Cega!
vn
"Tropega,. os braços nus, a fronte pensa, varias
Vezes, quando no céo o louro sol desponta,
Vejo-a, no seu andar de' somnambula tonta,
Despertando, a mudez das viellas solitárias.
Arrimada ao bordão, lá vae...
Imaginárias
Çous,as pensa...
Verões e invernos máos affronta ,
Dores - que tem soffrido a todo o mundo conta
Na linguagem senil das suas velhas árias.
Cega ! que negra mão, entre os negros escolhos
Do cahos, foi procurar a treva, que ennegrece,
Para cegar-te a vista e escurecer-te os olhos ?
Cega ! quanta poesia existe, amargurada,
Nesses olhos que estão sempre, abertos e nesse
Olhar, que se abre para o céo, e não vê nada!.