XXIX - Ferrabraz
O Ferrabraz
A MEU SOBRINHO VALENTIM
Tu falas sempre em batalhas
com feras bravas, imensas!
Que enorme terror espalhas,
meu Tinsinho!
— Acaso pensas,
mãezinha, que tenho medo?
Pois vou contar-te uma história,
mas a ti só, que é segredo.
— Guardá-la-ei de memória;
conta lá.
— Eu ia andando
pelo mato, vagaroso,
quando encontrei, passeando,
um elefante horroroso.
Não me assustei, logo, logo,
corri para o elefante,
peguei numa pedra e... fogo;
Matei-o no mesmo instante.
Continuei meu caminho;
ia muito descansado,
quando por trás do moinho
vi um jacaré parado.
Cortei um pau muito grosso
e... com uma só pancada,
zas... separei-lhe o pescoço;
ficou morto.
— Oh! filho!
— Nada,
inda o pior não foi isto;
veio uma serpente enorme
(a maior que tenho visto)
e eu disse à serpente: — Dorme.
Se acordares... — Temos obra!
— Com os meus sapatos, mãezinha,
andei por cima da cobra,
ficou esmigalhadinha.
— Que destemida criança!
Três anos bem empregados!
És uma rolinha mansa,
que mata tigres... pintados.
— Tigres, leões e cabritos,
bois bravos, e bichos feios...
— Conheces bichos bonitos?
— Se conheço! Até, mostrei-os
ontem ao papá: vaquinhas,
carneiros, cavalos, gatos,
canários, galos, galinhas,
papagaios, cães e patos...
— Do que mais gostas, aposto,
é, Tinsinho, do carneiro.
— Pois não é, do que mais gosto...
É... do bicho carpinteiro!