Aguarella
Cheio de folhas, humido de orvalho,
Fresco, á beira de um córrego, crescia
Joven pé de roseira'em cujo galho
Uma rosa sorria.
0 orvalho matinal, que o beija e molha,
Desce de cima em brancas nevoas finas,
E todo o pé salpica, folha a folha,
De gottas pequeninas.
Beija-o o perfumeo zephyro que passa,
0 grupo de phalenas que anda. á tôa,
A borboleta clara que esvoaça,
E o pássaro que vôa.
Uma moç#gentil sentiu anceio
De possuir a rosa e teve magua
De não poder colhel-a, com receio
De molhar; os pés n' água.
A roseira agitou a coma opima,
Estremeceu, embriagada e douda,
Sob os raios do sol que lá de cima
A ilhiminavam toda.
A moça foi-se ; o ar estava morno ;
Mansamente o crepúsculo descia;
Uma abelha zumbiu da rosa em torno
Lento, expirava o dia .. .
Porém ness' hora a ventania brava
Que veiu do alto impetuosamente,
Arranca a flor ao ramo em que se .achava
E jbga-a na corrente.
E a flor cahiu em meio do riacho ;
Do vento rijo foi soffrendo o açoite,
E escorregando em prantos, água abaixo,
Na tristeza da noite.
Nenhuma flor poucíe salvar-lhe a vida;
A' água desceram entretanto algumas ;
E a flor morreu aos poucos, envolvida
Num circulo de espumas.