Pranto de Luar Esphinges · Capítulo 43 de 52
Obra Menu

Pranto de Luar

No longo espasmo do silencio, alegre e franca,

A alma dos ventos, ao luar, murmura e falia;

A sombra corre, e tu, lua formosa e branca,

Derramas pelo chão claras manchas de opala.

Brás mortas de amor ! Ah ! quem te dera, tel-as !

Cessaria, de novo, o teu soluço afflicto !

Eras em que, tremula, a sós, sob as estrellas,

Tu passavas com elle atrávez do infinito...

Mas uma noite, o espaço todo ornado em festa,

Teu esposo partiu, emfim .. . (Quanto desgosto !)

E dessa desventura extrema ainda te resta

A grande pallidez que te illumina o rosto.

Partiu... Talvez que volte aos lares . .. Mas, emquanto

Elle não volta, em vão o esperas nessa trilha;

Ficas pallida e triste, e choras ; o teu pranto

Desce á terra e, ao descer, torna-se luz e brilha.

Chora, infeliz. O pranto as maguas attemia.

Sempre fiel, nunca te cances de chorar.

Se não chorasses, não teríamos, ó lua,

A poesia sem fim das noites de luar.

1/1
Menu

Fazer anotação