IV - Meiguice Contos Infantis em Verso e Prosa · Capítulo 4 de 60
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IV - Meiguice

Meiguice

A MINHA PRIMA E AFILHADA ESTHER MACHADO

Deram à linda Clarisse

uma galinha mimosa

tão branca, tão carinhosa,

tão engraçada, tão mansa,

que a encantadora criança

pôs-lhe o nome de — Meiguice.

Tinha bom leite ao almoço

e biscoitos e bolinhos;

dormia em sedas e arminhos,

e ronronava fagueira

quando sentia a coleira,

de fita azul no pescoço.

Clarisse amava de veras

a bichinha cor de neve,

e a gata, nervosa e leve,

adorava a pequenita;

e tinham graça infinita,

estas amigas sinceras!

Veio Raul, o mais louro

e traquinas dos rapazes,

forte e audaz entre os audazes.

fanfarrão e desordeiro;

correu a casa ligeiro

indo encontrar o tesouro,

a doce e branca Meiguice

deitada comodamente

na cama fofinha e quente

da prima, e gritou: — Que vejo?

um bicho tão malfazejo,

sobre o leito de Clarisse!

E zas, suspendeu a gata

pela coleira de fita,

atirou a pobrezita,

ao jardim e satisfeito,

foi contar o heroico feito

à priminha.

Na cascata

debatia-se Meiguice

miando, fria, transida,

a morrer.

O gaticida

sentiu remorso pungente

ao ver o pranto tremente

no olhar azul de Clarisse;

e... correndo denodado,

deitou-se ao lago profundo,

(dois palmos d’água); do fundo

tirou Meiguice e ofegante

disse em tom dilacerante:

— Salvei-a!

Estou perdoado?!

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