Mudez Esphinges · Capítulo 42 de 52
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Mudez

Já rumores não ha; não ha; calou-se

Tudo. Um silencio deleitoso e morno

Vae-Se espalhando em torno

A's folhagens tranquillas do pomar.

Torna-se o vento cada vez mais doce .

Silencio . .. Ouve-se apenas o gemido

De um pequenino pássaro perdido

Que inda espaneja as suas azas no ar.

Ouve-me, amiga, este é o silencio, o grande

Silencio, o rei das trevas e da calma,

Onde, ás vezes, noss' alma,

Penetrada de maguas e de dor,

Se dilata, se expande,

E seus segredos Íntimos mergulha...

Prolonga-se a mudez : nenhuma bulha;

Já se não ouve o mínimo rumor.

Esta é a mudez, esta é a mudez que falia

(Não aos ouvidos, não, porque os ouvidos

Não conseguem ouvir esses gemidos

Que ella derrama, á noite, sobre nós)

A' alma de quem se embala

Numa saudade mystica e tranquilla...

Nossa alma apenas é que pôde ouvil-a,

E que consegue perceber-lhe a voz.

Escuta a queixa tácita e celeste»

Que este silencio falia a ti, tão triste...

E has-de lembrar o dia em que tu viste

Perto de ti, pela primeira vez,

Alguém a quem disseste

Uma phrase de amor, de amor"... ó louca!

E que, no emtanto, só mostrou na bocca

A mais brutal e irônica mudez !

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