Heike Esphinges · Capítulo 28 de 52
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Heike

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Já te esqueceste, pois, inteiramente,

De que em melhores épocas da vida,

Teu coração, querida,

Me palpitou no coração ardente ?

Teu coração de leve mariposa

Esvoaçante e terrena,

Tão pequeno e tão falso, que outra cousa

Não pôde haver mais falsa e mais pequena?

E, de certo também já te esqueceste

Do pezar e do amor

Com que tu me prendeste

O coração num circulo de dor..

Pezar e amor! ambos me fazem doente ;

Ambos me são do pranto

Incentivos fataes ;

E não sei, entretanto,

Sè aquelle pode ser maior do que este,

Pois sei apenas que ambos, egualmente,

Ja são grandes de mais.

Meus cantos, cujo threno

Minh' alma escuta, amargurada e triste,

São repassados de lethal veneno :

De outra forma não pôde ser, querida,

Porque tu espargUte

Sobre a modesta flor da minha vida

O orvalho do veneno.

Meus cantos, cujo threno

Qualquer sorriso em lagrimas transforma,

São repassados de lethal veneno ;

Não pôde ser, emtanto, de outra fôrma,

Porque, em meio- das cousas mais singelas

Que tenho n' alma, agitam-se, frementes,

Implacáveis serpentes...

E tu, formosa amante, és uma dellas ! '

A noite é muda e triste.

O espaço é triste e mudo.

E caminhando eu vou pela floresta espessa,

Rompendo a cerração.

As ramagens abalo, as arvores sacudo :

Elias movem de leve a rórida cabeça,

Num ar de compaixão.

Floresta afora, além, no. encontro das estradas,

Suicidas, sem descanço,

Agitam-se no horror das covas profanadas.

Perto, uma flor azul desahroçha de manso :

mo-lhe o nome de flor das almas 'condemnadas^

.ta.yez, éu'lá fui.

A noite estava fria;

O espaço mudo estava.

, ;t>eira de uma cova a flor azul tremia;

,'E entre nuvens de crepej a lua, que passava,

Beríámava-lhe em tomo a sua luz sombria.

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