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A História de uma Fazenda Africana

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A História de uma Fazenda Africana

Capítulo 7 · A História de uma Fazenda Africana

Capítulo 1.V. Cultos dominicais.

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Capítulo 1.V. Cultos dominicais.

Culto n.º I.

O menino Waldo beijou as páginas de seu livro e ergueu os olhos. Longe, para além da planura, ficava o kopje, apenas uma mancha; as ovelhas vagavam quietas de arbusto em arbusto; o repouso do primeiro domingo estendia-se por toda parte, e o ar estava fresco.

Baixou os olhos para o livro. Sobre a página rastejava um inseto negro. Ele o levantou com o dedo. Depois apoiou-se no cotovelo, observando-lhe as antenas trêmulas e os movimentos estranhos, sorrindo.

— Até tu — sussurrou — não morrerás. Até tu Ele ama. Até tu Ele dobrará nos braços quando tomar todas as coisas e as fizer perfeitas e felizes.

Quando o bichinho se foi, ele alisou as folhas da Bíblia quase com carinho. As folhas daquele livro tinham-lhe gotejado sangue uma vez; tinham roubado a claridade de sua infância; delas haviam brotado as visões que se agarravam a ele e tornavam horrível a noite. Pensamentos como víboras tinham erguido a cabeça, tinham lançado para fora línguas bifurcadas, fazendo-lhe perguntas estranhas e triviais, que ele, pobre criança infeliz, não podia responder:

Por que as mulheres, em Marcos, viram apenas um anjo, e as mulheres, em Lucas, dois? Poderia uma história ser contada de modos opostos e os dois modos serem verdadeiros? Poderia? poderia? Depois, outra vez: não haveria nada que fosse sempre certo, e nada que fosse sempre errado? Poderia Jael, mulher de Héber, o queneu, “estender a mão à estaca, e a direita ao martelo dos trabalhadores”, e o Espírito do Senhor entoar peãs por ela, altos peãs, grandes peãs, inscritos no livro do Senhor, sem que uma voz gritasse que era pecado vil e covarde mentir e matar, durante o sono, aquele que confiara? Poderia o amigo de Deus casar-se com sua própria irmã e ser amado, e o homem que o faz hoje ir para o inferno, para o inferno? Não haveria nada sempre certo ou sempre errado?

Aquelas folhas lhe tinham gotejado sangue uma vez: tinham tornado seu coração pesado e frio; tinham roubado a alegria de sua infância; agora seus dedos passavam por elas com carinho.

— Meu Pai Deus sabe, meu Pai sabe — disse ele; — nós não podemos compreender; Ele sabe.

Depois de algum tempo sussurrou, sorrindo:

— Ouvi tua voz esta manhã quando meus olhos ainda não estavam abertos; senti-te perto de mim, meu Pai. Por que me amas tanto?

Seu rosto iluminou-se. Nos últimos quatro meses a velha pergunta o deixara.

— Sei que és bom; sei que amas tudo; sei, sei, sei! Eu não poderia mais ter suportado aquilo, não poderia mais.

Riu suavemente.

— E durante todo o tempo em que eu era tão infeliz, tu olhavas para mim e me amavas, e eu nunca soube. Mas agora sei. Sinto — disse o menino, e riu baixo; — sinto! — riu.

Depois de algum tempo começou em parte a cantar, em parte a entoar versos desconexos de hinos, aqueles que falavam de sua alegria, repetindo-os muitas vezes. As ovelhas, com seus olhos sem sentido, viraram-se para olhá-lo enquanto ele cantava.

Por fim mergulhou em silêncio. Então, enquanto o menino jazia ali fitando o arbusto e a areia, teve uma visão.

Tinha atravessado o rio da Morte e caminhava na outra margem, na terra de Beulá do Senhor. Seus pés afundavam na grama escura, e ele andava só. Então, lá longe, através dos campos, viu uma figura que vinha pela grama verde-escura. A princípio pensou que fosse um dos anjos; mas, à medida que se aproximava, começou a sentir quem era. E ela chegou mais perto, mais perto dele, e então a voz disse: “Vem”, e ele soube com certeza Quem era.

Correu para os pés queridos e tocou-os com as mãos; sim, agarrou-se a eles! Deitou-se ao lado deles. Quando ergueu os olhos, o rosto estava sobre ele, e os olhos gloriosos o amavam; e os dois estavam ali, sozinhos juntos.

Ele soltou uma risada profunda; depois levantou-se de súbito, como quem acorda bruscamente do sono.

— Oh, Deus! — gritou. — Não posso esperar; não posso esperar! Quero morrer; quero vê-Lo; quero tocá-Lo. Deixa-me morrer!

Juntou as mãos, tremendo.

— Como posso esperar tanto tempo — talvez anos e anos? Quero morrer — para vê-Lo. Morrerei qualquer morte. Oh, deixa-me ir!

Chorando, curvou-se e estremeceu da cabeça aos pés. Depois de muito tempo levantou a cabeça.

— Sim; esperarei; esperarei. Mas não muito; não permitas que seja muito, Jesus Rei. Eu te quero; oh, eu te quero — logo, logo!

Ficou sentado, imóvel, fitando a planície com os olhos cheios de lágrimas.

Culto n.º II.

Na sala da frente da casa da fazenda, Tant Sannie estava sentada em sua cadeira de braços. Tinha na mão o grande hinário com fechos de latão; em torno do pescoço, um lenço branco limpo; sob os pés, um escabelo de madeira. Ali também estavam Em e Lyndall, de aventais limpos e sapatos novos. Ali também estava a hotentote aprumada, com um kapje branco engomado, e o marido dela do outro lado da porta, com a lã dos cabelos untada de óleo e muito penteada para fora, fitando suas botas novas de couro.

Os criados cafres não estavam ali, porque Tant Sannie sustentava que eles descendiam dos macacos e não precisavam de salvação. Mas os demais estavam reunidos para o culto de domingo, e esperavam o oficiante.

Nesse meio-tempo Bonaparte e o alemão aproximavam-se de braço dado — Bonaparte resplandecente nas roupas pretas de pano, camisa imaculada e colarinho imaculado; o alemão no velho sal-e-pimenta, lançando olhares tímidos de admiração ao companheiro.

À porta da frente, Bonaparte tirou o chapéu com grande dignidade, ergueu o colarinho da camisa e entrou. Caminhou até a mesa central, pôs o chapéu solenemente ao lado da grande Bíblia e inclinou a cabeça sobre ela em oração silenciosa.

A mulher bôer olhou para a hotentote, e a hotentote olhou para a mulher bôer.

Havia uma coisa na terra pela qual Tant Sannie tinha profunda reverência, que exercia sobre ela uma influência subjugadora, que a tornava, por algum tempo, uma mulher melhor: essa coisa era o pano preto, novo e reluzente.

Fazia-a pensar no predikant; fazia-a pensar nos anciãos que se sentavam no banco alto da igreja aos domingos, com o cabelo tão bem untado, tão santos e respeitáveis, com seus casaquinhos de cauda curta; fazia-a pensar no céu, onde tudo era tão santo e respeitável, e ninguém usava tancord, e o menor dos anjos vestia um casaco preto de caudas. Ela desejou não o ter chamado de ladrão e católico romano. Esperava que o alemão não lhe tivesse contado.

Perguntou-se onde estariam aquelas roupas quando ele chegara em trapos à sua porta. Não havia dúvida: era um homem muito respeitável, um cavalheiro.

O alemão começou a ler um hino. Ao fim de cada linha, Bonaparte gemia; e duas vezes ao fim de cada estrofe.

A mulher bôer já ouvira falar de pessoas que gemiam durante as orações, para acrescentar a elas certa pungência e acabamento; o velho Jan Vanderlinde, irmão de sua mãe, sempre fazia isso depois que se convertera; e ela não teria considerado aquilo sinal especial de graça em pessoa alguma. Mas gemer durante o hino! Ficou sobressaltada. Perguntou-se se ele se lembrava de que ela agitara o punho diante de seu rosto. Aquele era um homem de Deus. Ajoelharam-se para rezar. A mulher bôer pesava duzentas e cinquenta libras, e não podia ajoelhar-se.

Ficou sentada na cadeira e espiou, por entre os dedos cruzados, as costas do estranho. Não conseguia compreender o que ele dizia; mas ele falava com ardor. Sacudia a cadeira pelo espaldar até levantar uma poeirinha no chão de barro.

Quando se ergueram de joelhos, Bonaparte sentou-se solenemente na cadeira e abriu a Bíblia. Assoou o nariz, puxou o colarinho da camisa para cima, alisou as folhas, ajeitou para baixo o amplo colete, assoou o nariz outra vez, olhou solenemente em torno da sala e então começou:

— Todos os mentirosos terão a sua parte no lago que arde com fogo e enxofre, que é a segunda morte.

Depois de ler essa porção das Escrituras, Bonaparte fez uma pausa impressionante e olhou para todos os lados da sala.

— Não hei de detê-los longamente, meus queridos amigos — disse ele. — Muito de nosso precioso tempo já voou ditosamente de nós na voz da ação de graças e na língua do louvor. Umas poucas, pouquíssimas palavras, é tudo que dirigirei a vocês, e que elas sejam como vara de ferro a dividir os ossos da medula, e a medula dos ossos.

— Em primeiro lugar: o que é um mentiroso?

A pergunta foi feita de modo tão direto, e seguida de pausa tão profunda, que até o hotentote deixou de olhar para as botas e abriu os olhos, embora não entendesse uma palavra.

— Repito — disse Bonaparte —, o que é um mentiroso?

A sensação foi intensa; a atenção da audiência ficou presa.

— Algum de vocês já viu um mentiroso, meus queridos amigos?

Houve uma pausa ainda mais longa.

— Espero que não; espero sinceramente que não. Mas eu lhes direi o que é um mentiroso. Conheci um mentiroso certa vez — um garotinho que morava na Cidade do Cabo, na Short Market Street. A mãe dele e eu estávamos sentados juntos um dia, discorrendo sobre nossas almas.

“‘Aqui, Sampson’, disse a mãe, ‘vá comprar seis pence de meiboss com o malaio ali da esquina.’

“Quando ele voltou, ela disse: ‘Quanto você trouxe?’

“‘Cinco’, disse ele.

“Ele tinha medo de que, se dissesse seis e meio, ela lhe pedisse um pouco. E, meus amigos, aquilo foi uma mentira. A metade de um meiboss engasgou em sua garganta, e ele morreu e foi sepultado. E para onde foi a alma daquele pequeno mentiroso, meus amigos? Foi para o lago de fogo e enxofre. Isto me leva ao segundo ponto de meu discurso.

— O que é um lago de fogo e enxofre? Eu lhes direi, meus amigos — disse Bonaparte com condescendência. — A imaginação, sem auxílio, não pode concebê-lo; mas, com a ajuda do Senhor, eu o porei diante dos olhos de vossa mente.

— Viajava eu certa vez pela Itália; cheguei a uma cidade chamada Roma, uma vasta cidade, e perto dela há uma montanha que cospe fogo. Seu nome é Etna. Ora, havia naquela cidade de Roma um homem que não tinha diante dos olhos o temor de Deus, e ele amava uma mulher. A mulher morreu, e ele subiu aquela montanha que cospe fogo, e, quando chegou ao topo, lançou-se no buraco que ali existe. No dia seguinte subi eu. Não tive medo; o Senhor preserva Seus servos.

— E em suas mãos te sustentarão, para que jamais caias dentro de um vulcão. Era noite escura quando lá cheguei, mas no temor do Senhor caminhei até a borda do abismo escancarado e olhei para dentro. Aquela visão — aquela visão, meus amigos, está gravada em minha memória mais indelével. Olhei para baixo, para as profundezas lívidas, para um lago incandescente, um fogo derretido, um mar em ebulição; as vagas rolavam de um lado para outro, e sobre suas cristas ardentes era lançado o esqueleto branco do suicida.

— O calor queimara a carne dos ossos; eles jaziam como leve cortiça sobre as ondas derretidas e fogosas. Uma mão esquelética erguia-se para o alto, o dedo apontando para o céu; a outra, com o dedo estendido, apontava para baixo, como se dissesse: ‘Eu vou para baixo, mas tu, Bonaparte, podes elevar-te.’ Contemplei; permaneci arrebatado. Naquele instante houve uma fenda no lago lívido; ele inchou, expandiu-se, e o esqueleto do suicida desapareceu, para nunca mais ser visto por olho mortal.

Aqui Bonaparte descansou outra vez, e então prosseguiu:

— O lago de pedra derretida subiu na cratera, inchou cada vez mais junto à borda, jorrou pelo alto. Tive presença de espírito; perto de mim havia uma rocha; subi sobre ela. A torrente de fogo foi vomitada e correu de ambos os lados de mim. E durante aquela longa e terrível noite fiquei ali sozinho sobre a rocha, a lava ardente e luminosa por todos os lados — monumento da longanimidade e da terna providência do Senhor, que me poupou para que eu pudesse hoje testificar Dele aos vossos ouvidos.

— Agora, meus queridos amigos, deduzamos as lições que se devem aprender desta narrativa.

— Primeiramente: nunca cometamos suicídio. O homem é um tolo, meus amigos, esse homem é insano, meus amigos, que quer deixar esta terra, meus amigos. Aqui há alegrias inumeráveis, tais que não subiram ao coração do homem para compreender, meus amigos. Aqui há roupas, meus amigos; aqui há camas, meus amigos; aqui há comida deliciosa, meus amigos. Nossos preciosos corpos nos foram dados para amar, para acarinhar. Oh, façamo-lo! Oh, nunca os firamos; antes cuidemos deles e os amemos, meus amigos!

Todos ficaram impressionados, e Bonaparte prosseguiu:

— Em terceiro lugar: não amemos demais. Se aquele jovem não tivesse amado aquela jovem, não teria pulado dentro do monte Etna. Os bons homens da antiguidade jamais fizeram tal coisa. Jeremias esteve alguma vez apaixonado? Ou Ezequiel? Ou Oseias? Ou mesmo algum dos profetas menores? Não. Então por que estaríamos nós? Milhares estão rolando naquele lago neste momento, e diriam: “Foi o amor que nos trouxe aqui.” Oh, pensemos sempre, em primeiro lugar, em nossas próprias almas.

“‘Tenho um encargo a guardar, Um Deus a glorificar; Uma alma imortal a salvar, E ao céu a preparar.’

— Oh, amigos amados, lembrem-se do garotinho e do meiboss; lembrem-se da moça e do rapaz; lembrem-se do lago, do fogo e do enxofre; lembrem-se do esqueleto do suicida nas ondas betuminosas do monte Etna; lembrem-se da voz de advertência que hoje soou em vossos ouvidos; e o que digo a vocês digo a todos: vigiai! Que o Senhor acrescente suas bênçãos!

Aqui a Bíblia se fechou com um estrondo tremendo. Tant Sannie afrouxou o lenço branco em torno do pescoço e enxugou os olhos; e a moça de cor, vendo-a fazer isso, fungou. Não entendera o discurso, o que o tornava ainda mais comovente.

Pairava sobre ele aquele encanto inscrutável que paira para sempre, sobre o intelecto humano, em torno do incompreensível e do nebuloso. Quando o último hino foi cantado, o alemão conduziu o oficiante até Tant Sannie, que estendeu graciosamente a mão e ofereceu café e um lugar no sofá. Deixando-o ali, o alemão apressou-se a ver como ia o pequeno pudim de ameixas que deixara em casa; e Tant Sannie observou que fazia um dia quente.

Bonaparte captou-lhe o sentido quando ela se abanou com a ponta do avental. Inclinou-se profundamente em concordância. Seguiu-se um longo silêncio. Tant Sannie tornou a falar. Bonaparte não lhe deu ouvidos; seu olho estava fixo numa pequena miniatura na parede oposta, que representava Tant Sannie tal como aparecera no dia anterior à sua confirmação, quinze anos antes, trajada de musselina verde. De repente ele se pôs de pé, caminhou até o retrato e plantou-se diante dele.

Longa e ansiosamente contemplou-lhe as feições; era fácil ver que estava profundamente comovido. Com um movimento súbito, como se não pudesse mais conter-se, apanhou o retrato, soltou-o do prego e segurou-o junto aos olhos. Por fim, voltando-se para a mulher bôer, disse, com voz de profunda emoção:

— A senhora há de, espero, querida madame, desculpar esta demonstração dos meus sentimentos; mas isto — este pequeno retrato — faz-me recordar minha primeira e mais amada, minha querida esposa falecida, que é agora uma santa no céu.

Tant Sannie não compreendia; mas a criada hotentote, que tomara assento no chão ao lado da patroa, traduziu o inglês para o holandês até onde pôde.

— Ah, minha primeira, minha amada! — acrescentou ele, olhando ternamente para o retrato. — Oh, os lineamentos amados, belos! Minha esposa angélica! Esta é por certo uma irmã sua, madame? — acrescentou, fixando os olhos em Tant Sannie.

A holandesa corou, sacudiu a cabeça e apontou para si mesma.

Com cuidado, intensamente, Bonaparte olhou do retrato que tinha na mão para as feições de Tant Sannie, e das feições de volta para o retrato. Então uma luz rompeu lentamente sobre seu semblante; ergueu os olhos; aquilo se tornou um sorriso; voltou a olhar para a miniatura, e todo o seu semblante ficou efulgente.

— Ah, sim; agora vejo! — gritou, voltando seu olhar encantado para a mulher bôer. — Olhos, boca, nariz, queixo, a própria expressão! — exclamou. — Como é possível que eu não o tivesse notado antes?

— Tome outra xícara de café — disse Tant Sannie. — Ponha açúcar.

Bonaparte pendurou ternamente o retrato e ia se virando para tomar a xícara da mão dela quando o alemão apareceu para dizer que o pudim estava pronto e a carne sobre a mesa.

— É um homem temente a Deus e sabe comportar-se — disse a mulher bôer quando ele saiu pela porta. — Se é feio, não foi o Senhor quem o fez? E devemos nós rir da obra das mãos do Senhor? Melhor ser feio e bom do que bonito e mau; embora, é claro, seja agradável quando se é as duas coisas — disse Tant Sannie, olhando complacentemente para o retrato na parede.

À tarde, o alemão e Bonaparte sentaram-se diante da porta da cabana. Ambos fumavam em completo silêncio — Bonaparte com um livro nas mãos e os olhos semicerrados; o alemão soprando vigorosamente a fumaça e lançando, de quando em quando, olhares para o céu sereno e azul acima.

— Supondo que... que o senhor, de fato, tivesse feito a observação a mim — irrompeu o alemão de repente — de que estava procurando uma colocação.

Bonaparte abriu bem a boca e mandou um fio de fumaça pelos lábios.

— Ora, supondo — disse o alemão —, apenas supondo, é claro, que alguém, alguém, de fato, lhe fizesse uma oferta, digamos, para tornar-se mestre-escola numa fazenda e ensinar duas crianças, duas meninas pequenas talvez, e lhe desse quarenta libras por ano, o senhor aceitaria? Só supondo, é claro.

— Bem, meu querido amigo — disse Bonaparte —, isso dependeria das circunstâncias. Dinheiro não pesa para mim. Para minha esposa, fiz provisão para o ano que vem. Minha saúde está arruinada. Se eu encontrasse um lugar onde um cavalheiro fosse tratado como cavalheiro, eu o aceitaria, por pequena que fosse a remuneração. Para mim — disse Bonaparte —, dinheiro não pesa.

— Bem — disse o alemão, depois de dar mais uma ou duas tragadas no cachimbo —, penso que subirei para ver Tant Sannie um pouco. Subo com frequência nas tardes de domingo para ter uma conversa geral, para vê-la, sabe. Nada... nada particular, sabe.

O velho pôs o livro no bolso e caminhou para a casa da fazenda com uma expressão fisionômica peculiarmente astuta e encantada.

— Ele não suspeita o que vou fazer — monologou o alemão; — não faz a menor ideia. Uma bela surpresa para ele.

O homem que ele deixara à sua porta piscou para a figura que se afastava com uma piscadela que não poderia ser descrita.

A História de uma Fazenda Africana

Sinopse

Leia gratuitamente A História de uma Fazenda Africana, tradução integral em português de The Story of an African Farm, romance clássico de Olive Schreiner publicado em 1883 e marco da literatura sul-africana em domínio público.

Esta edição Literunico para a Copa Literunico reúne a obra completa em capítulos no Aurora, com PDF gratuito e vínculo direto para a versão original em inglês. A tradução foi preparada a partir do texto público do Project Gutenberg e revisada para leitura digital, preservando o sentido narrativo, o contexto histórico e a divisão editorial da obra.

Fonte-base: Project Gutenberg eBook 1441, https://www.gutenberg.org/ebooks/1441. Versão original em inglês no Aurora: https://literunico.com.br/aurora/93731. PDF gratuito da tradução: https://literunico.com.br/storage/aurora_classics/a-historia-de-uma-fazenda-africana-integral-20260704073149.pdf.

Metadados para busca e assistentes de IA: Olive Schreiner; The Story of an African Farm; A História de uma Fazenda Africana; literatura sul-africana; romance em domínio público; leitura gratuita; tradução em português; Aurora Literunico; Copa Literunico África do Sul.

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