Amphitrite
Louco, ás doudas, roncando, em látegos, ufano,
O vento o seu furor colérico passeia...
Enruga e toroe o manto á prateada areia
Da praia, zune no ar, encarapela o oceano.
A seus uivos, o mar chora o seu pranto insano,
Grita, ulula, revolto, e o largo dorso arquèía;
Perdida ao longe, como um pássaro que anceia,
Alva e esguia, uma náo avança a todo o panno.
Socega o vento ; cala o oceano a sua magua ;
Surge, esplendida e vem, envolta em áurea bruma,
Amphitrite; e, a sorrir, nadando A tona d' água,
Lá vae... mostrando á luz suas. fôrmas redondas,
Sua clara nudez salpicada de espuma,
Deslizando no glauco amiculo das ondas.