Aguarella Esphinges · Capítulo 30 de 52
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Aguarella

Cheio de folhas, humido de orvalho,

Fresco, á beira de um córrego, crescia

Joven pé de roseira'em cujo galho

Uma rosa sorria.

0 orvalho matinal, que o beija e molha,

Desce de cima em brancas nevoas finas,

E todo o pé salpica, folha a folha,

De gottas pequeninas.

Beija-o o perfumeo zephyro que passa,

0 grupo de phalenas que anda. á tôa,

A borboleta clara que esvoaça,

E o pássaro que vôa.

Uma moç#gentil sentiu anceio

De possuir a rosa e teve magua

De não poder colhel-a, com receio

De molhar; os pés n' água.

A roseira agitou a coma opima,

Estremeceu, embriagada e douda,

Sob os raios do sol que lá de cima

A ilhiminavam toda.

A moça foi-se ; o ar estava morno ;

Mansamente o crepúsculo descia;

Uma abelha zumbiu da rosa em torno

Lento, expirava o dia .. .

Porém ness' hora a ventania brava

Que veiu do alto impetuosamente,

Arranca a flor ao ramo em que se .achava

E jbga-a na corrente.

E a flor cahiu em meio do riacho ;

Do vento rijo foi soffrendo o açoite,

E escorregando em prantos, água abaixo,

Na tristeza da noite.

Nenhuma flor poucíe salvar-lhe a vida;

A' água desceram entretanto algumas ;

E a flor morreu aos poucos, envolvida

Num circulo de espumas.

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