Laus veneris! Romanceiro · Capítulo 25 de 62
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Laus veneris!

Laus Veneris Brusco, lésto, vibra e tine o relogio ... e nada mais.

Em frente, impassiveis, o ceu oculado de estrellas e o mar aflorado de espumas.

O ceu placido, o mar manso ... Será meu coração maior do que elles ambos ?

Sinto muito mais luz dentro em mim, muito mais luz do que existe no ceu porque surges, na minha saudade, viva, núa, palpitante, rindo; e o tumulto do meu coração é bem maior do que o escachoar perenne do oceano. -Porque não vens ? o tempo vôa. Ha duas anciedades irmans : a do moribundo e a do amanteesperar a morte ... esperar a vida.

Que terá acontecido ?

Batem delicadamente á porta tres pancadas - tres. Corro precipitado.

Visões e sonhos Oh ! que cortejo, Deus ! As princezas das terras levantinas tão trariam divicias mais preciosas.

Entra um suavissimo perfume, volatilisa-se, evola-se, toma todos os cantos e a alcova inteira trescala.

Oh ! sensualissimos labios ! bocca aromalissima que apenas um vocabulo disseste, um só, meu nome e a alcova toda ficou cheia da essencia da tua palavra.

Sol nocturno ... e neve ao mesmo tempo e estrellas e rosas ... que promiscuidade de astros e de flores. E' a tua trança loura, são as tuas faces, são teus olhos, é a tua bocca, és tu, emfim, que atravessas, como uma deusa, o limiar do meu retiro, cheio de ancia e de amor.

Meu Deus ! não ha tanta luz nem tanto arôma em minha camara, de manhan, quando abro, ao sol, as portas de par em par.

Oh ! volupia dos olhos ! flamma subtil das lúcidas pupillas, que claridade, que divino extase concentras, qué bemfazejo calor prodigalisas !

Olhos, astros do amor, astros sensuaes que sois meus guias, salve ! salve ! salve !

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