Heike
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Já te esqueceste, pois, inteiramente,
De que em melhores épocas da vida,
Teu coração, querida,
Me palpitou no coração ardente ?
Teu coração de leve mariposa
Esvoaçante e terrena,
Tão pequeno e tão falso, que outra cousa
Não pôde haver mais falsa e mais pequena?
E, de certo também já te esqueceste
Do pezar e do amor
Com que tu me prendeste
O coração num circulo de dor..
Pezar e amor! ambos me fazem doente ;
Ambos me são do pranto
Incentivos fataes ;
E não sei, entretanto,
Sè aquelle pode ser maior do que este,
Pois sei apenas que ambos, egualmente,
Ja são grandes de mais.
Meus cantos, cujo threno
Minh' alma escuta, amargurada e triste,
São repassados de lethal veneno :
De outra forma não pôde ser, querida,
Porque tu espargUte
Sobre a modesta flor da minha vida
O orvalho do veneno.
Meus cantos, cujo threno
Qualquer sorriso em lagrimas transforma,
São repassados de lethal veneno ;
Não pôde ser, emtanto, de outra fôrma,
Porque, em meio- das cousas mais singelas
Que tenho n' alma, agitam-se, frementes,
Implacáveis serpentes...
E tu, formosa amante, és uma dellas ! '
A noite é muda e triste.
O espaço é triste e mudo.
E caminhando eu vou pela floresta espessa,
Rompendo a cerração.
As ramagens abalo, as arvores sacudo :
Elias movem de leve a rórida cabeça,
Num ar de compaixão.
Floresta afora, além, no. encontro das estradas,
Suicidas, sem descanço,
Agitam-se no horror das covas profanadas.
Perto, uma flor azul desahroçha de manso :
mo-lhe o nome de flor das almas 'condemnadas^
.ta.yez, éu'lá fui.
A noite estava fria;
O espaço mudo estava.
, ;t>eira de uma cova a flor azul tremia;
,'E entre nuvens de crepej a lua, que passava,
Beríámava-lhe em tomo a sua luz sombria.
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