Natal dos tristes VI - Nos hospitais
NOS HOSPITAES Sala vasta. Alas de leitos .
Lentas, mal roçando o soalho, passam, com o pétaso alado, as piedosas irmans de caridade. Os rosarios, que são as correntes que as prendem ao sacrificio, tinem de leve. Aqui gemem, alli choram enfermos.
Uma leva a poção para o doente, vai outra com o viatico para o que expira. Ha um sussurro de preces de mistura com a anciada agonia dos dyspneicos e o cheiro mystico que vem da capella, onde foi rezada a missa da meia noite, ainda perfuma a sala.
Alguns, sentados no leito, as mãos cruzadas no collo, elevam os olhos para o Christo crucificado que preside á enfermaria. Contemplam-no ! ... Estarão a fazer algum voto ? não : recordam o passado .
Este, o tempo da infancia na aldeia da patria, para o sempre deixada. Esse a meninice trefega na provincia aonde nunca mais tornou. Que será feito de Illuminuras sua mãe ? tão velha ! Por onde andarão perdidos seus irmãos ?
Aquelle suspira passando a mão pelos olhos. É velho, bem velhoas barbas brancas rolam-lhe pelo. peito magro. Ainda outro -um rapazinho livido, enfezado, mergulha a cabeça nos travesseiros e estrebucha, a chorar.
O' piedosas irmans de caridade, vêde quanto soffrimento deixais sem consolo ; vêde quantos corações reclamam o balsamo das vossas palavras, vêde quantas lagrimas derivando de olhos infelizes ...
Ah ! tendes tambem os olhos marejados ... Ócilicio não vos chegou ao coração ... santas mulheres, nem tudo resignastes -a saudade arrasa-vos os olhos d'agua.
Natal! Natal! gloria a Jesus, misericordia dos desgraçados.