A um Poeta Esphinges · Capítulo 22 de 52
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A um Poeta

Poeta, quando, te leio, a angustia dolorida

Que te mina a existência e que em teu peito impera,

Faz-me também soffrer, d'alma se me apodera,

Como se da mính'alma ella fosse nascida.

Sinto o que sentes : ora a lagrima sincera

Que foi pela saudade ou pelo amor vertida,

Ora' a. magua, que habita em tua alma, — guarida

Onde a negra legião das maguas se agglomera...

Não ha nos versos teus um sentimento alheio

A' dor; nelles se encontra a aspereza das fraguas ;

Ha nelles ora o suave e módulo gorgeio

Das aves, ora a queixa harmônica das águas...

Leio os teus versos.; e, emminh'alma, quando, os leio,

Vae gemendo, em surdina, a musica' das máguas. ..

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