Passionarias XII Romanceiro · Capítulo 12 de 62
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Passionarias XII

De onde vêm as lagrimas ? Ha duas versões, curiosa : faze tu mesma a escolha.

Vêm da alma, para uns, para outros, vêm do coração.

A alma venturosa tem o sorriso, que é a luz ; a alma soffredora tem a agonia, que é a tréva.

A noite desfaz-se em orvalho , a melancolia diluese em lagrimas. As flores vivem do rócio nocturno e a poesia desabrocha molhada pelo pranto. Entre uma gotta que roreja a corolla e uma gotta que humedece a palpebra ha a affinidade da origem : ambas baixaram da sombra, em ambas, porém, brilham centelhas : de estrellas, na gotta de orvalho ; de pupillas, na gotta de lagrimas .

Outros dizem : vêm do coração, que é uma clepsydra-relogio sempre a marcar as horas do longo dia e da noite longa, instilla, gotta á gotta, os minútos de magua.

Pela quantidade do teu pranto posso saber quanto por mim soffreste. Dá-me as tuas lagrimas que eu te direi o tempo exacto que me dedicaste.

Achas pequenino o coração para contar tantas lagrimas, pois ouve e guarda esta triste verdade : Mais depressa verás o leito do oceano enxuto do que um coração esteril de lagrimas.

Cada um de nós traz dentro de si a fonte amarga que abebera os olhos e desedenta a alma.

Lagrimas ... Falemos do teu sorriso .

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