As Duas Irmãs
Vem a primeira e falia-lhe em segredo :
" Amiga, vê, (nem sei como isto conte !)
Como correm as águas desta fonte :
Tal corre a vida, e acaba-se tão cedo !
Ama, pois !" A segunda, em cuja fronte
Brilha um raio de luz, murmura, a medo,
Apontando-lhé o chão. "Este é o degredo
Perpetuo e atroz do teu amor insonte.
Comtudo, espera." E somem-se- a Esperança
E a Saudade. E ella fica, como douda,
A olhar o rasto dessas deusas. bellas...
E ella fica esperando-as. Cança, cança
De esperal-as assim,, a vida toda,
Sem jamais receber, noticias dellas !