À Noite Esphinges · Capítulo 23 de 52
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À Noite

Eis-me a pensar, emquanto a noite envolve a terra ;

Olhos fitos no vácuo, a. amiga penna em pouso.

Eis-me, pois, a pensar .. . De antro em antro, de serra

Em sérrã, echoa, longo, um requiem doloroso.

No alto uma estrella triste as palpebras descerra,

Lançando, noite dentro, o claro olhar piedoso.

A alma das sombras dorme; e pelos ares erra

Um mórbido languor de calma e de repouso...,

Em noite escura assim, de repouso e de calma,

E' que a alma vive e a dor exulta, ambas unidas,

A alma cheia de dor, a dor tão cheia de, alma...

E' que a alma se abandona ao sabor dos enganos,

Antegosando já ^chimeras presentidas

Que, mais tarde, hão - de vir com o decorrer dos annos.

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