XXXIV - Os Ingratos Contos Infantis em Verso e Prosa · Capítulo 34 de 60
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XXXIV - Os Ingratos

Os Ingratos

De Luiz Ratisbonne

A MEU PRIMINHO E AFILHADO ARNALDO COSTA

— Mamãe, dizia Edgard, as aves são cruéis!

Todos os dias eu lhes dou, sem me esquecer,

migalhinhas de pão.

Elas, muito depressa, acabam de comer,

e ei-las a voar, por campos e vergéis:

Vê tu que ingratidão!

Assim as andorinhas,

louquinhas!

que, no estio, se aninham no telhado,

se chega o frio, fogem sem cuidado,

nem pena dos que ficam.

— Tens razão:

mas são aves, bem sabes: têm perdão.

Há nesta vida ingratos,

a quem damos amparo, amor, conselho e nome;

que vêm ao nosso lar comer em nossos pratos,

e fogem sem saudade, assim que não têm fome.

Esses, sim, são os maus; e não as andorinhas.

Ingrato é o homem, só. Enluta as nossas casas

sem que tenha, contudo, a desculpa das asas.

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