Rainha das Águas
A Alberto de Oliveira
Mar fora, a rir, da bocca o fulgido thesouro
Mostrando, e sacudindo, a farta cabelleira,
Corta a planura ao mar, que se desdobra inteira
Numa varina azul orladurada de ouro.
Rema, á popa, um tritão de escameo dorso louro ;
Vão á frente os delfins ; e, marchando em fileira, -
Dás ondas a seguir a luminosa esteira,
Vão cantando, a compasso, às piérides em coro.
Crespas, cantando em torno, as vagas, em surdina,
Lambem de popa á proa o casco da varina
Que prosegue, mar fora, a influda rota, iifana . . ,
E, no alto, o louro sol, que assoma,, entre desmaios,
Saúda esse outro sol de coruscantes raios
Que orna a cabeça real da bella soberana.