II - O Herói
O herói
AO MEU QUERIDO ARNALDINHO
César era o denodo em miniatura,
um lindo valentão!
Sem luz corria qualquer sala escura...
Era em tudo o ideal da travessura,
mas... que bom coração!
Depois de febre atroz, disse ao menino
um dia o bom doutor:
— Basta de xaropadas e quinino,
banhos do mar agora, e fica fino
o meu traquinas mór.
Eis César jubiloso; o dia inteiro
cantou, sem descansar:
foi com o papá comprar, por bom dinheiro,
um fatinho gentil de marinheiro,
e levaram-no ao mar.
Em frente à movediça imensidade
eil-o... a tremer também,
mas reagiu e disse: Que vontade
tinhá de mergulhar, isso é verdade,
mas, não me sinto bem...
Puderam convencê-lo a muito custo
a deixar-se despir;
mas quando o ergueu o bíceps robusto
do banhista, ficou hirto de susto,
e quase a sucumbir.
Entrava então um grupo de rapazes
no mar, levando um cão
feio, magro, a morrer e pertinazes
tentavam afogá-lo. Eram capazes
de tudo. Que aflição!
Abraçado à mamã, envergonhado,
o anginho, com terror
olhava para o mar encapelado,
mas, reparou no bárbaro attentado
e murmurou: Que horror!
Deu um grito, e fugindo inconsciente
aos braços da mamã,
entrou no mar correndo e incontinenti
furtou à morte a vítima fremente
com denodado afã.
E de pé, todo envolto em branca espuma,
inundado de luz,
deixou passar as vagas uma a uma,
sem recuar um passo, porque, em suma,
o amor do bem seduz.
Pôs em fugida os maus uma criança
com um sereno olhar!!
E quando César viu a vaga mansa
beijar-lhe os pés em festival bonança
disse: Eu te adoro ó mar!