—Anotações do silêncio—
Acho que estou aprendendo
a me comunicar
com o silêncio.
Estou entendendo
nas linhas vazias
o que falta
nas entrelinhas.
Tenho aprendido
a ouvir com a alma
o que a boca
não fala,
mas,
numa pausa
um pouco mais longa,
suspira.
Tenho ouvido
o batimento,
quando a mão
hesita.
Tenho permanecido,
mesmo que nada
seja favorecível.
E acredito
no que vivemos,
ainda que
não tenhamos vivido.
A vida
tem continuado
e, mesmo
o que parece “nada”,
revela algo
no íntimo.
Algo
que faz diferença
pra mim.
Você nunca me fala:
“Não se afasta!”…
mas eu sinto.
E quando te falo
que preciso…
mas demonstro
todos os dias,
que não consigo.
Há algo
que não supera
a falta,
algo que vem
aprendendo
a manter
a calma.
E eu tenho aprendido
contigo…
Não no meu tempo,
mas no tempo
que for preciso.
MarU
—Chama coração—
Seu coração
é joia rara,
que ama
e doa-se
em brilho luminescente
como nenhum outro.
Seu coração
é chama viva,
que vem acender
o escuro,
aquecer
o dia chuvoso,
secar
todas as lágrimas,
prover conforto,
verter
poesia.
Seu coração
tem a batida
da vida,
que convida
à dança,
que anima
a alma
que brinca,
como criança.
Trazendo alegria,
cativa
a quem vê
em seus olhos
o brilho
do verde oceano,
esperança marítima,
encanto cigano,
odalisca,
entardecer.
MarU
—Amor é…—
Dizem,
que amar
também é deixar ir.
…
mas
quando é amor
de verdade,
ainda que parta,
te parta,
se parta…
não se apartará de ti.
Amor de verdade,
permanece na gente
até o final.
MarU
—Me beija—
Com os olhos,
me beija
demorado!
Passa seu olhar
por mim,
encarando
meus lábios.
Mira
minha boca,
molhada
e sedenta.
Imagina
o sabor
da minha saliva.
A textura
da minha língua,
acariciando a sua,
boca adentro.
Sente,
em pensamento.
Entorpecida
no meu hálito
de desejo.
Invade minha boca,
me beija!
Se insira,
olhar adentro.
Me mira!
Me beija!
MarU
Em homenagem ao 06 de Julho que é o dia Mundial do beijo.
—Ventos de partida—
Deixei o vento
passar por mim.
Em pele nua,
à luz da lua,
o reflexo clarim.
No vento,
sabor de maresia
e aroma de Oceania.
A noite queimava
e ardia
dentro de mim.
O frescor
do vento norte,
traz no pensamento
um sentimento forte,
que insiste
e não me deixa
esquecer de ti.
Com ele,
me deparo comigo
e tudo
que não te digo,
mas insisto
em não deixá-lo partir.
Hoje,
o vento frio
sussurrou ao meu ouvido,
que tudo
que tenho sentido,
enterrarei
nas areias
dentro de mim.
Soprarei
pra você
um sentido.
Darei pra você
o motivo
e o deixarei
ir-se daqui.
Um dia,
talvez
o vento te conte,
que segui…
mas nem de longe
esqueci
o que senti.
MarU
—Tempestade—
E o vento
sopra
saudades.
Vejo as nuvens
de tempestade,
de novo,
sinto estremecer
por dentro,
de frio,
e me acolho.
E quando
o vento chega,
dança
em meus cabelos
soltos.
Com o vento,
embalo
meu corpo
e o sigo,
dançando
de novo.
Vejo os raios
na tempestade
e não me assusto.
As cores
das nuvens
fazem o dia
escuro,
mas eu
acho bonito.
É tarde,
admito…
mas ficarei,
mais um pouco.
Não espero
mais nada,
não culpo
o universo.
Apenas sinto,
sentada aqui…
e me permito.
Observo,
aprecio
e me acolho.
A tempestade
vai passar
e eu
me molho.
MarU
—Sin que me veas—
La boca no habla,
la palabra escrita
no me revela nada,
creo ficciones
en mi cabeza.
Ya no sé
si vivo soñando despierta,
o si morí durmiendo,
en un sueño
y ni lo advierta.
Como alma en pena,
me quedé parada frente a vos,
y no hay nada que haga,
que sea bastante
para que me veas.
Quizás, emocionada…
yo estuviera equivocada,
y confundí el sentimiento
con cualquier otra cosa
que no sea la misma.
Con la cabeza baja,
me aparto de tu camino,
sintiéndome humillada,
por mí misma…
y me retiro.
La boca que calla,
habla más que mil palabras…
y yo lo siento.
Sobre todo,
que perdí a mi amigo.
MarU
—Meu céu—
No meio da tarde,
parei para respirar,
olhei para o céu…
como eu,
no fundo azul,
entre nuvens brancas,
algumas escuras.
Anunciarão
tempestade?
No peito o aperto
e o desejo:
que não venha agora…
mais tarde.
MarU
—Mãe de carga—
Então…
ventava lá fora,
estava escuro
e fazia frio.
A lua penitente
com benevolência
projetava sua luz
e por alguns dias,
iluminava o caminho.
Ela estava cansada
e segurava a mão
um filho.
Ela estava determinada
a encontrar segurança
e abrigo.
A Terra girava,
o sol a açoitava
nos dias,
as noites
o frio.
Ela não tinha nada,
mas sempre encontrava
um jeito
de resistir
e seguiu.
Uma mulher
com coragem
encara a dor
com amor
e faz o milagre
possível.
Caminhando
passo a passo,
hora sangrando,
hora sorrindo.
Seu caminho
é escolha e
é difícil…
mas guia-se
pelo que vê
de mais bonito:
O filho.
Se falar
que não precisa de nada,
está errada!
Precisa apenas
do amor,
para completar
o que era vazio.
MarU