Musa Impassível
Musa! um gesto sequer de dor ou de sincero
Luçto jamais ,te afeie o cândido' semblante !
Deante de um Job, conserva o mesmo orgulho ; e deante
De um morto, o mesmo olhar é sobrecenho austero.
Em teus olhos não quero a lagrima ; não quero
Em tua bocca o suave e idyilico descante.
Celebra ora um phantasma' angu-iforíne de Dante,
Ora o vulto marcial de um guerreiro de Homero.
Dá-me o hemistiehio d' ouro, a imagem attractiva;
A rima cujo som, de uma harmonia crebra,
Cante aos ouvidos d'alma; a estrophe limpa e viva;.-.
Versos que lembrem, com seiis bárbaros i-uidos,
Ora o áspero rumor de um calháo que se quebra,
Ora o surdo rumor de mármores partidos.
O' Musa, cujo olhar de pedra, que não chora,
Gela o sorriso ao~iabio e às lagrimas estanca!
Dá-me que eu vá comtigo, em liberdade franca
Por esse grande espaço onde o impassível "inora
Leva*me longe, ó Musa impassível e branca!
Long*e, acima do mundo, immensidade em fora,
Onde, chamirías lançando ao cortejo da aurora,
O áureo plaustró do sol nas nuvens solavanca.
Transporta-me de vez, numa ascenção ardente,
A' deliciosa paz dos Olvmpicos-Lares
Onde Os Deuses pagãos vivem eternamente;
E onde, num longo olhar, eu possa ver comtigo,
Passarem, átravez das brumas seculares,
Os Poetas e os Heroes do grande mundo antigo.