XLVI - Amor de Criação Contos Infantis em Verso e Prosa · Capítulo 46 de 60
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XLVI - Amor de Criação

Amor de Criação

AO MEU AMIGUINHO ACHILLES VAREJÃO

Henrique era um menino inteligente,

bondoso e cismador;

tinha a seus pais uma afeição ardente,

e também consagrava um grande amor

àquela que o criara e a quem, anjinho,

dera o singelo nome de Babá.

Um dia essa mulher, sem um carinho,

deixou a criancinha, foi-se embora...

indiferente, má.

Henrique, em mágoa imerso, grita, chora:

— Meu Deus, onde te escondes? que maldade!

não tens pena de mim?

Secou-lhe o pranto amargo da saudade

o amor dos pais.

Enfim

o pequenito, alegre, descuidado,

saíra a passear

dando a mão ao papai; mas de improviso

para, fica um momento embaraçado,

estático, indeciso...

— Que tens, filho? — Papai, espere, fique

parado, sim? — Mas onde vai, criança?!

— Vê aquele soldado além, pois não?

vou cumprimentar;

quero tratá-lo bem, tenho esperança

que ele goste de mim, e, se algum dia

encontrar a Babá, perdida, à toa,

por pena e compaixão,

a leve à nossa casa. Que alegria

quando a mamãe disser que lhe perdoa,

quando ela me beijar!

Como sabia esta criança amar!

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