Passionarias II
-E' pontual, disse minha amada sorrindo. Cabia-me o louvor porque, justamente, á hora aprazada para o encontro, eu sorria, dentro das suas pupillas, e ella corava, timida, nas minhas. -Pontual, affirmei beijando-lhe as mãos delgadas. Possúo um regulador sem igual em todo o mundo. E' possivel que, ás vezes, se adiante ; ainda assim não o tróco pelo famoso relogio da cathedral de Strasburgo.
Trago-o sempre commigo, todavia foi necessario que me apparecesses para que eu descobrisse o valor inestimavel d'essa preciosidade .
Lindamente, nos labios de minha amada, desabrochava um sorriso curioso. Sem lhe deixar as mãos continuei falando para os seus olhos : -Não pára. Disse-me alguem que só ha um meio de o fazer parar ... Fitei-a com amor, e, enternecido :
Mas tu has de ser sempre minha ... dize ? -Sempre ! affirmou n'um suspiro. E tens comtigo esse regulador ? mostra-m'o, pedio. Pousei a sua pequenina mão sobre o meu peito :
Sentes?
E' o coração, disse ella com os olhos risonhos: -E' o meu regulador. Não pára nunca, a menos que tu ... E, beijando-lhe as mãos, ia para dizer-lhe palavras que a maguavam quando, a rir, ella irrompeu muito vermelha : -Ah! bem me parecia ... Por isso é que acórdo agóra tão cedo ! Por isso é que me não chamam mais a preguiçosa ...
E, emquanto eu lhe beijava os dedos ajuntou jocunda : Acertei o meu coração pelo teué elle que me acorda tão cedo e me não deixa dormir mais ...
Por isso ... por isso ... Ah ! bem me parecia ... !