À Noite
Eis-me a pensar, emquanto a noite envolve a terra ;
Olhos fitos no vácuo, a. amiga penna em pouso.
Eis-me, pois, a pensar .. . De antro em antro, de serra
Em sérrã, echoa, longo, um requiem doloroso.
No alto uma estrella triste as palpebras descerra,
Lançando, noite dentro, o claro olhar piedoso.
A alma das sombras dorme; e pelos ares erra
Um mórbido languor de calma e de repouso...,
Em noite escura assim, de repouso e de calma,
E' que a alma vive e a dor exulta, ambas unidas,
A alma cheia de dor, a dor tão cheia de, alma...
E' que a alma se abandona ao sabor dos enganos,
Antegosando já ^chimeras presentidas
Que, mais tarde, hão - de vir com o decorrer dos annos.