XIII - O Gago Contos Infantis em Verso e Prosa · Capítulo 13 de 60
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XIII - O Gago

O gago

Ia-se pondo o sol. Pelas largas janelas sem cortinas entravam a brilhante claridade vermelha do radioso astro e o perfume penetrante dos festões de rosas-chá.

Recostado nos joelhos da mãe, o pequeno e loiro Ernesto ouvia embevecido umas histórias de princesas encantadas, quando na porta do terraço se destacou o grande vulto sombrio de um vizinho pobre, que ia oferecer à venda umas aves.

O infeliz era gago, e foi com imensa dificuldade que disse:

— Minha senhora... sou muito pobre... vim pedir-lhe que me socorra, comprando-me estas perdizes...

De tal modo gaguejou ele estas palavras, que Ernesto admirado desatou uma gargalhada argentina e fresca.

— Oh! que coisa feia! um homem falando tão mal, que vergonha!

— Cale-se, meu filho! não seja mau... deve ter pena e não rir. Isso é um defeito da natureza, uma infelicidade, a que qualquer de nós está sujeito. Ouça-o com caridade... respeite a desgraça, meu anjo.

Voltando-se para o velho, a senhora mandou-o continuar, mas o pobre homem envergonhado sentia cada vez mais tardia a fala e não pôde articular um som. Por fim fez um esforço e a muito custo balbuciou: — não posso! Saltaram-lhe as lágrimas e Ernesto então comovido correu para ele e, estendendo-lhe os bracinhos, murmurou com meiguice:

— Perdoe-me!

Bendito seja aquele que repara o mal que fez, pois fiquem certos, meninos, que em vez de humilhar-se, eleva-se quem pede perdão para lavar a consciência de uma culpa!

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