Pranto de Luar
No longo espasmo do silencio, alegre e franca,
A alma dos ventos, ao luar, murmura e falia;
A sombra corre, e tu, lua formosa e branca,
Derramas pelo chão claras manchas de opala.
Brás mortas de amor ! Ah ! quem te dera, tel-as !
Cessaria, de novo, o teu soluço afflicto !
Eras em que, tremula, a sós, sob as estrellas,
Tu passavas com elle atrávez do infinito...
Mas uma noite, o espaço todo ornado em festa,
Teu esposo partiu, emfim .. . (Quanto desgosto !)
E dessa desventura extrema ainda te resta
A grande pallidez que te illumina o rosto.
Partiu... Talvez que volte aos lares . .. Mas, emquanto
Elle não volta, em vão o esperas nessa trilha;
Ficas pallida e triste, e choras ; o teu pranto
Desce á terra e, ao descer, torna-se luz e brilha.
Chora, infeliz. O pranto as maguas attemia.
Sempre fiel, nunca te cances de chorar.
Se não chorasses, não teríamos, ó lua,
A poesia sem fim das noites de luar.