Cooperação
A produção capitalista só começa efetivamente, como vimos, quando o mesmo capital individual emprega simultaneamente um número maior de trabalhadores, de modo que o processo de trabalho amplia sua extensão e fornece produtos numa escala quantitativa mais elevada. A atuação de um número maior de trabalhadores ao mesmo tempo, no mesmo espaço (ou, se quisermos, no mesmo campo de trabalho), para produzir a mesma espécie de mercadoria sob o comando do mesmo capitalista, constitui, histórica e conceitualmente, o ponto de partida da produção capitalista. No que diz respeito ao próprio modo de produção, a manufatura em seus começos, por exemplo, praticamente não se distingue da produção artesanal organizada em corporações de ofício senão pelo número maior de trabalhadores empregados ao mesmo tempo pelo mesmo capital. A oficina do mestre da corporação de ofício apenas se expandiu.
A diferença é, portanto, a princípio, puramente quantitativa. Vimos que a massa de mais-valor produzida por determinado capital é igual ao mais-valor fornecido pelo trabalhador individual multiplicado pelo número de trabalhadores empregados simultaneamente. Esse número, por si só, não modifica a taxa de mais-valor ou o grau de exploração da força de trabalho e, no que se refere à produção de valor das mercadorias em geral, toda mudança qualitativa do processo de trabalho parece indiferente. Isso decorre da natureza do valor. Se uma jornada de doze horas se objetiva em seis xelins, 1.200 jornadas iguais se objetivam em 6 xelins × 1.200. Num caso, incorporam-se aos produtos 12 × 1.200 horas de trabalho; no outro, doze horas. Na produção de valor, muitos contam apenas como muitos indivíduos isolados. Para a produção de valor, portanto, tanto faz que 1.200 trabalhadores produzam separadamente ou reunidos sob o comando do mesmo capital.
Entretanto, dentro de certos limites, ocorre uma modificação. O trabalho objetivado em valor é trabalho de qualidade social média, portanto manifestação de uma força de trabalho média. Uma grandeza média só existe, porém, como média de numerosas grandezas individuais diferentes da mesma espécie. Em cada ramo industrial, o trabalhador individual, Pedro ou Paulo, se afasta mais ou menos do trabalhador médio. Essas diferenças individuais, matematicamente denominadas “erros”, compensam-se e desaparecem tão logo se reúnem números maiores de trabalhadores. O célebre sofista e adulador Edmund Burke pretende saber, inclusive por sua experiência prática como arrendatário, que já “num pelotão tão pequeno” de cinco trabalhadores agrícolas desaparece toda diferença individual entre os trabalhos; assim, quaisquer cinco trabalhadores agrícolas ingleses na idade adulta, tomados em conjunto, realizariam no mesmo tempo exatamente tanto trabalho quanto quaisquer outros cinco.8 Seja como for, está claro que a jornada total de trabalho de um número maior de trabalhadores empregados simultaneamente, dividida pelo número de trabalhadores, constitui, em si mesma, uma jornada de trabalho social médio.
Suponhamos, por exemplo, que a jornada individual seja de doze horas. A jornada de doze trabalhadores empregados ao mesmo tempo constitui, assim, uma jornada total de 144 horas;E1 e, embora o trabalho de cada um dos doze se afaste mais ou menos do trabalho social médio, embora cada um precise de um pouco mais ou um pouco menos de tempo para a mesma operação, a jornada de cada indivíduo, como um duodécimo da jornada total de 144 horas, possui a qualidade de trabalho social médio. Para o capitalista que emprega uma dúzia, porém, a jornada de trabalho existe como a jornada total da dúzia. A jornada de cada indivíduo existe como parte alíquota dessa jornada total, independentemente de os doze trabalharem em ajuda mútua ou de toda a conexão entre seus trabalhos consistir simplesmente em trabalharem para o mesmo capitalista.
Se, em contrapartida, cada dois dos doze trabalhadores forem empregados por um pequeno mestre, será obra do acaso que cada mestre individual produza a mesma massa de valor e, portanto, realize a taxa geral de mais-valor. Haveria desvios individuais. Se um trabalhador consumisse na produção de uma mercadoria um tempo consideravelmente maior que o socialmente exigido, se seu tempo de trabalho individualmente necessário divergisse muito do socialmente necessário ou do tempo de trabalho médio, seu trabalho não contaria como trabalho médio, nem sua força de trabalho como força de trabalho média. Esta não seria vendida de modo algum, ou só seria vendida abaixo do valor médio da força de trabalho. Pressupõe-se, portanto, um mínimo determinado de habilidade laboral, e veremos mais adiante que a produção capitalista encontra meios de medir esse mínimo. Apesar disso, o mínimo difere da média, embora, por outro lado, deva ser pago o valor médio da força de trabalho. Entre os seis pequenos mestres, portanto, um obteria mais, outro menos, que a taxa geral de mais-valor. As desigualdades se compensariam para a sociedade, mas não para o mestre individual. A lei da valorização em geral só se realiza plenamente para o produtor individual quando ele produz como capitalista, emprega simultaneamente muitos trabalhadores, isto é, põe em movimento, desde o início, trabalho social médio.9
Mesmo quando o modo de trabalhar permanece inalterado, o emprego simultâneo de um número maior de trabalhadores produz uma revolução nas condições materiais do processo de trabalho. Edifícios em que muitos trabalham, depósitos de matérias-primas etc., recipientes, instrumentos, aparelhos etc. que servem a muitos simultânea ou alternadamente (em suma, uma parte dos meios de produção) passam agora a ser consumidos conjuntamente no processo de trabalho. Por um lado, o valor de troca das mercadorias e, portanto, também dos meios de produção, não aumenta de maneira alguma pelo aumento da utilização de seu valor de uso. Por outro lado, cresce a escala dos meios de produção empregados em comum. Uma sala em que trabalham vinte tecelões com seus vinte teares precisa ser mais ampla que a sala de um tecelão independente com dois oficiais. Entretanto, produzir uma oficina para vinte pessoas custa menos trabalho que produzir dez oficinas para duas pessoas cada;E4 assim, em geral, o valor dos meios de produção concentrados em grande massa e empregados conjuntamente não aumenta em proporção à sua extensão e ao seu efeito útil.
Os meios de produção consumidos em conjunto cedem uma parcela menor de valor a cada produto, em parte porque o valor total que cedem se distribui simultaneamente por uma massa maior de produtos, em parte porque ingressam no processo de produção com um valor absoluto maior, porém relativamente menor, em comparação com meios de produção empregados separadamente, quando se leva em conta sua esfera de atuação. Com isso diminui um componente de valor do capital constante e, proporcionalmente à grandeza desse componente, também o valor total da mercadoria. O efeito é o mesmo que ocorreria se os meios de produção fossem fabricados a menor custo. Essa economia na aplicação dos meios de produção decorre exclusivamente de seu consumo comum no processo de trabalho de muitos trabalhadores. E esses meios adquirem o caráter de condições do trabalho social, ou de condições sociais do trabalho, em oposição aos meios de produção fragmentados e relativamente caros dos trabalhadores independentes isolados ou dos pequenos mestres, mesmo quando os muitos trabalhadores estão apenas reunidos espacialmente, sem trabalhar uns com os outros. Uma parte dos meios de trabalho adquire esse caráter social antes de o próprio processo de trabalho adquiri-lo.
A economia dos meios de produção deve, em geral, ser considerada sob dois pontos de vista. Primeiro, na medida em que barateia as mercadorias e, por isso, reduz o valor da força de trabalho. Segundo, na medida em que altera a relação do mais-valor com o capital total adiantado, isto é, com a soma dos valores de seus componentes constante e variável. O último ponto só será tratado na primeira seção do Livro III desta obra, para onde, por motivos de conexão, remetemos também algumas questões que já caberiam aqui. O curso da análise exige essa separação do assunto, que ao mesmo tempo corresponde ao espírito da produção capitalista. Como, nesse caso, as condições de trabalho se contrapõem ao trabalhador de maneira independente, a economia dessas condições aparece também como operação particular, que nada lhe diz respeito e, por isso, fica separada dos métodos que elevam sua produtividade pessoal.
Chama-se cooperação a forma de trabalho em que muitos atuam planejadamente lado a lado e em conjunto, no mesmo processo de produção ou em processos diferentes, porém interligados.10
Assim como a força ofensiva de um esquadrão de cavalaria ou a força de resistência de um regimento de infantaria difere essencialmente da soma das forças ofensivas e defensivas desenvolvidas por cada cavaleiro ou soldado de infantaria tomado isoladamente, também a soma das forças mecânicas dos trabalhadores isolados difere da potência de força social que surge quando muitas mãos atuam simultaneamente na mesma operação indivisa, por exemplo, ao levantar um peso, girar uma manivela ou remover um obstáculo.11 Nesse caso, o efeito do trabalho combinado não poderia ser produzido de modo algum pelo trabalho isolado, ou somente em períodos muito mais longos, ou numa escala diminuta. Trata-se aqui não apenas de elevar a força produtiva individual pela cooperação, mas de criar uma força produtiva que tem de ser, em si mesma, uma força de massa.11a
À parte a nova potência que nasce da fusão de muitas forças numa força total, na maioria dos trabalhos produtivos o simples contato social gera emulação e uma excitação própria dos ânimos vitais (animal spirits), elevando a capacidade individual de rendimento dos participantes. Assim, uma dúzia de pessoas reunidas numa jornada simultânea de 144 horasE5 fornece um produto total muito maior que doze trabalhadores isolados, cada qual trabalhando doze horas, ou que um trabalhador que trabalhe doze dias consecutivos.12 Isso decorre de que o ser humano é, por natureza, se não um animal político, como pensa Aristóteles,13 pelo menos um animal social.
Embora muitos executem simultaneamente o mesmo trabalho ou tarefas semelhantes, o trabalho individual de cada um pode, ainda assim, representar fases diferentes do próprio processo total de trabalho, que o objeto de trabalho atravessa mais rapidamente em virtude da cooperação. Se, por exemplo, pedreiros formam uma corrente de mãos para transportar tijolos da base de um andaime até o alto, cada qual faz a mesma coisa. Entretanto, cada uma dessas operações constitui uma parte contínua da operação total, uma fase particular que cada tijolo precisa percorrer no processo de trabalho, de modo que as cerca de 24 mãos do trabalhador coletivo o transportam mais depressa do que as duas mãos de cada trabalhador individual que tivesse de subir e descer o andaime.14 O objeto de trabalho percorre o mesmo espaço em menos tempo. Por outro lado, ocorre uma combinação de trabalhos quando, por exemplo, uma construção é atacada simultaneamente por vários lados, embora os cooperadores executem o mesmo trabalho ou tarefas semelhantes. A jornada combinada de 144 horas, que atua sobre o objeto de trabalho de muitos lados no espaço, porque o trabalhador combinado, ou trabalhador coletivo, tem olhos e mãos na frente e atrás e dispõe, até certo ponto, de onipresença, faz avançar o produto total mais rapidamente do que doze jornadas de doze horas realizadas por trabalhadores mais ou menos isolados, obrigados a abordar a obra de modo mais unilateral. Diferentes partes espaciais do produto amadurecem ao mesmo tempo.
Destacamos que muitos trabalhadores se complementam ao executar o mesmo trabalho ou tarefas semelhantes porque essa forma mais simples do trabalho em comum também desempenha um papel importante na forma mais desenvolvida da cooperação. Se o processo de trabalho é complicado, a simples massa dos trabalhadores reunidos permite distribuir operações diferentes entre mãos diferentes, executá-las simultaneamente e, assim, abreviar o tempo de trabalho necessário para produzir o produto total.15
Em muitos ramos de produção, existem momentos críticos, isto é, períodos determinados pela própria natureza do processo de trabalho durante os quais precisam ser alcançados certos resultados. Se, por exemplo, é preciso tosquiar um rebanho de ovelhas ou ceifar e colher os cereais de determinada área, a quantidade e a qualidade do produto dependem de a operação começar e terminar em determinado momento. O período que o processo de trabalho pode ocupar já está prescrito, como ocorre na pesca do arenque. De um dia, o indivíduo isolado só pode extrair uma jornada de trabalho, digamos de doze horas, mas a cooperação de cem trabalhadores transforma, por exemplo, um dia de doze horas numa jornada de trabalho de 1.200 horas. A brevidade do prazo de trabalho é compensada pela grande massa de trabalho lançada sobre o campo de produção no momento decisivo. O efeito alcançado no momento certo depende, nesse caso, do emprego simultâneo de muitas jornadas combinadas; a extensão do efeito útil depende do número de trabalhadores, que, todavia, é sempre menor do que o número de trabalhadores que, atuando isoladamente durante o mesmo período, teriam de ocupar o mesmo campo de ação.16 É por falta dessa cooperação que, todos os anos, grande quantidade de cereais é desperdiçada no oeste dos Estados Unidos, e grande quantidade de algodão nas regiões das Índias Orientais onde o domínio inglês destruiu a antiga comunidade.17
De um lado, a cooperação permite ampliar a esfera espacial do trabalho e, por isso, é exigida pela própria conexão espacial do objeto de trabalho em determinados processos, como drenagem de terrenos, construção de diques, irrigação, canais, estradas, ferrovias etc. De outro lado, possibilita estreitar espacialmente a área de produção em proporção à escala produtiva. Essa restrição da esfera espacial do trabalho, acompanhada da ampliação de sua esfera de ação e pela qual se economiza uma massa de despesas improdutivas (faux frais), resulta da aglomeração dos trabalhadores, da aproximação de processos de trabalho diferentes e da concentração dos meios de produção.18
Comparada com uma soma igual de jornadas individuais isoladas, a jornada combinada produz massas maiores de valor de uso e reduz, portanto, o tempo de trabalho necessário à produção de determinado efeito útil. Em cada caso, pode obter essa força produtiva aumentada porque eleva a potência mecânica do trabalho, amplia sua esfera de ação espacial ou estreita a área espacial de produção relativamente à escala produtiva; porque põe em movimento muito trabalho em pouco tempo no momento crítico; porque estimula a emulação dos indivíduos e intensifica seus ânimos vitais; porque imprime às tarefas semelhantes de muitos trabalhadores o caráter de continuidade e atuação por vários lados; porque executa operações diferentes simultaneamente; porque economiza meios de produção mediante seu emprego comum; ou porque confere ao trabalho individual o caráter de trabalho social médio. Em quaisquer dessas circunstâncias, a força produtiva específica da jornada combinada é a força produtiva social do trabalho, ou força produtiva do trabalho social. Ela nasce da própria cooperação. Na colaboração planejada com outros trabalhadores, o trabalhador se liberta de suas limitações individuais e desenvolve a capacidade própria de sua espécie.19
Se os trabalhadores em geral não podem colaborar diretamente sem estar reunidos, de modo que sua concentração em determinado espaço é uma condição de sua cooperação, os trabalhadores assalariados não podem cooperar sem que o mesmo capital, o mesmo capitalista, os empregue ao mesmo tempo e, portanto, compre suas forças de trabalho simultaneamente. O valor total dessas forças de trabalho, ou a soma dos salários dos trabalhadores por dia, por semana etc., precisa, por isso, estar reunido no bolso do capitalista antes que as próprias forças de trabalho sejam reunidas no processo de produção. Pagar trezentos trabalhadores de uma vez, mesmo que por um único dia, exige um desembolso de capital maior do que pagar poucos trabalhadores, semana após semana, durante o ano inteiro.E8 O número de trabalhadores que cooperam, ou a escala da cooperação, depende, portanto, em primeiro lugar, da grandeza do capital que o capitalista individual consegue desembolsar para comprar força de trabalho, isto é, da extensão do poder que um capitalista tem sobre os meios de subsistência de muitos trabalhadores.
O que vale para o capital variável vale igualmente para o capital constante. O capitalista que emprega trezentos trabalhadores desembolsa com matérias-primas, por exemplo, trinta vezes o que desembolsa cada um dos trinta capitalistas que empregam dez trabalhadores. A extensão do valor e a massa material dos meios de trabalho usados em conjunto não crescem na mesma proporção que o número de trabalhadores empregados, mas crescem consideravelmente. A concentração de massas maiores de meios de produção nas mãos de capitalistas individuais constitui, assim, condição material para a cooperação de trabalhadores assalariados; e a extensão dessa cooperação, ou a escala da produção, depende da extensão daquela concentração.
Originalmente, determinada grandeza mínima do capital individual apareceu como necessária para que o número de trabalhadores explorados ao mesmo tempo (e, portanto, a massa de mais-valor produzida) bastasse para liberar o próprio empregador do trabalho manual, transformar um pequeno mestre em capitalista e, assim, estabelecer formalmente a relação de capital. Essa grandeza mínima aparece agora como condição material para transformar muitos processos de trabalho individuais dispersos e independentes entre si num processo de trabalho social combinado.
Da mesma maneira, o comando do capital sobre o trabalho surgiu originalmente apenas como consequência formal de o trabalhador trabalhar para o capitalista e, portanto, sob suas ordens, em lugar de trabalhar para si mesmo. Com a cooperação de muitos trabalhadores assalariados, o comando do capital desenvolve-se como requisito para a execução do próprio processo de trabalho, como verdadeira condição de produção. A ordem do capitalista no campo da produção torna-se agora tão indispensável quanto a ordem do general no campo de batalha.
Todo trabalho diretamente social ou coletivo em escala maior exige, em maior ou menor medida, uma direção que estabeleça a harmonia entre as atividades individuais e desempenhe as funções gerais decorrentes do movimento do organismo produtivo total, em contraste com o movimento de seus órgãos independentes. Um violinista isolado rege a si mesmo; uma orquestra precisa de um regente. Essa função de direção, vigilância e mediação torna-se uma função do capital assim que o trabalho a ele subordinado se faz cooperativo. Como função específica do capital, a direção adquire características específicas.
Em primeiro lugar, o motivo propulsor e a finalidade determinante do processo capitalista de produção são a maior autovalorização possível do capital,20 isto é, a maior produção possível de mais-valor, portanto a maior exploração possível da força de trabalho pelo capitalista. À medida que cresce a massa de trabalhadores empregados simultaneamente, cresce sua resistência e, com ela, necessariamente, a pressão do capital para vencer essa resistência. A direção do capitalista não é apenas uma função especial que decorre da natureza do processo social de trabalho e a ele pertence; é ao mesmo tempo função da exploração de um processo social de trabalho e, portanto, é condicionada pelo antagonismo inevitável entre o explorador e a matéria-prima de sua exploração. Da mesma maneira, à medida que se amplia a extensão dos meios de produção que se contrapõem ao trabalhador assalariado como propriedade alheia, aumenta a necessidade de controlar seu emprego correto.21 Além disso, a cooperação dos trabalhadores assalariados é mero efeito do capital que os emprega simultaneamente. A ligação entre suas funções e sua unidade como organismo produtivo coletivo estão fora deles, no capital que os reúne e os mantém unidos. A conexão entre seus trabalhos se apresenta a eles, idealmente, como plano; na prática, como autoridade do capitalista, como poder de uma vontade estranha que submete a atividade deles ao objetivo dessa vontade.
Portanto, se a direção capitalista é dúplice quanto ao conteúdo, em razão do caráter dúplice do próprio processo de produção que dirige (de um lado, processo social de trabalho destinado a fabricar um produto; de outro, processo de valorização do capital), ela é despótica quanto à forma. Com o desenvolvimento da cooperação em escala maior, esse despotismo desenvolve formas características. Assim como o capitalista se liberta inicialmente do trabalho manual quando seu capital atinge aquela grandeza mínima com a qual começa a produção propriamente capitalista, ele agora transfere novamente a função da supervisão direta e contínua dos trabalhadores individuais e dos grupos de trabalhadores a uma categoria especial de assalariados. Assim como um exército necessita de oficiais militares, a massa de trabalhadores que coopera sob o comando do mesmo capital precisa de oficiais superiores industriais (diretores, managers) e suboficiais (foremen, overlookers, contre-maîtres, capatazes e supervisores), que comandam em nome do capital durante o processo de trabalho. O trabalho de supervisão consolida-se como sua função exclusiva. Ao comparar o modo de produção de camponeses independentes ou de artesãos autônomos com a economia de plantações fundada na escravidão, o economista político inclui esse trabalho de supervisão entre as despesas improdutivas da produção (faux frais de production).21a Ao examinar o modo de produção capitalista, ao contrário, identifica a função de direção que decorre da natureza do processo de trabalho coletivo com a mesma função, na medida em que esta é condicionada pelo caráter capitalista e, portanto, antagônico do processo.22 O capitalista não é capitalista por ser dirigente industrial; torna-se comandante industrial por ser capitalista. O comando supremo na indústria torna-se atributo do capital, assim como, no período feudal, o comando supremo na guerra e na justiça era atributo da propriedade fundiária.22a
O trabalhador é proprietário de sua força de trabalho enquanto, como vendedor dela, negocia com o capitalista, e só pode vender aquilo que possui: sua força de trabalho individual, isolada. Essa relação não se altera em nada pelo fato de o capitalista comprar cem forças de trabalho em vez de uma, ou de concluir contratos com cem trabalhadores independentes entre si em vez de contratar um único. Ele pode empregar os cem trabalhadores sem fazê-los cooperar. O capitalista paga, portanto, o valor das cem forças de trabalho independentes, mas não paga a força de trabalho combinada dos cem.E14 Como pessoas independentes, os trabalhadores são indivíduos isolados que entram numa relação com o mesmo capital, mas não entre si. Sua cooperação só começa no processo de trabalho; quando, porém, entram nesse processo, já deixaram de pertencer a si próprios. Com seu ingresso, são incorporados ao capital. Como cooperadores, como membros de um organismo produtivo, eles mesmos constituem apenas uma forma particular de existência do capital. A força produtiva desenvolvida pelo trabalhador como trabalhador social é, portanto, força produtiva do capital. A força produtiva social do trabalho se desenvolve gratuitamente assim que os trabalhadores são colocados em determinadas condições, e é o capital que os coloca nessas condições. Como essa força produtiva social do trabalho nada custa ao capital e, por outro lado, não é desenvolvida pelo trabalhador antes de seu próprio trabalho pertencer ao capital, ela aparece como uma força produtiva que o capital possui por natureza, como força produtiva que lhe é imanente.
O efeito da cooperação simples aparece de modo colossal nas obras gigantescas dos antigos povos asiáticos, egípcios, etruscos etc.
“Em tempos passados, depois de pagar suas despesas civis e militares, esses Estados asiáticos encontravam-se na posse de um excedente de meios de subsistência que podiam despender em obras de magnificência e de utilidade. O comando que exerciam sobre mãos e braços de quase toda a população não agrícola e a disposição exclusiva que o monarca e o sacerdócio tinham daquele excedente forneciam-lhes os meios de erguer os poderosos monumentos com os quais encheram o país... No deslocamento das estátuas colossais e das enormes massas cujo transporte desperta admiração, empregou-se, com prodigalidade, quase exclusivamente trabalho humano. Bastaram o número de trabalhadores e a concentração de seus esforços. Vemos, assim, poderosos recifes de coral elevarem-se das profundezas do oceano, transformarem-se em ilhas e formarem terra firme, embora cada organismo depositante individual (depositary) seja diminuto, fraco e insignificante. Além de seus esforços físicos individuais, os trabalhadores não agrícolas de uma monarquia asiática têm pouco a oferecer à obra, mas seu número é sua força, e o poder de direção sobre essas massas deu origem àquelas obras gigantescas. Foi a concentração, em uma só mão ou em poucas mãos, das rendas das quais os trabalhadores vivem que tornou possíveis esses empreendimentos.”23
Esse poder dos reis asiáticos e egípcios, dos teocratas etruscos etc. passou, na sociedade moderna, ao capitalista, quer apareça como capitalista individual, quer, como nas sociedades por ações, como capitalista combinado.
A cooperação no processo de trabalho, tal como a encontramos predominante nos primórdios da civilização humana, entre povos caçadores23a ou, por exemplo, na agricultura de comunidades indianas, baseia-se, de um lado, na propriedade comum das condições de produção e, de outro, no fato de que o indivíduo ainda não se desprendeu do cordão umbilical da tribo ou da comunidade, assim como a abelha individual não se desprendeu da colmeia. Ambos os elementos a distinguem da cooperação capitalista. A aplicação esporádica da cooperação em grande escala no mundo antigo, na Idade Média e nas colônias modernas repousa sobre relações imediatas de dominação e servidão, na maioria das vezes sobre a escravidão. A forma capitalista, ao contrário, pressupõe de antemão o trabalhador assalariado livre, que vende sua força de trabalho ao capital. Historicamente, porém, ela se desenvolve em oposição à economia camponesa e ao ofício artesanal independente, esteja este ou não organizado em corporações de ofício.24 Diante deles, a cooperação capitalista não aparece como forma histórica particular da cooperação, mas a própria cooperação aparece como forma histórica peculiar ao processo capitalista de produção e que o distingue especificamente.
Assim como a força produtiva social do trabalho desenvolvida pela cooperação aparece como força produtiva do capital, a própria cooperação aparece como forma específica do processo capitalista de produção, em oposição ao processo produtivo dos trabalhadores independentes isolados e dos pequenos mestres. É a primeira modificação que o processo real de trabalho sofre com sua subsunção ao capital. Essa modificação se realiza espontaneamente. Sua pressuposição, o emprego simultâneo de um número maior de trabalhadores assalariados no mesmo processo de trabalho, constitui o ponto de partida da produção capitalista. Este coincide com a própria existência do capital. Se, portanto, o modo de produção capitalista se apresenta, de um lado, como necessidade histórica para transformar o processo de trabalho em processo social, de outro lado essa forma social do processo de trabalho se apresenta como método empregado pelo capital para explorá-lo mais lucrativamente por meio da elevação de sua força produtiva.
Na forma simples considerada até aqui, a cooperação coincide com a produção em escala maior, mas não constitui uma forma característica fixa de uma época particular do desenvolvimento do modo de produção capitalista. No máximo, aparece aproximadamente assim nos primórdios ainda artesanais da manufatura25 e em toda espécie de grande agricultura correspondente ao período manufatureiro e que se distingue da economia camponesa essencialmente apenas pela massa de trabalhadores empregados simultaneamente e pela extensão dos meios de produção concentrados. A cooperação simples continua sendo a forma predominante nos ramos de produção em que o capital opera em grande escala sem que a divisão do trabalho ou a maquinaria desempenhem papel importante.
A cooperação permanece a forma fundamental do modo de produção capitalista, embora sua forma simples apareça, ela mesma, como forma particular ao lado de suas formas mais desenvolvidas.
Notas
Nota 8“Sem dúvida existe diferença considerável entre o valor do trabalho de um homem e o de outro, devido à diversidade de força, habilidade e diligência honesta. Mas estou plenamente certo, com base em minha observação cuidadosa, de que quaisquer cinco homens, em seu conjunto, produzem uma quantidade de trabalho igual à de quaisquer outros cinco nas mesmas idades mencionadas. Isto é, entre esses cinco homens haverá um dotado de todas as qualidades de um bom trabalhador, outro será mau trabalhador, enquanto os três restantes serão medianos e se aproximarão do primeiro e do último. Assim, já num grupo tão pequeno de apenas cinco homens se encontrará o conjunto de tudo o que cinco homens podem fazer.” (E. Burke, obra citada, pp. 15–16.) Cf. Quételet sobre o indivíduo médio.
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Nota editorial E1As 144 horas são a soma das horas trabalhadas simultaneamente por doze pessoas: 12 × 12 = 144 horas de trabalho; 144 ÷ 12 = 12 horas por pessoa. A duração da jornada individual permanece em doze horas. A mesma distinção vale para o exemplo anterior: 1.200 jornadas de doze horas somam 14.400 horas de trabalho, representadas por 6 × 1.200 = 7.200 xelins.
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Nota 9O professor Roscher pretende ter descoberto que uma costureira empregada por dois dias pela esposa do professorE2 produz mais trabalho do que duas costureiras empregadas pela esposa do professor no mesmo dia.E3 Que o senhor professor não faça suas observações sobre o processo de produção capitalista no quarto das crianças nem em circunstâncias nas quais falta a personagem principal: o capitalista.
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Nota editorial E2Adota-se aqui a acepção histórica de Professorin como esposa de professor, coerente com o contexto doméstico da nota e com a referência ao quarto das crianças. O vocábulo também tem a acepção de mulher que exerce o magistério superior; o esclarecimento registra a escolha contextual da tradução, sem atribuir identidade à pessoa mencionada. Ver Verbformen, Professorin.
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Nota editorial E3Roscher, Die Grundlagen der Nationalökonomie, 3ª ed., Stuttgart, Augsburg, 1858, pp. 88–89. Referência 102 do apêndice editorial de MEW 23, p. 855, com remissão à p. 343. Não integra a numeração das notas de Marx.
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Nota editorial E4O original apresenta duas comparações sucessivas com bases diferentes. Primeiro, vinte tecelões e vinte teares são comparados a um tecelão independente com dois oficiais de ofício, portanto três pessoas. Em seguida, uma oficina para vinte pessoas é comparada a dez oficinas para duas pessoas cada. A segunda comparação conserva a capacidade total de vinte pessoas; não redefine a composição da primeira. Marx não fornece um custo absoluto de construção nem uma porcentagem de economia.
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Nota 10“Concours de forces” [concurso de forças]. (Destutt de Tracy, obra citada, p. 80.)
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Nota 11“Há numerosas operações de natureza tão simples que não admitem divisão em partes e que, ainda assim, só podem ser executadas pelo esforço conjunto de muitos pares de mãos. Assim acontece ao erguer um grande tronco de árvore sobre um carro... em suma, com tudo aquilo que não pode ser feito sem que numerosos pares de mãos se ajudem mutuamente, ao mesmo tempo, na mesma ocupação indivisa.” (E. G. Wakefield, A View of the Art of Colonization, Londres, 1849, p. 168.)
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Nota 11a“Um homem não consegue erguer o peso de uma tonelada, e dez homens precisam esforçar-se para isso, mas cem homens podem fazê-lo com a força de um só dedo de cada um.” (John Bellers, Proposals for raising a colledge of industry, Londres, 1696, p. 21.)
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Nota editorial E5A jornada combinada de 144 horas soma doze jornadas individuais de doze horas: 12 × 12 = 144 horas de trabalho. A comparação com um trabalhador durante doze dias conserva essa duração de doze horas por dia; os doze dias não equivalem a 144 horas corridas. No exemplo posterior, cem trabalhadores durante doze horas somam 1.200 horas de trabalho. As 24 mãos do exemplo do andaime correspondem à dúzia de trabalhadores, não a 24 trabalhadores. O argumento compara o produto obtido com uma mesma soma de horas, sob formas diferentes de organização.
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Nota 12“Há também” (quando a mesma quantidade de trabalhadores é empregada por um arrendatário em trezentos acres, em vez de por dez arrendatários em trinta acres cada) “uma vantagem no número relativo de criados que não é fácil perceber, a não ser para homens de experiência prática. Dir-se-á naturalmente que 1 está para 4 assim como 3 está para 12, mas isso não se confirma na prática. Durante a colheita e em muitas outras tarefas que exigem pressa semelhante, o trabalho é realizado de maneira melhor e mais rápida quando se reúnem muitas forças de trabalho. Por exemplo, na colheita, dois carroceiros, dois carregadores, dois fornecedores, dois trabalhadores com rastelosE6, mais os restantes no monte de cereais ou no celeiro, realizam juntos o dobro do trabalho da mesma quantidade de pessoas dividida em grupos diferentes e em propriedades diferentes.” ([J. Arbuthnot,] An Enquiry into the Connection between the present price of provisions and the size of farms, por um agricultor, Londres, 1773, pp. 7–8.)
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Nota editorial E6O impresso MEW 23, p. 345, traz Recher, trabalhadores que usam rastelos; a transcrição digital consultada traz Reicher. Adotou-se a leitura do impresso. A versão inglesa de Capital disponível no NYU Manifold traz rakers, corroborando esse sentido. A enumeração contém quatro pares, mais os demais trabalhadores no monte ou no celeiro; não fixa o total em oito. A igualdade aritmética 1:4 = 3:12 permanece válida: a ressalva da citação diz respeito à aplicação proporcional à produção, não à aritmética.
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Nota 13A definição de Aristóteles é, na verdade, que o homem é por natureza cidadão da cidade. É tão característica da Antiguidade clássica quanto a definição de Franklin, segundo a qual o homem é por natureza fabricante de instrumentos, o é do mundo ianque.
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Nota 14“É preciso observar ainda que essa divisão parcial do trabalho também pode ocorrer quando os trabalhadores estão ocupados numa tarefa idêntica. Pedreiros, por exemplo, que passam tijolos de mão em mão até um andaime mais alto, executam todos a mesma tarefa; e, no entanto, existe entre eles uma espécie de divisão do trabalho: cada um passa o tijolo adiante por determinado trecho, e todos juntos fazem com que ele chegue ao destino muito mais rapidamente do que se cada qual transportasse separadamente seu tijolo até o andaime mais elevado.” (F. Skarbek, Théorie des richesses sociales, 2ª ed., Paris, 1839, t. I, pp. 97–98.)
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Nota 15“Quando se trata de executar um trabalho complicado, várias coisas precisam ser feitas ao mesmo tempo. Um faz uma coisa, enquanto outro faz outra, e todos contribuem para um resultado que um único homem não poderia produzir. Um rema, enquanto outro dirige o barco e um terceiro lança a rede ou arpoa o peixe; e a pesca tem um resultado impossível sem essa cooperação.” (Destutt de Tracy, obra citada, p. 78.)
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Nota 16“Sua execução” (do trabalho agrícola) “no momento decisivo tem efeito tanto maior.” ([J. Arbuthnot,] An Inquiry into the Connection between the present price etc., p. 7.) “Na agricultura não há fator mais importante que o tempo.” (Liebig, Über Theorie und Praxis in der Landwirthschaft, 1856, p. 23.)
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Nota 17“O próximo mal, que dificilmente se esperaria encontrar num país que exporta mais trabalho que qualquer outro do mundo, talvez com exceção da China e da Inglaterra, consiste na impossibilidade de obter um número suficiente de braços para colher o algodão. Em consequência, grandes quantidades de algodão permanecem sem ser colhidas, ao passo que outra parte é recolhida do chão depois de cair e, naturalmente, fica descolorida e parcialmente apodrecida; assim, por falta de trabalhadores na época apropriada, o plantador é efetivamente obrigado a aceitar a perda de grande parte daquela colheita de algodão que a Inglaterra tanto espera.” (Bengal Hurkaru. Bi-Monthly Overland Summary of News, 22 de julho de 1861.)
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Nota 18“Com o progresso do cultivo do solo, todo o capital e todo o trabalho antes utilizados de modo disperso em quinhentos acres, e talvez uma quantidade ainda maior de capital e trabalho, concentram-se agora no cultivo mais intensivo de cem acres.”E7 Embora “o espaço tenha se estreitado em relação à quantidade de capital e trabalho empregados, ele representa uma esfera ampliada de produção em comparação com a esfera que antes era possuída ou cultivada por um produtor individual independente”. (R. Jones, An Essay on the Distribution of Wealth, “On Rent”, Londres, 1831, p. 191.)
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Nota editorial E7No exemplo de Jones, o acréscimo eventual recai sobre a quantidade de capital e trabalho concentrada, não sobre a extensão inicial de quinhentos acres. Essa leitura do alemão também é corroborada pela citação inglesa disponível no NYU Manifold. A relação entre as áreas é 500:100 = 5:1; o texto não fornece uma taxa numérica de aumento do produto. O contraste seguinte usa outra base: a esfera de produção de um único produtor independente.
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Nota 19“A força do homem isolado é muito pequena, mas a união de forças muito pequenas produz uma força total maior do que a soma de todas as forças parciais; assim, a simples união das forças já pode reduzir o tempo e ampliar o espaço de sua ação.” (G. R. Carli, nota a P. Verri, obra citada, t. XV, p. 196.)
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Nota editorial E8O exemplo trata da soma de capital necessária para empregar e pagar muitos trabalhadores simultaneamente. Não compara, com dados completos, o custo acumulado de trezentos trabalhadores por um dia com o de poucos durante um ano: o texto não fixa quantos são esses poucos nem seu calendário de trabalho. No exemplo seguinte, a comparação de matérias-primas é entre um capitalista com trezentos trabalhadores e cada um dos trinta capitalistas com dez: 300 ÷ 10 = 30. Os trinta pequenos capitais empregam, em conjunto, 30 × 10 = 300 trabalhadores. A proporção por capitalista não deve ser aplicada como multiplicador sobre a soma dos trinta, nem transferida automaticamente aos meios de trabalho compartilhados.
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Nota 20“Lucros ... são o único objetivo dos negócios.” (J. Vanderlint, obra citada, p. 11.)
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Nota 21Um jornal filisteu inglês, o Spectator de 26 de maio de 1866, relata que, após a introdução de uma espécie de empreendimento em sociedade entre capitalista e trabalhadores na wirework company of ManchesterE9, “o primeiro resultado foi uma diminuição repentina do desperdício de material, pois os trabalhadores não viam por que deveriam ser mais pródigos com sua própria propriedade do que com a dos capitalistas, e o desperdício de material é, ao lado dos créditos de cobrança duvidosa, talvez a maior fonte de perdas nas fábricas”. O mesmo jornal identifica como defeito principal das experiências cooperativas de RochdaleE10: “They showed that associations of workmen could manage shops, mills, and almost all forms of industry with success, and they immensely improved the condition of the men, but then they did not leave a clear place for masters.” (“Elas demonstraram que associações de trabalhadores podiam administrar lojas, fábricas e quase todos os tipos de indústria com êxito, e melhoraram extraordinariamente a condição dos próprios homens, mas! mas, então, não deixaram um lugar visível para os capitalistas.” Quelle horreur!E11)
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Nota editorial E9Companhia de transformação de arame de Manchester. Tradução da glosa 1* do impresso, p. 351: Gesellschaft für Drahtverarbeitung in Manchester.
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Nota editorial E10Rochdale cooperative experiments (iniciativas cooperativas de Rochdale). Sob a influência das ideias dos socialistas utópicos, trabalhadores de Rochdale, ao norte de Manchester, reuniram-se em 1844 na Society of Equitable Pioneers (Sociedade dos Pioneiros Equitativos). Originalmente uma cooperativa de consumo, a sociedade logo se ampliou e criou também estabelecimentos cooperativos de produção. Com os pioneiros de Rochdale começou um novo período do movimento cooperativo na Inglaterra e em outros países. Tradução da nota 103 do apêndice de MEW 23, p. 855, com remissão à p. 351.
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Nota editorial E11Que horror! Tradução da glosa 2* do impresso, p. 351: Wie schrecklich!, referente ao francês Quelle horreur!.
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Nota 21aDepois de apresentar a “superintendence of labour”E12 como uma das características principais da produção escravista nos estados do sul da América do Norte, o professor Cairnes prossegue: “Como o proprietário camponês” (do Norte) “conserva para si todo o produto de sua terra”E13, “não precisa de incentivo especial para esforçar-se. A supervisão torna-se aqui inteiramente desnecessária”. (Cairnes, obra citada, pp. 48–49.)
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Nota editorial E12“Supervisão do trabalho.” Tradução da glosa 1* do impresso, p. 352: Überwachung der Arbeit.
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Nota editorial E13Em Cairnes: “produto de seu trabalho”. Tradução da glosa 2* do impresso, p. 352. O texto principal de Marx mantém “produto de sua terra”; a variante indicada pelos editores foi conservada separadamente.
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Nota 22Sir James Steuart, que em geral se distingue pelo olhar atento às diferenças sociais características entre vários modos de produção, observa: “Por que as grandes empresas manufatureiras arruínam a indústria doméstica, senão porque se aproximam mais da simplicidade do trabalho escravo?” (Princ. of Pol. Econ., Londres, 1767, vol. I, pp. 167–168.)
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Nota 22aAuguste Comte e sua escola poderiam, portanto, ter demonstrado da mesma maneira a eterna necessidade dos senhores feudais, assim como o fizeram para os senhores do capital.
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Nota editorial E14O texto distingue o pagamento das cem forças de trabalho individuais da força produtiva que resulta de sua cooperação. A gratuidade discutida é a dessa força social para o capital, não a ausência de pagamento dos trabalhadores. A afirmação final de que ela aparece como força imanente ao capital conserva a diferença entre sua origem na cooperação e a forma sob a qual se apresenta.
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Nota 23R. Jones, Text-book of Lectures etc., pp. 77–78. As coleções da antiga Assíria, do Egito etc. em Londres e em outras capitais europeias tornam-nos testemunhas oculares daqueles processos cooperativos de trabalho.
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Nota 23aLinguet, em sua Théorie des Lois civiles, talvez não esteja errado ao declarar a caça como primeira forma de cooperação e a caça a seres humanos (guerra) como uma das primeiras formas da caça.
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Nota 24A pequena economia camponesa e o trabalho artesanal independente, que em parte constituem a base do modo de produção feudal e em parte aparecem, depois de sua dissolução, ao lado da empresa capitalista, formam simultaneamente o fundamento econômico das comunidades clássicas em seu período de maior florescimento, depois que se dissolveu a propriedade comum originalmente oriental e antes que a escravidão se apoderasse seriamente da produção.
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Nota 25“Não é a união da habilidade, do esforço e da emulação de muitos reunidos na mesma obra o caminho para fazê-la avançar? E teria sido possível à Inglaterra elevar sua manufatura de lã a tal grau de perfeição por outra via?” (Berkeley, The Querist, Londres, 1750, p. 56, § 521.)
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