Angelus Esphinges · Capítulo 25 de 52
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Angelus

A Felinto d' Almeida

Desmaia a tarde. A pouco e pouco, no poente,

0 sol, rei fatigado, em seu leito adormece ;

Unia-.ave canta, ao longe; o ar pesado estremeço

Do. Angelus ao soluço agonico e plangente.

Psalmos cheios de dor, .impregnados de prece,

Sobem da terra ao céo numa ascenção ardente.

E emquanto o vento chora e o crepúsculo desce,

A Ave Maria vae cantando, tristemente.

U)

Nest' hora, muita vez, em que falia a saudade

Pela boccà da noite e pelo som que passa,

Lausperenne de amor cuja magua me invade,

Desejo ser a noite, ebria e douda

De trevas, o silencio; a nuvem que esvoaça,

Ou fundir-me na luz e desfazer-me toda.

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