Passionarias I
Passionarias
Foi á luz maravilhosa de um limpido luar de Abril.
Falaste; que me disseste ? Já te não lembras : palavras vans, sem amor. Amor ... nem tal podia haver, se era a primeira vez que nos viamos.
Mas, como explicar o caso extranho de haveres ficado, desde então, indelevelmente viva nas minhas pupillas como o arbusto, que nasce á margem da ribeira clara, fica, por toda a vida, nella reflectido ? Foi á luz maravilhosa de um limpido luar de Abril.
No terraço, sob um jasmineiro em flor, conversavam senhoras e cavalheiros quando a tua pequenina mão, tremula e fria, escondeu-se na minha como se esconde a estrella em uma nuvem .
Nada disseste e eu não me lembro de haver pronunciado uma palavra e foi como se nos houvessemos jurado, diante do ceu estrellado, um amor eterno .
Ainda hoje quando pergunto se te lembras do nosso primeiro encontro e do juramento que nós fizemos:
- Sim, respondes sorrindo, recordando essa adoravel noite de mudez -foi á luz maravilhosa de um limpido luar de Abril.