Inverno Esphinges · Capítulo 47 de 52
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Inverno

Inverno. A neve fluctua,

Cae sobre tudo e se espalha,

Como uma branca toalha

Sobre a estrada immensa e nua.

0 vento causa arrepio

Aos medrosos passarinhos,

Que se encolhem-em seus ninhos

Desesperados de frio.

O vento ássovia e chora ;

Ha como um coro de maguas

No borborinho das águas

Qué descem campina fora..

Mata a neve cada arbusto,

Rola dos ares, desfolha

As arvores, folha a folha,

Que se arrepiam de susto.

No céo ha nuvens sombrias;

As roseiras das estradas

Estão todas desgalhadas

A' fúria das ventanias.

O inverno é feio e iuclementc-

Um velho mastim vadio

Todo transido de frio

Uiva ao. céo sinistramente.

l'íl

Não ha calor nem conforto;

Não ha rumor nem gorgeio;

Tudo parece tão feio !

Parece que- tudo é morto !

De neve tudo coberto ;

Os ventos correm, "ás doudas ;

Das quatro estações, de todas,

0 inverno é a peor de certo.

A neve desce, fluctua,

Cae sobre tudo e se espalha

Como uma branca toalha

Sobre a estrada immensa e nua.

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