LIV - O Óleo de Rícino
O Óleo de Rícino
A MINHA AMIGUINHA ANNALINA DE CARVALHO
Um dia estava Alzira bem doente.
Para curá-la o médico dissera,
que lhe dessem, mas imediatamente
de rícino (que horror!)
uma ou duas colheres. Quem pudera
poupar a Alzira o grande sacrifício!
Mas era necessário. — Meu amor,
vais beber este óleo; o benefício
que te fará, é enorme, nem calculas.
— Bebes, sim? — Não, mamãe, não bebo nada;
o que posso tomar, é... limonada.
— E se eu provar também?
não custa nada, vê, tu atribulas
a mamãe; vamos lá; quando acabares,
se procederes bem,
eu dou-te uma pastilha. — Quero duas.
— Pois bem, terás três. — Não.
— Filha coragem! olha, se tomares
este remédio, irei, dá-me atenção,
comprar-te uma boneca.
— Não das nuas...
Quero que tenha roupa e chapéuzinho.
— Pois sim, bebe.
— Isso não!... não pode ser...
não bebo, é escusado!
— Meu anjinho
matas a tua mãe, pois tu não queres
que eu tenha mais um dia de prazer?...
Que mais te falta p'ra te convenceres
que me estás torturando? — E o pranto ardente
correu-lhe pelas faces.
Lentamente
Alzira toma o copo, que continha
o óleo repugnante, e, caladinha,
bebeu-o, sem fazer uma careta!
Beijou-a então a mãe, na mais completa
alegria, e a sorrir:
— Anjo querido!
como te adoro! Agora está sabido
que não era tão mau como julgavas...
— Oh! sim, mamãe, bem mau! mas... tu choravas!