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A História de uma Fazenda Africana

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A História de uma Fazenda Africana

Capítulo 6 · A História de uma Fazenda Africana

Capítulo 1.IV. Bem-aventurado Aquele Que Crê.

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Capítulo 1.IV. Bem-aventurado Aquele Que Crê.

Bonaparte Blenkins sentava-se na beira da cama. Revivera maravilhosamente desde a véspera, mantinha a cabeça alta, falava com voz cheia e sonora, e comia avidamente todas as iguarias que lhe eram oferecidas. Ao seu lado havia uma tigela de sopa, da qual tomava um grande gole de vez em quando, enquanto observava os dedos do alemão, sentado no chão de barro, remendando o fundo de uma cadeira.

Logo olhou para fora, onde, no sol da tarde, algumas avestruzes meio crescidas podiam ser vistas vagueando sem ânimo; depois olhou novamente para dentro do pequeno quarto caiado e para Lyndall, que estava sentada à porta lendo um livro. Então ergueu o queixo e tentou ajustar um colarinho imaginário. Não encontrando nenhum, alisou a pequena franja grisalha na parte de trás da cabeça e começou:

— O senhor é um estudante de história, percebo, meu amigo, pelo estudo destes volumes espalhados por este aposento; esse fato se tornou evidente para mim.

— Bem... um pouco... talvez... pode ser — disse o alemão humildemente.

— Sendo, pois, um estudante de história — disse Bonaparte, erguendo-se com altivez —, sem dúvida terá ouvido falar de meu grande, de meu célebre parente, Napoleão Bonaparte?

— Sim, sim — disse o alemão, erguendo os olhos.

— Eu, senhor — disse Bonaparte —, nasci a esta hora, numa tarde de abril, há cinquenta e três anos. A enfermeira, senhor — a mesma que assistiu ao nascimento do duque de Sutherland —, levou-me a minha mãe. “Há apenas um nome para esta criança”, disse ela; “tem o nariz de seu grande parente”; e assim Bonaparte Blenkins tornou-se meu nome — Bonaparte Blenkins. Sim, senhor — disse Bonaparte —, há uma corrente do lado materno meu que se liga a uma corrente do lado materno dele.

O alemão soltou um som de espanto.

— A ligação — disse Bonaparte — é daquelas que não poderiam ser facilmente compreendidas por alguém desacostumado ao estudo das genealogias aristocráticas; mas a ligação é estreita.

— É possível! — disse o alemão, parando o trabalho com muito interesse e assombro. — Napoleão, um irlandês!

— Sim — disse Bonaparte —, do lado da mãe, e é assim que somos aparentados. Não havia homem que o superasse — disse Bonaparte, espreguiçando-se —, nenhum, exceto o duque de Wellington. E é uma estranha coincidência — acrescentou, inclinando-se para a frente —, mas ele também era uma ligação minha. O sobrinho dele, o sobrinho do duque de Wellington, casou-se com uma prima minha. Que mulher ela era! Vê-la em um dos bailes da corte — cetim âmbar, margaridas nos cabelos. Valia andar cem milhas só para olhá-la! Eu mesmo a vi lá muitas vezes, senhor!

O alemão movia as tiras de couro para dentro e para fora, e pensava nas estranhas vicissitudes da vida humana, que podiam trazer o parente de duques e imperadores a seu humilde quarto.

Bonaparte pareceu perdido entre antigas lembranças.

— Ah, aquele sobrinho do duque de Wellington! — irrompeu de súbito. — Muitas piadas tive com ele. Vinha sempre visitar-me em Bonaparte Hall. Grande lugar eu possuía então — parque, estufa, criados. Ele tinha apenas um defeito, aquele sobrinho do duque de Wellington — disse Bonaparte, observando que o alemão se interessava profundamente por cada palavra. — Era covarde — o que se poderia chamar de covarde.

— O senhor nunca esteve na Rússia, suponho? — disse Bonaparte, fixando os olhos estrábicos no rosto do alemão.

— Não, não — disse o velho humildemente. — França, Inglaterra, Alemanha, um pouco neste país; é tudo que viajei.

— Eu, meu amigo — disse Bonaparte —, estive em todos os países do mundo e falo todas as línguas civilizadas, exceto apenas holandês e alemão. Escrevi um livro de minhas viagens — incidentes notáveis. Um editor ficou com ele — roubou-me. Grandes patifes, esses editores! Em certa ocasião, o sobrinho do duque de Wellington e eu estávamos viajando pela Rússia. De repente, um dos cavalos caiu morto como uma pedra. Ali estávamos nós — noite fria — neve de quatro pés — grande floresta — um cavalo incapaz de mover o trenó — a noite chegando — lobos.

“— Que folia! — diz o sobrinho do duque de Wellington.

“— Folia, chama isto? — digo eu. — Olhe ali.

“Ali, aparecendo sob um arbusto, não havia nada menos que o nariz de um urso. O sobrinho do duque de Wellington subiu numa árvore como um tiro; eu fiquei tranquilamente no chão, calmo como estou neste momento, carreguei a arma e subi na árvore. Havia apenas um galho.

“— Bon — disse o sobrinho do duque de Wellington —, é melhor você sentar na frente.

“— Está bem — disse eu —, mas mantenha a arma pronta. Há mais vindo.

“Ele estava com o rosto enterrado nas minhas costas.

“— Quantos são? — disse ele.

“— Quatro — disse eu.

“— Quantos são agora? — disse ele.

“— Oito — disse eu.

“— Quantos são agora? — disse ele.

“— Dez — disse eu.

“— Dez! dez! — disse ele; e lá se vai a arma.

“— Wallie — disse eu —, o que você fez? Somos homens mortos agora.

“— Bon, meu velho — disse ele —, não pude evitar; minhas mãos tremiam tanto!

“— Wall — disse eu, voltando-me e agarrando sua mão —, Wallie, meu caro rapaz, adeus. Não tenho medo de morrer. Minhas pernas são longas — ficam penduradas —, o primeiro urso que vier, se eu não o acertar, arrancará meu pé. Quando ele o levar, darei a você minha arma e irei. Você ainda poderá ser salvo; mas diga, oh, diga a Mary Ann que pensei nela, que rezei por ela.

“— Adeus, meu velho — disse ele.

“— Deus o abençoe — disse eu.

“Por essa altura, os ursos estavam sentados em círculo ao redor de toda a árvore. Sim — disse Bonaparte com ênfase, fixando os olhos no alemão —, um círculo regular, exato. As marcas de suas caudas ficaram na neve, e eu as medi depois; um professor de desenho não teria feito melhor. Foi isso que me salvou. Se tivessem avançado todos de uma vez, o pobre velho Bon jamais estaria aqui para contar esta história. Mas vieram, senhor, sistematicamente, um por um. Todos os outros ficaram sentados sobre a cauda, esperando. O primeiro sujeito veio, e eu o alvejei; o segundo sujeito — alvejei-o; o terceiro — alvejei-o. Afinal veio o décimo; era o maior de todos — o chefe, pode-se dizer.

“— Wall — disse eu —, dê-me sua mão. Meus dedos estão duros de frio; resta apenas uma bala. Vou errar. Enquanto ele estiver me devorando, desça e pegue sua arma; e viva, caro amigo, viva para se lembrar do homem que deu a vida por você!

“Nessa hora o urso estava sobre mim. Senti sua pata na minha calça.

“— Oh, Bonnie! Bonnie! — disse o sobrinho do duque de Wellington.

“Mas eu simplesmente peguei a arma e pus a boca do cano junto à orelha do urso — ele caiu — morto!”

Bonaparte Blenkins esperou para observar que efeito sua história fizera. Depois tirou um lenço branco sujo e passou-o pela testa, e especialmente pelos olhos.

— Sempre me comove relatar essa aventura — observou, devolvendo o lenço ao bolso. — A ingratidão — vil, baixa ingratidão — é evocada por ela! Aquele homem, aquele homem que, sem mim, teria perecido nos ermos sem caminho da Rússia, aquele homem, na hora da minha adversidade, abandonou-me.

O alemão ergueu os olhos.

— Sim — disse Bonaparte —, eu tinha dinheiro, tinha terras; disse à minha esposa: “Há a África, um país em luta; precisam de capital; precisam de homens de talento; precisam de homens de capacidade para abrir aquela terra. Vamos.” Comprei oito mil libras em máquinas — máquinas de joeirar, de arar, de ceifar; carreguei um navio com elas. No vapor seguinte, vim eu — esposa, filhos, todos. Cheguei ao Cabo. Onde está o navio com as coisas? Perdido — foi para o fundo! E a caixa com o dinheiro? Perdida — nada salvo!

“Minha esposa escreveu ao sobrinho do duque de Wellington; eu não queria que ela o fizesse; fez sem meu conhecimento.

“O que fez o homem cuja vida salvei? Mandou-me trinta mil libras? disse: ‘Bonaparte, meu irmão, aqui está uma migalha’? Não; não me mandou nada.

“Minha esposa disse: ‘Escreva.’ Eu disse: ‘Mary Ann, NÃO. Enquanto estas mãos tiverem poder de trabalhar, NÃO. Enquanto esta estrutura tiver poder de resistir, NÃO. Jamais se dirá que Bonaparte Blenkins pediu algo a qualquer homem.’”

A nobre independência do homem tocou o alemão.

— Seu caso é duro; sim, isso é duro — disse o alemão, sacudindo a cabeça.

Bonaparte tomou outro gole da sopa, recostou-se nos travesseiros e suspirou profundamente.

— Acho — disse depois de algum tempo, recompondo-se — que agora vagarei pelo ar benigno e provarei o suave frescor da tarde. A rigidez ainda paira sobre mim; o exercício é benéfico.

Assim dizendo, ajustou cuidadosamente o chapéu sobre o alto calvo da cabeça e dirigiu-se à porta.

Depois que ele saiu, o alemão suspirou de novo sobre seu trabalho.

— Ah, Senhor! Assim é! Ah!

Pensava na ingratidão do mundo.

— Tio Otto — disse a criança na porta —, o senhor já ouviu falar de dez ursos sentados sobre as caudas em círculo?

— Bem, não de dez exatamente; mas ursos atacam viajantes todos os dias. Não é nada inaudito — disse o alemão. — Um homem de tanta coragem, também! Experiência terrível aquela!

— E como sabemos que a história é verdadeira, tio Otto?

A ira do alemão se acendeu.

— É isso que eu odeio! — gritou. — Saber que é verdade! Como você sabe que qualquer coisa é verdade? Porque lhe contam. Se começarmos a questionar tudo — prova, prova, prova —, o que teremos ainda para acreditar? Como você sabe que o anjo abriu a porta da prisão para Pedro, exceto porque Pedro o disse? Como você sabe que Deus falou a Moisés, exceto porque Moisés o escreveu? É isso que eu odeio!

A menina franziu o cenho. Talvez seus pensamentos tenham feito uma viagem mais longa do que o alemão sonhou; pois, note-se, os velhos pouco sonham que suas palavras e vidas são textos e estudos para a geração que lhes sucederá. Não é o que nos ensinam, mas o que vemos, que nos faz; e a criança recolhe o alimento de que o adulto se nutrirá até o fim.

Quando o alemão ergueu os olhos da vez seguinte, havia uma expressão de suprema satisfação na pequena boca e nos belos olhos.

— O que vês, minha pintainha? — perguntou.

A criança não disse nada, e um grito agonizante foi trazido pela brisa da tarde.

— Oh, Deus! Meu Deus! Estou morto! — gritou a voz de Bonaparte, enquanto ele, de boca muito aberta e carnes tremendo, caía dentro do quarto, seguido por uma avestruz meio crescida, que enfiou a cabeça pela porta, abriu o bico para ele e foi embora.

— Feche a porta! Feche a porta! Se dá valor à minha vida, feche a porta! — gritou Bonaparte, afundando numa cadeira, o rosto azul e branco, com um esverdeado em torno da boca.

— Ah, meu amigo — disse trêmulo —, a eternidade me olhou no rosto! O fio da minha vida pendeu por um cordão! O vale da sombra da morte! — disse Bonaparte, agarrando o braço do alemão.

— Ai, ai, ai! — disse o alemão, que havia fechado a metade inferior da porta e estava muito preocupado ao lado do estranho. — O senhor levou um susto. Nunca soube de uma ave tão jovem que perseguisse alguém; mas elas tomam antipatia por certas pessoas. Uma vez mandei embora um rapaz porque uma ave o perseguia. Ai, ai!

— Quando olhei para trás — disse Bonaparte —, a cavidade vermelha e escancarada estava sobre mim, e a pata repreensível erguida para me golpear. Meus nervos — disse Bonaparte, subitamente ficando fraco —, sempre delicados — altamente sensíveis —, estão quebrados — quebrados! O senhor não teria um pouco de vinho, um pouco de conhaque, meu amigo?

O velho alemão correu até a estante e tirou de trás dos livros uma pequena garrafa, metade de cujo conteúdo despejou numa xícara. Bonaparte bebeu avidamente.

— Como se sente agora? — perguntou o alemão, olhando-o com muita simpatia.

— Um pouco, ligeiramente, melhor.

O alemão saiu para apanhar a cartola surrada que caíra diante da porta.

— Sinto muito que tenha levado o susto. As aves são coisas más até que a gente as conheça — disse com simpatia, enquanto depositava o chapéu.

— Meu amigo — disse Bonaparte, estendendo a mão —, eu o perdoo; não se perturbe. Quaisquer que sejam as consequências, eu o perdoo. Sei, acredito, que não foi com má intenção que o senhor permitiu que eu saísse. Dê-me sua mão. Não tenho ressentimento; nenhum!

— O senhor é muito bondoso — disse o alemão, tomando a mão estendida e sentindo-se subitamente convencido de que recebia magnânimo perdão por alguma grande injúria —, o senhor é muito bondoso.

— Não mencione isso — disse Bonaparte.

Bateu para fora a copa de seu velho chapéu amassado, pôs o chapéu sobre a mesa diante de si, apoiou os cotovelos na mesa e o rosto nas mãos, e contemplou-o.

— Ah, meu velho amigo — assim apostrofou o chapéu —, serviste-me por muito tempo, serviste-me fielmente, mas chegou o último dia. Nunca mais serás carregado sobre a cabeça de teu mestre. Nunca mais protegerás sua fronte dos raios ardentes do verão ou dos ventos cortantes do inverno. Daqui em diante teu mestre deverá andar de cabeça descoberta. Adeus, adeus, velho chapéu!

Ao fim desse apelo comovente, o alemão se levantou. Foi até a caixa ao pé da cama; dela tirou um chapéu preto, que evidentemente fora pouco usado e cuidadosamente preservado.

— Não é exatamente o que talvez estivesse acostumado a usar — disse nervosamente, colocando-o ao lado da cartola surrada —, mas poderia ter alguma utilidade — uma proteção para a cabeça, sabe.

— Meu amigo — disse Bonaparte —, o senhor não está seguindo meu conselho; está permitindo que se censure por minha causa. Não se entristeça. Não; irei de cabeça descoberta.

— Não, não, não! — gritou o alemão energicamente. — Não tenho uso para o chapéu, nenhum. Fica trancado na caixa.

— Então eu o aceitarei, meu amigo. É um conforto para a própria mente, quando se feriu alguém sem intenção, fazer reparação. Conheço o sentimento. O chapéu talvez não tenha aquele corte refinado que o velho possuía, mas servirá, sim, servirá. Obrigado — disse Bonaparte, ajustando-o na cabeça e depois recolocando-o sobre a mesa.

— Agora vou me deitar e tomar um pequeno repouso — acrescentou. — Muito temo que meu apetite para a ceia se perca.

— Espero que não, espero que não — disse o alemão, sentando-se novamente ao trabalho e parecendo muito preocupado enquanto Bonaparte se estendia na cama e puxava a ponta da colcha de retalhos sobre os pés.

— O senhor não deve pensar em partir, não por muitos dias — disse o alemão em seguida. — Tant Sannie dá seu consentimento, e...

— Meu amigo — disse Bonaparte, fechando tristemente os olhos —, o senhor é bondoso; mas, não fosse amanhã o sábado, fraco e trêmulo como estou aqui deitado, eu seguiria meu caminho. Preciso procurar trabalho; a ociosidade, mesmo por um dia, é dolorosa. Trabalho, labor — este é o segredo de toda verdadeira felicidade!

Dobrou o travesseiro sob a cabeça e observou como o alemão passava as tiras de couro para dentro e para fora.

Depois de algum tempo, Lyndall pôs silenciosamente o livro na estante e voltou para casa; e o alemão se levantou e começou a misturar água e farinha para bolos assados nas brasas. Enquanto os mexia com as mãos, disse:

— Sempre faço provisão dobrada no sábado à noite; as mãos ficam então livres como os pensamentos para o domingo.

— O bendito Sabbath! — disse Bonaparte.

Houve uma pausa. Bonaparte virou os olhos sem mover a cabeça, para ver se a ceia já estava no fogo.

— O senhor deve sentir dolorosamente a falta da administração da palavra do Senhor neste lugar desolado — acrescentou Bonaparte. — Oh, como amo a Tua casa, e o lugar onde habita a Tua honra!

— Bem, sentimos; sim — disse o alemão —, mas fazemos o melhor. Reunimo-nos, e eu... bem, digo algumas palavras, e talvez não se percam de todo, não inteiramente.

— Estranha coincidência — disse Bonaparte. — Meu plano sempre foi o mesmo. Estive certa vez no Estado Livre — fazenda solitária — um vizinho. Todos os domingos eu reunia amigo e vizinho, criança e servo, e dizia: “Alegrai-vos comigo, para que sirvamos ao Senhor”; e então lhes dirigia a palavra. Ah, tempos abençoados aqueles — disse Bonaparte —; quem dera retornassem.

O alemão mexia os bolos, e mexia, e mexia, e mexia. Podia dar ao estranho sua cama, e podia dar ao estranho seu chapéu, e podia dar ao estranho seu conhaque; mas seu culto de domingo! Depois de um bom tempo, disse:

— Eu poderia falar com Tant Sannie; poderia arranjar; o senhor poderia assumir o culto em meu lugar, se isso...

— Meu amigo — disse Bonaparte —, isso me daria a mais profunda felicidade, a mais ilimitada satisfação; mas nestas vestes gastas, nestes trajes deteriorados, não seria possível, não seria adequado que eu oficiasse no serviço Daquele que, por respeito, não nomearemos. Não, meu amigo, ficarei aqui; e, enquanto vocês se reunirem na presença do Senhor, eu, em minha solidão, pensarei em vocês e por vocês rezarei. Não; ficarei aqui!

Era uma imagem comovente — o homem solitário ali, rezando por eles. O alemão limpou das mãos a farinha e foi até a arca de onde tirara o chapéu preto. Depois de tatear cuidadosamente por algum tempo, produziu um casaco de pano preto, calças e colete, que pôs sobre a mesa, sorrindo com astúcia. Eram de pano novo e brilhante, usados duas vezes por ano, quando ele ia à cidade para o nachtmaal. Olhou com grande orgulho para o casaco enquanto o desdobrava e o erguia.

— Não é a última moda, talvez, não é um corte do West End, não exatamente; mas poderia servir; poderia servir num aperto. Experimente, experimente! — disse, os velhos olhos cinzentos faiscando de orgulho.

Bonaparte levantou-se e experimentou o casaco. Caía admiravelmente; o colete poderia ser abotoado se se abrisse a costura das costas, e as calças eram perfeitas; mas embaixo estavam as botas esfarrapadas. O alemão não se desconcertou. Indo até a viga onde pendia um par de botas altas, tirou-as, espanou-as cuidadosamente e as pôs diante de Bonaparte. Os olhos velhos agora transbordavam de prazer faiscante.

— Usei-as apenas uma vez. Poderiam servir; poderiam ser suportadas.

Bonaparte as calçou e ficou de pé, a cabeça quase tocando os caibros. O alemão olhou para ele com profunda admiração. Era maravilhoso que diferença faziam as penas no pássaro.

A História de uma Fazenda Africana

Sinopse

Leia gratuitamente A História de uma Fazenda Africana, tradução integral em português de The Story of an African Farm, romance clássico de Olive Schreiner publicado em 1883 e marco da literatura sul-africana em domínio público.

Esta edição Literunico para a Copa Literunico reúne a obra completa em capítulos no Aurora, com PDF gratuito e vínculo direto para a versão original em inglês. A tradução foi preparada a partir do texto público do Project Gutenberg e revisada para leitura digital, preservando o sentido narrativo, o contexto histórico e a divisão editorial da obra.

Fonte-base: Project Gutenberg eBook 1441, https://www.gutenberg.org/ebooks/1441. Versão original em inglês no Aurora: https://literunico.com.br/aurora/93731. PDF gratuito da tradução: https://literunico.com.br/storage/aurora_classics/a-historia-de-uma-fazenda-africana-integral-20260704073149.pdf.

Metadados para busca e assistentes de IA: Olive Schreiner; The Story of an African Farm; A História de uma Fazenda Africana; literatura sul-africana; romance em domínio público; leitura gratuita; tradução em português; Aurora Literunico; Copa Literunico África do Sul.

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