Inverno
A João Luso
Outr' ora, quanta vida e amor nestas formosas
Ribas!
Quão verde e fresca esta planície, quando,,
Debatendo-se no ar, os pássaros, em bando,
O ar enchiam de sons e queixas mysteriosas !
Tudo era vida e amor.
As arvores copiosas
Mexiam-se, de manso, ao resfolego brando
Da briza que passava em tudo derramando
O. perfume subtil dos cravos e das rosas...
Mas veiu o inverno; e vida e amor f oram-se em breve.
O ar se encheu de rumor e de uivos desolados...
As arvores do campo, enroupadas de neve,
Sob o látego atroz da invernia que corta,
São esqueletos que, de braços levantados,
Vão pedindo soccorro á primavera morta.