Natal dos tristes V - No orfelinato Romanceiro · Capítulo 48 de 62
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Natal dos tristes V - No orfelinato

+ NO ORPHELINΝΑΤΟ Benção, viatico para a vida ; lagrima, orvalho humano ... nem benção nem lagrima tivestes, orphãos pequeninos. E, como podeis andar no mundo, almas solitarias ? e como desabrochastes, botões cahidos da haste ?

Eil-os todos, vestem roupas iguaes : é o uniforme do anonymato e a solidariedade da desventura como que deu a todos a mesma physionomia. São filhos da mesma mãe - a Caridade.

Vêde como estendem as pequeninas mãos num gesto humilde de quem péde esmola. E que esmola pedem ? a benção e todos os abençoam. Ah ! mas como lhes saberia mais a benção de uma só, se essa não fosse morta, se essa não fosse ingrata !

Para a planta que nasce não ha rega melhor do que o orvalho do ceu nem ha benção como a de mãe.

De onde vieram esses pequeninos ? não sabem.

Illuminuras Vieram da noite, foram apanhados nas sargetas das ruas, nas moutas das estradasuma lufada atirou-os á róda dos expostos. Não têm mãe, não têm pai.

Os pequeninos mamam descuidados ; os que já caminham andam agarrados ás irmans de caridade, os outros brincam; os maiores pensam.

Natal ! a festa das creanças. Jesus nasceu nas palhas mas teve mãe que o beijou, teve mãe que o aqueceu ao seio e aos labios.

Não foi tão grande o teu martyrio, Christo-mesmo junto da cruz tiveste a Dolorosa e esses pequeninos que, abrindo os olhos, nada viram em torno, estendendo os braços nada acharam, enrouqueceram a vagir porque ninguem sahio a acalental-os senão os cães vadios que os lamberam mansamente achandoos gelados ao relento da noite ?

E esses pobresinhos, Jesus ? Entanto brincam e cantam á sombra da arvore do Natal, arvore que appareceu no dia em que nasceste e que fructificou regada pelo teu sangue, arvore santa que deu a cruz, arvore do patrocinio, arvore de Misericordia cuja folhagem abriga todos os desagasalhados.

Natal ! Natal ! E elles nem sabem em que presepe nasceram .

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