Inverno Esphinges · Capítulo 15 de 52
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Inverno

A João Luso

Outr' ora, quanta vida e amor nestas formosas

Ribas!

Quão verde e fresca esta planície, quando,,

Debatendo-se no ar, os pássaros, em bando,

O ar enchiam de sons e queixas mysteriosas !

Tudo era vida e amor.

As arvores copiosas

Mexiam-se, de manso, ao resfolego brando

Da briza que passava em tudo derramando

O. perfume subtil dos cravos e das rosas...

Mas veiu o inverno; e vida e amor f oram-se em breve.

O ar se encheu de rumor e de uivos desolados...

As arvores do campo, enroupadas de neve,

Sob o látego atroz da invernia que corta,

São esqueletos que, de braços levantados,

Vão pedindo soccorro á primavera morta.

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