XXXI - O Rubim Contos Infantis em Verso e Prosa · Capítulo 31 de 60
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XXXI - O Rubim

O rubim

À MINHA AMIGUINHA JULIETA CUNHA

— Vamos querida Regina,

anda um pouco mais ligeira!

— Mamã, é que a Rosalina

está procurando a pulseira,

que tem rubis, e eu não posso

sair sem ela a passeio;

deu-me o papá e eu receio

desgostá-lo.

— Que alvoroço!

Pois tu queres mais adornos?

Já te não basta a brancura

dos braços e a graça pura

de teus suaves contornos?

Olha, meu anjo, mais brilha

que o ouro a graça. A caminho.

Num gracioso carrinho

sentaram-se mãe e filha.

Era uma tarde encantada!

As duas como esquecidas,

olhavam embevecidas

para a terra em céu transformada.

Parou o carro um instante,

Regina ergueu-se de um salto

e viu... (Deus que sobressalto!)

um gatinho agonizante

sobre os trilhos! Gil, cuidado,

enxota o pobre bichinho

ou trá-lo aqui, coitadinho,

que pode ser esmagado.

— Está quase a morrer, não vale

a pena salvá-lo agora;

não pode viver uma hora...

— Faze que o chicote estale...

Não se move... que tormento!...

Regina em plena revolta

insta, braceja... (Dá volta

o carro e parte). Em delírio

a criança inconsciente

atira ao gato a pulseira!...

Então a mamã, contente,

beija muito a feiticeira.

Apanhou-se o bracelete

sem pedras. Ao moribundo

fez Regina um ninho ao fundo

do carro, sobre o tapete.

Cresceu o bichano e agora

chama-se Rubim; é lindo

e tem um amor infindo

a Regina, que o adora.

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