O Ribeirinho Esphinges · Capítulo 52 de 52
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O Ribeirinho

A Olavo Bilac

O arroio fresco, em remanso,

De curva em curva, em marulhos,

Num leito de pedregulhos

Escorregava de manso

Em quedas lentas e bolhas

Sob a arqueada galeria

Da folhagem, que o cobria

Com urn^tecto verde de folhas.

E bocejava de somno

Entre a douda garridice

Dos roseiraes da planice,

Num descançado abandono.

Valle abaixo, sem esforço,

Folhas levava e raizes,

Como embarcações felizes

Que lhe singravam o dorso.

A' tarde, em vôo ligeiro

Vinham, as azas ruflando,

Os passarinhos em bando

Beber d'agua do ribeiro.

Assim vivia o riacho,

Dando de beber ás aves,

Descendo em giros suaves

Campos e valles abaixo.

Más chorava a todo o instante,

Tinha desgostos e maguas

Por não possuir tantas águas

Como um affluente gigante.

Queria ser. como os rios

De grossas águas redondas,

Que podem erguer nas ondas

Embarcações e navios ;

Ser um rio soberano

Que terras alaga, invade,

E em noites de tempestade

Tem vagalhões de oceano.

E penetrado de dor,

Soltando queixas e maguas,

Vae levando suas águas

Pelas campinas em flor-

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