Musa Impassível Esphinges · Capítulo 27 de 52
Obra Menu

Musa Impassível

Musa! um gesto sequer de dor ou de sincero

Luçto jamais ,te afeie o cândido' semblante !

Deante de um Job, conserva o mesmo orgulho ; e deante

De um morto, o mesmo olhar é sobrecenho austero.

Em teus olhos não quero a lagrima ; não quero

Em tua bocca o suave e idyilico descante.

Celebra ora um phantasma' angu-iforíne de Dante,

Ora o vulto marcial de um guerreiro de Homero.

Dá-me o hemistiehio d' ouro, a imagem attractiva;

A rima cujo som, de uma harmonia crebra,

Cante aos ouvidos d'alma; a estrophe limpa e viva;.-.

Versos que lembrem, com seiis bárbaros i-uidos,

Ora o áspero rumor de um calháo que se quebra,

Ora o surdo rumor de mármores partidos.

O' Musa, cujo olhar de pedra, que não chora,

Gela o sorriso ao~iabio e às lagrimas estanca!

Dá-me que eu vá comtigo, em liberdade franca

Por esse grande espaço onde o impassível "inora

Leva*me longe, ó Musa impassível e branca!

Long*e, acima do mundo, immensidade em fora,

Onde, chamirías lançando ao cortejo da aurora,

O áureo plaustró do sol nas nuvens solavanca.

Transporta-me de vez, numa ascenção ardente,

A' deliciosa paz dos Olvmpicos-Lares

Onde Os Deuses pagãos vivem eternamente;

E onde, num longo olhar, eu possa ver comtigo,

Passarem, átravez das brumas seculares,

Os Poetas e os Heroes do grande mundo antigo.

1/1
Menu

Fazer anotação