XXII - O Ramo Verde Contos Infantis em Verso e Prosa · Capítulo 22 de 60
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XXII - O Ramo Verde

O ramo verde

A MEU PRIMINHO HERÁCLITO LUDOVICE

Frederico era estouvado,

não aceitava conselhos;

ria e zombava, coitado!

das sábias lições dos velhos.

Sophia, meiga criança,

era o contraste perfeito

do irmão, uma pomba mansa

sem o mais leve defeito.

Dera o papá aos pequenos

dois canteiros bem plantados,

em tudo iguais; mas em menos

de um mês estavam mudados.

O de Sophia, que encantos!

tinha fartura de rosas,

cravos, baunilha, agapantos,

e violetas perfumosas.

No outro havia mamona,

urzes, trifólios, urtigas

e uns restos de manjerona

já roída das formigas.

Foram à tarde a passeio

ao jardim os dois; Sophia

colhia rosas; em meio

disse ao irmão: — «Que alegria

é dar à mamã um ramo

das minhas amadas flores!

a sua alcova embalsamo

e alcanço beijos, e amores!

— Dás-me esta rosa encarnada,

Sophia, para o seu cabelo?»

— Dou, mas não levas mais nada.

Corrige o teu desmazelo.

Trabalha, meu preguiçoso!

Diz o papá que só perde

pão e honra o ocioso.

Se pões pé em ramo verde,

ficarás sem ter emenda!

— Tens graça, linda agoureira;

vais ver, minha doce prenda,

se a sentença é verdadeira.»

Disse, e subiu apressado

à verde acácia frondosa,

e lá, de um ramo delgado,

gritou à irmã receosa:

— Não vês o ramo... sensata?

o pisá-lo não me aterra...

Mal acabava a bravata,

partiu-se o ramo, ei-lo em terra.

Na queda quebrou um braço,

Sophia teve um fanico...

Mas... deixou de ser madraço

o pequeno Frederico.

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