Passionarias XVII Romanceiro · Capítulo 17 de 62
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Passionarias XVII

Desde a entrada, como se um grande vento houvesse soprado á noite, desfolhando as lindas rosas, brancas e vermelhas, o saibro do jardim era um tapiz aromal de petalas fanadas.

Que pena tive do rosal despido !

Nem uma rosa, ao menos, numa haste escondida, para ornar e perfumar o lindo collo de minha amada.

Eu contemplava, sentido, aquella devastação, quando o riso, que alegra minha alma, annunciou a presença d'aquella por quem vivo. Vendo-a, tomando-lhe as mãos pequenas, notei que baixava os olhos. Perguntei-lhe, então, mostrando as petalas dispersas : -Que houve aqui ? A noite foi de luar e serena.

Que mãos crueis terão assim desfolhado as lindas rosas ? Ella, sorrindo, estendeu-me as mãos dizendo, corada e meiga : -Aqui as tens : castiga-as ... -E que mal te fizeram as flores inoffensivas ? -Mal nenhum ... Dizem que, perguntando-se á rosa, á medida que se vae desfolhando se o nosso amor não mente, a flor responde e eu ... duvido tanto de ti que, para convencer-me ...

Sacrificaste todas as rosas ... ? -E, ainda assim, não creio no teu amor.

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