De Volta da Guerra Esphinges · Capítulo 38 de 52
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De Volta da Guerra

Aqui me v o u... Quanta afflicção me invade !

Andando a passo, vagarosamente .. .

Que angustiosa, que intima saudade

Da minha gente !

0 céo é negro, o passaredo mudo ;

0 ambiente que me envolve, tão pesado !

Como tudo está triste, como tudo

Tão transformado !

Esta estrada que sigo é longa e recta,

Pedregosa, sem fim e sem abrigo,

E eu caminho por ella, de muleta, -

Como um mendigo.

Quando fui para a guerra, o sol nascia;

Fiquei com os olhos humidos de pranto ;

Minha esposa, meus filhos nesse dia

Choraram tanto !

Abandonei a minha pobre terra;

E marchei, sem descanço e sem repouso,

Mas sentindo-me então, antes da guerra,

Victorioso-.

Desci montanhas e galguei encostas,

Andei á margem dos despenhadeiros,

Avante sempre, de espingarda ás costas,

Com os companheiros.

Tive amarguras fundas e pezares,

Em companhia dos fieis soldados,

Sobre terras extranhas, sobre mares

Encapellados.

E parti para a guerra; mas a sorte

Pródiga e incerta, má e vacillante,

Poupou a minha vida expondo-a á morte

A todo, instante.

A guerra durou' annõs ; foi renhida;

Longa, tão longa, que a julguei eterna;

Uma bala, afinal passou, perdida,

Partiu-me a perna.

E aqui me vóu por esta estrada recta,

Recta è longa, sem fim e sem abrigo,

Esfarrapado, fraco, de muleta,

Como um mendigo.

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