Passionarias I Romanceiro · Capítulo 1 de 62
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Passionarias I

Passionarias

Foi á luz maravilhosa de um limpido luar de Abril.

Falaste; que me disseste ? Já te não lembras : palavras vans, sem amor. Amor ... nem tal podia haver, se era a primeira vez que nos viamos.

Mas, como explicar o caso extranho de haveres ficado, desde então, indelevelmente viva nas minhas pupillas como o arbusto, que nasce á margem da ribeira clara, fica, por toda a vida, nella reflectido ? Foi á luz maravilhosa de um limpido luar de Abril.

No terraço, sob um jasmineiro em flor, conversavam senhoras e cavalheiros quando a tua pequenina mão, tremula e fria, escondeu-se na minha como se esconde a estrella em uma nuvem .

Nada disseste e eu não me lembro de haver pronunciado uma palavra e foi como se nos houvessemos jurado, diante do ceu estrellado, um amor eterno .

Ainda hoje quando pergunto se te lembras do nosso primeiro encontro e do juramento que nós fizemos:

- Sim, respondes sorrindo, recordando essa adoravel noite de mudez -foi á luz maravilhosa de um limpido luar de Abril.

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