Passionarias IX
Para que me seguisse a toda a parte e sempre a protecção da Virgem deste-me a pequenina venéra que trazias, dizendo-me : «Anda sempre com ella porque é benta» . E trago-a e hei de trazel-a sempre porque sinceramente o digo, repetindo as tuas palavras meigas : «E' benta» . E, como não o seria se, continuamente, teus labios ungiam-na de beijos, se, continuamente, a medalhinha estava no baptisterio purificador da tua bocca e morava perto do coração, sobre o altar do teu seio, que é mais puro do que a ara das capellas .
Trago-a e hei de trazel-a sempre commigo, a pequenina venera que trazias, e nenhum amargor me entrará n'alma nem mais a melancolia fará ninho em meu coração, porque tenho, junto ao peito, o escudo onde gravaste , com os teus beijos, o defensivo distico do amor, mais forte do que todos os exorcismos.
Mas. pensas que é a Virgem que me acompanha e me protege ? Não, quem me acompanha e me protege é o teu amor, querida.
Tu é que és a Virgem das minhas orações.
Nas horas de saudade é o teu nome que minh'alma invóca e todas as minhas preces, que as faço de minúto em minúto, enchem-me de uma bemfaseja esperança e de um consolo benefico mas, não são feitas á Virgem, nem á medalhinha santa : são feitas ao meu amor, a ti, sacrario de minh'alma, senhora e dona do meu ser, porque és tú que me dás o sorriso - e o ceu, que tanto ambiciono, não será a Virgem que m'o dará, senão tu minha muito adorada.
Entretanto, para obedecer-te, trago e hei de trazer sempre commigo a pequenina vénera que trazías.