁ(R), PERCURÁ(R), PRtCURÁ(R), procurar, v. t. PREGUNTA, PROGUNTA, perguntar, s. f. PREGUNTÁ (R), PROCUNTÁ(R), perguntar, v. t. | Há grande discussão entre os sabedores sobre a etimologia do port. "perguntar (como alguns querem) ou "preguntar" (como querem outros). A verdade é que já em remotos tempos da língua se encontram as duas formas. Aliás, sempre houve, e continua a haver, no falar dos portugueses, uma grande incerteza na pronunciação das sílabas per e pre. Isto não se dá, no Brasil, entre a gente culta, que pronuncia sempre de um só modo: "PERguntar, PREcisar, PERmitir, PREtender", etc.; mas, entre os roceiros, a confusão é igualmente grande. Os caipiras dizem, como ficou notado acima, preguntá e proguntá; assim também, precurá, percurá e pricurá, etc. PREMÊRO, primeiro, det. num. | "...o qual foi traslado em tempo do mui esforçado rey dom Iohão de boa memorea o premeiro deste nome em Portugal..." (Fern. de Oliv., seg. Ad. Coelho). PRENDA, s. f. - objeto que se entrega, em certos jogos familiares de salão, à pessoa que os chefia, como penhor de que se cumprirá a pena que for imposta. A isto se chama "pagar prenda". | Este valor de penhor ou sinal, que não vemos registado, se encontra no seguinte trecho de Soares Toscano, "Paralelos de Príncipes": "O padre Fr. Antonio Loureiro... sendo cativo com outras pessoas... e apresentado a el-rei Mamudio... foi enviado por ele a Gôa em busca de resgate para ele e seus companheiros, com tal condição, que não o achando se tornaria à sua prisão de Cambaia a certo tempo e dia que lhe assinou el-rei Mamudio; e em sinal e prenda de que assim o faria, lhe deu o seu cordão, que o bárbaro recebeu..." Esta signif. talvez facilite a indagação da etimologia, que provavelmente se liga a "praevenire", se é que não