O salário por peça
O salário por peça não é senão uma forma transformada do salário por tempo, assim como o salário por tempo é a forma transformada do valor ou do preço da força de trabalho.
No salário por peça, à primeira vista, parece que o valor de uso vendido pelo trabalhador não é o funcionamento de sua força de trabalho, o trabalho vivo, mas o trabalho já objetivado no produto, e que o preço desse trabalho não é determinado, como no salário por tempo, pela fração valor diário da força de trabalhojornada de trabalho com dado número de horas, mas pela capacidade produtiva do produtor.45
Antes de tudo, a confiança nessa aparência já deveria sofrer forte abalo diante do fato de que as duas formas de salário coexistem, ao mesmo tempo, nos mesmos ramos de atividade. Por exemplo:
“Os compositores tipográficos de Londres trabalham, em regra, por peça; entre eles, o salário por tempo constitui a exceção. O inverso ocorre com os compositores das províncias, onde a regra é o salário por tempo e a exceção, o salário por peça. Os carpinteiros navais do porto de Londres são pagos por peça; em todos os demais portos ingleses, por tempo.”46
Nas mesmas oficinas de seleiros de Londres, muitas vezes paga-se, pelo mesmo trabalho, salário por peça aos franceses e salário por tempo aos ingleses. Nas fábricas propriamente ditas, onde o salário por peça predomina de modo geral, certas funções de trabalho escapam, por motivos técnicos, a essa medição e, por isso, são remuneradas por tempo.47 Em si, contudo, é evidente que a diferença na forma de pagamento do salário não altera sua essência, embora uma das formas possa ser mais favorável que a outra ao desenvolvimento da produção capitalista.
Suponhamos que a jornada habitual seja de doze horas, seis pagas e seis não pagas. Suponhamos que seu produto de valor seja de 6 xelins e, portanto, o de uma hora de trabalho, de 6 pence. Suponhamos ainda que a experiência mostre que um trabalhador que atua com o grau médio de intensidade e destreza, empregando, portanto, de fato apenas o tempo de trabalho socialmente necessário à produção de um artigo, fornece, em doze horas, 24 peças, sejam unidades separadas, sejam partes mensuráveis de um produto contínuo. Assim, o valor dessas 24 peças, deduzida a parcela de capital constante nelas contida, é de 6 xelins, e o valor de cada peça é de 3 pence. O trabalhador recebe um penny e meio por peça e ganha, desse modo, 3 xelins em doze horas. Tal como no salário por tempo é indiferente supor que o trabalhador trabalhe seis horas para si e seis para o capitalista, ou que, em cada hora, trabalhe uma metade para si e outra para o capitalista, aqui também é indiferente dizer que cada peça é metade paga e metade não paga, ou que o preço de doze peças apenas repõe o valor da força de trabalho, ao passo que nas outras doze se incorpora o mais-valor.
A forma do salário por peça é tão irracional quanto a do salário por tempo. Enquanto, por exemplo, duas peças de mercadoria, depois de deduzido o valor dos meios de produção nelas consumidos, valem 6 pence como produto de uma hora de trabalho, o trabalhador recebe por elas um preço de 3 pence. De fato, o salário por peça não expressa diretamente nenhuma relação de valor. Não se trata de medir o valor da peça pelo tempo de trabalho nela incorporado; ao contrário, mede-se o trabalho despendido pelo trabalhador pelo número de peças que produziu. No salário por tempo, o trabalho é medido por sua duração imediata; no salário por peça, pela quantidade de produtos em que o trabalho se condensa durante um período determinado.48 O preço do próprio tempo de trabalho é determinado, em última instância, pela igualdade: valor do trabalho diário=valor diário da força de trabalho. O salário por peça é, portanto, apenas uma forma modificada do salário por tempo.
Examinemos agora um pouco mais de perto as peculiaridades características do salário por peça.
A qualidade do trabalho é controlada aqui pelo próprio produto, que deve apresentar qualidade média para que o preço por peça seja pago integralmente. Sob esse aspecto, o salário por peça torna-se uma fonte extremamente fértil de descontos salariais e fraudes capitalistas.
Ele oferece aos capitalistas uma medida inteiramente determinada da intensidade do trabalho. Só é considerado tempo de trabalho socialmente necessário, e pago como tal, o tempo de trabalho que se incorpora numa quantidade de mercadorias previamente determinada e fixada pela experiência. Nas grandes oficinas de alfaiataria de Londres, por isso, chama-se uma hora, meia hora etc. a certa peça de trabalho, por exemplo, um colete, tomando-se a hora a 6 pence. Sabe-se pela prática qual é o produto médio de uma hora. Quando surgem novas modas, consertos etc., trava-se uma disputa entre empregador e trabalhador para saber se determinada peça de trabalho equivale a uma hora etc., até que a experiência também decida nesse caso. Algo semelhante se passa nas oficinas londrinas de marcenaria de móveis etc. Se o trabalhador não possuir a capacidade produtiva média e, portanto, não conseguir fornecer certo mínimo de trabalho diário, será despedido.49
Como a qualidade e a intensidade do trabalho são controladas aqui pela própria forma do salário, esta torna supérflua grande parte da fiscalização do trabalho. Por isso, constitui tanto a base do trabalho domiciliar moderno descrito anteriormente quanto a de um sistema hierarquicamente organizado de exploração e opressão. Este último apresenta duas formas fundamentais. De um lado, o salário por peça facilita a interposição de parasitas entre o capitalista e o trabalhador assalariado: a subcontratação do trabalho (subletting of labour). O lucro dos intermediários provém exclusivamente da diferença entre o preço do trabalho pago pelo capitalista e a parcela desse preço que eles efetivamente fazem chegar ao trabalhador.50 Na Inglaterra, esse sistema recebe, de maneira característica, o nome de Sweating-System (sistema de exploração extenuante). De outro lado, o salário por peça permite ao capitalista firmar contrato com o trabalhador principal (na manufatura, o chefe de um grupo; nas minas, aquele que arranca o carvão etc.; na fábrica, o operador propriamente dito da máquina), ajustando determinado preço por peça, pelo qual o próprio trabalhador principal se encarrega de recrutar e pagar seus ajudantes. A exploração dos trabalhadores pelo capital realiza-se aqui por intermédio da exploração do trabalhador pelo trabalhador.51
Dado o salário por peça, é naturalmente do interesse pessoal do trabalhador aplicar sua força de trabalho com a maior intensidade possível, o que facilita ao capitalista elevar o grau normal dessa intensidade.51a
É igualmente do interesse pessoal do trabalhador prolongar a jornada, pois com isso aumenta seu salário diário ou semanal.52 Produz-se, assim, a reação já descrita para o salário por tempo, além do fato de que prolongar a jornada, mesmo com o salário por peça constante, implica, por si só, uma redução do preço do trabalho.
No salário por tempo, com poucas exceções, prevalece o mesmo salário para as mesmas funções, enquanto, no salário por peça, embora o preço do tempo de trabalho seja medido por determinada quantidade de produtos, o salário diário ou semanal varia de acordo com as diferenças individuais entre os trabalhadores: um fornece apenas o mínimo de produto em certo tempo; outro, a média; um terceiro, mais do que a média. Quanto à renda efetiva, surgem aqui, portanto, grandes diferenças conforme a habilidade, a força, a energia, a resistência etc. de cada trabalhador.53 Isso naturalmente não altera a relação geral entre capital e trabalho assalariado. Primeiro, as diferenças individuais se compensam na oficina considerada em seu conjunto, de modo que ela fornece, em determinado tempo de trabalho, o produto médio, e o salário total pago será o salário médio do ramo. Segundo, permanece inalterada a proporção entre salário e mais-valor, pois ao salário individual de cada trabalhador corresponde a massa de mais-valor individualmente fornecida por ele. Mas a margem maior que o salário por peça deixa à individualidade tende, de um lado, a desenvolver essa individualidade e, com ela, o sentimento de liberdade, a autonomia e o autocontrole dos trabalhadores; de outro, a concorrência entre eles e de uns contra os outros. O salário por peça tende, assim, ao elevar os salários individuais acima do nível médio, a rebaixar esse próprio nível. Onde, porém, determinado salário por peça se consolidara havia muito pela tradição, de modo que sua redução apresentava dificuldades especiais, os patrões recorriam excepcionalmente também à sua transformação forçada em salário por tempo. Contra isso houve, por exemplo, uma grande greve entre os tecelões de fitas de Coventry, em 1860.54 O salário por peça, enfim, é um dos principais sustentáculos do sistema de pagamento por hora anteriormente descrito.55
Da exposição feita até aqui decorre que o salário por peça é a forma salarial que melhor corresponde ao modo de produção capitalista. Embora de modo algum seja novo (figura oficialmente ao lado do salário por tempo, entre outros casos, nos estatutos de trabalhadores franceses e ingleses do século XIV), só conquista campo mais amplo durante o período da manufatura propriamente dita. No período tempestuoso de expansão da grande indústria, particularmente de 1797 a 1815, serve como alavanca para prolongar o tempo de trabalho e reduzir os salários. Material muito importante sobre o movimento dos salários nesse período encontra-se nos Livros Azuis: Report and Evidence from the Select Committee on Petitions respecting the Corn Laws (sessão parlamentar de 1813/14) e Reports from the Lords' Committee, on the State of the Growth, Commerce, and Consumption of Grain, and all Laws relating thereto (sessão de 1814/15). Ali se encontra a comprovação documental da queda contínua do preço do trabalho desde o início da guerra antijacobina. Na tecelagem, por exemplo, o salário por peça caíra tanto que, apesar do grande prolongamento da jornada, o salário diário estava então abaixo de seu nível anterior.
“A renda real do tecelão é muito menor do que antes; sua superioridade em relação ao trabalhador comum, que de início era muito grande, quase desapareceu por completo. De fato, a diferença entre os salários do trabalho qualificado e do trabalho comum é agora muito menos significativa do que em qualquer período anterior.”56
Quão pouco a intensidade e a extensão do trabalho aumentadas pelo salário por peça beneficiaram o proletariado rural mostra a seguinte passagem, retirada de um escrito em defesa dos proprietários de terras e arrendatários:
“De longe, a maior parte das operações agrícolas é executada por pessoas contratadas por dia ou por peça. Seu salário semanal é de cerca de 12 xelins; embora se possa supor que um homem ganhe, por peça, sob maior estímulo ao trabalho, 1 ou talvez 2 xelins a mais do que no salário semanal, verifica-se, no entanto, ao estimar sua renda total, que a perda de ocupação ao longo do ano compensa esse acréscimo... Verifica-se, além disso, de maneira geral, que os salários desses homens guardam certa proporção com o preço dos meios de subsistência necessários, de modo que um homem com dois filhos consegue sustentar a família sem recorrer à assistência paroquial.”57
Malthus observou então, a propósito dos fatos publicados pelo Parlamento:
“Confesso que vejo com desagrado a grande expansão da prática do salário por peça. Um trabalho realmente árduo durante 12 ou 14 horas por dia, por períodos prolongados, é demais para um ser humano.”58
Nas oficinas submetidas à legislação fabril, o salário por peça torna-se regra geral, porque ali o capital já só pode ampliar a jornada de trabalho por meio da intensificação.59
Com a variação da produtividade do trabalho, uma mesma quantidade de produtos passa a representar quantidades variáveis de tempo de trabalho. Varia, portanto, também o salário por peça, pois ele é a expressão, em preço, de determinado tempo de trabalho. Em nosso exemplo anterior, produziam-se 24 peças em 12 horas, enquanto o produto de valor das 12 horas era de 6 xelins, o valor diário da força de trabalho, de 3 xelins, o preço da hora de trabalho, de 3 pence, e o salário por peça, de um penny e meio. Em cada peça havia sido absorvida meia hora de trabalho. Se a mesma jornada fornecer agora, por exemplo, em consequência da duplicação da produtividade do trabalho, 48 peças em lugar de 24, permanecendo inalteradas todas as demais circunstâncias, o salário por peça cairá de um penny e meio para três quartos de penny, pois cada peça representa agora apenas um quarto de hora, em vez de meia hora de trabalho. 24×112 penny=3 xelins e, igualmente, 48×34 de penny=3 xelins. Em outras palavras: o salário por peça é reduzido na mesma proporção em que aumenta o número de peças produzidas no mesmo tempo,60 ou seja, em que diminui o tempo de trabalho empregado em cada peça. Essa mudança do salário por peça, na medida em que é puramente nominal, provoca lutas constantes entre capitalista e trabalhador. Seja porque o capitalista usa o pretexto para rebaixar efetivamente o preço do trabalho, seja porque o aumento da força produtiva do trabalho vem acompanhado de aumento de sua intensidade. Ou porque o trabalhador leva a sério a aparência do salário por peça, como se lhe pagassem pelo produto e não por sua força de trabalho, e por isso resiste a uma redução salarial à qual não corresponde uma redução no preço de venda da mercadoria.
“Os trabalhadores acompanham cuidadosamente o preço da matéria-prima e o preço dos bens fabricados, sendo assim capazes de avaliar com precisão os lucros de seus patrões.”61
O capital rejeita com razão tal pretensãoE9 como um grosseiro equívoco acerca da natureza do trabalho assalariado.62 Esbraveja contra essa presunção de impor tributos ao progresso da indústria e declara, sem rodeios, que a produtividade do trabalhoE12 absolutamente não diz respeito ao trabalhador.63
Notas
Nota 45“O sistema do trabalho por peça caracteriza uma época na história do trabalhador; situa-se a meio caminho entre a condição do simples diarista, dependente da vontade do capitalista, e a do artesão cooperativista, que promete, num futuro não distante, reunir em sua pessoa o artesão e o capitalista. Os trabalhadores por peça são, na realidade, seus próprios patrões, mesmo quando trabalham com o capital do empresário.” (John Watts, Trade Societies and Strikes, Machinery and Cooperative Societies, Manchester, 1865, pp. 52–53.) Cito esse folheto porque ele é uma verdadeira sarjeta de todos os lugares-comuns apologéticos há muito apodrecidos.E1 O mesmo sr. Watts antes se dedicava ao owenismo e publicou, em 1842, outro folheto, Facts and Fictions of Political Economy, no qual declara, entre outras coisas, que Property é RobberyE2. Isso já faz muito tempo.
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Nota editorial E1O impresso da MEW, p. 574, traz Gosse, “sarjeta”; o alemão digital traz Glosse, e o manuscrito acompanha essa leitura com “glosa”. Esta cópia segue o impresso e restitui a imagem depreciativa. A correção é documentada em relação à edição-base consultada; não representa cotejo independente com a edição de 1890.
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Nota editorial E2“Propriedade como roubo”. Tradução da glosa editorial 1* da p. 574, Eigentum für Raub, relativa à afirmação de que Property é Robbery.
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Nota 46T. J. Dunning, Trade's Unions and Strikes, Londres, 1860, p. 22.
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Nota 47Eis como a coexistência simultânea dessas duas formas de salário favorece as fraudes dos fabricantes: “Uma fábrica emprega quatrocentas pessoas, metade das quais trabalha por peça e tem interesse imediato em trabalhar mais tempo. As outras duzentas são pagas por dia, trabalham tantas horas quanto as primeiras, mas nada recebem pelas horas extraordinárias... O trabalho dessas duzentas pessoas durante meia hora diária equivale ao trabalho de uma pessoa por cinquenta horas, ou a cinco sextos da prestação semanal de trabalho de uma pessoa, e representa um ganho palpável para o empresário.” (Reports of Insp. of Fact., 31st October 1860, p. 9.) “As horas extraordinárias continuam a ocorrer em escala considerável; e, na maioria dos casos, com a proteção contra a descoberta e a punição que a própria lei proporciona. Já demonstrei em muitos relatórios anteriores... a injustiça cometida contra todos os trabalhadores que recebem salário semanal, e não por peça.” (Leonard Horner, em Reports of Insp. of Fact., 30th April 1859, pp. 8–9.)E3
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Nota editorial E3O impresso, p. 575, o alemão digital e o manuscrito trazem duzentas pessoas, meia hora diária e a equivalência com cinquenta horas. Esses dados foram preservados, mas 200 × ½ hora resulta em 100 horas de trabalho agregadas por dia, não em 50. A expressão cinco sextos também foi mantida. Não se alteraram os números nem se escolheu uma correção hipotética. A origem da inconsistência exige cotejo com o relatório de 31 de outubro de 1860, p. 9, e com outros testemunhos ou aparato crítico.
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Nota 48“O salário pode ser medido de duas maneiras: pela duração do trabalho ou por seu produto.” (Abrégé élémentaire des principes de l'Écon. Pol., Paris, 1796, p. 32.) O autor desse escrito anônimo é G. Garnier.
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Nota 49“Entrega-se a ele” (o fiandeiro) “determinado peso de algodão; em troca, deve fornecer em certo tempo determinado peso de twist, ou fio, de certa finura, e recebe tanto por cada libra com essas características. Se o trabalho for de qualidade deficiente, ele será punido; se a quantidade ficar abaixo do mínimo estabelecido para determinado tempo, será despedido e substituído por um trabalhador mais capaz.” (Ure, op. cit., pp. 316–317.)
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Nota 50“Quando o produto do trabalho passa por muitas mãos, todas recebendo uma parte do lucro, enquanto somente o último par de mãos efetivamente executa o trabalho, acontece que a remuneração que finalmente chega à trabalhadora é miseravelmente inadequada.” (Child. Empl. Comm., II Rep., p. LXX, n. 424.)
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Nota 51Até mesmo o apologista Watts observa: “Seria uma grande melhoria do sistema de salário por peça se todos os envolvidos numa mesma tarefa fossem partes do contrato, cada um conforme suas capacidades, em vez de haver um homem interessado em exaurir seus companheiros em benefício próprio.” (Op. cit., p. 53.) Sobre as infâmias desse sistema, ver Child. Empl. Comm., III Rep., p. 66, n. 22; p. 11, n. 124; p. XI, n. 13, 53, 59 etc.
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Nota 51aEsse resultado espontâneo muitas vezes recebe ajuda artificial. Por exemplo, no Engineering TradeE4 de Londres, é um truque tradicional “que o capitalista escolha um homem de força física e destreza superiores para chefiar certo número de trabalhadores. Paga-lhe, trimestralmente ou em outros prazos, um salário suplementar mediante o acordo de que ele faça todo o possível para incitar seus colegas, que recebem apenas o salário habitual, à máxima emulação... Sem mais comentários, isso explica a queixa capitalista sobre a ‘paralisação da atividade ou da destreza e força de trabalho superiores (stinting the action, superior skill and working power) pelas Trade's Unions’.” (Dunning, op. cit., pp. 22–23.) Como o próprio autor é trabalhador e secretário de um sindicato, isso poderia ser considerado exagero. Mas veja-se, por exemplo, a “highly respectable”E5 enciclopédia agronômica de J. Ch. Morton, verbete “Labourer”, em que esse método é recomendado aos arrendatários como comprovadamente eficaz.
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Nota editorial E4“Construção de máquinas”. Tradução da glosa editorial 1* da p. 577, Maschinenbau, relativa a Engineering Trade.
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Nota editorial E5“Altamente respeitável”. Tradução da glosa editorial 1* da p. 578, hochachtbare, relativa a highly respectable.
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Nota 52“Todos os que são remunerados por peça... têm vantagem em ultrapassar os limites legais do trabalho. Essa disposição para fazer horas extraordinárias observa-se particularmente entre as mulheres empregadas como tecelãs e dobadeiras.” (Rep. of Insp. of Fact., 30th April 1858, p. 9.) “Esse sistema de salário por peça, tão vantajoso para o capitalista..., tende diretamente a estimular o jovem oleiro a um grande excesso de trabalho durante os quatro ou cinco anos em que recebe por peça, porém a um preço baixo. Essa é uma das grandes causas a que se deve atribuir a degeneração física dos oleiros.” (Child. Empl. Comm., I Rep., p. XIII.)
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Nota 53“Onde o trabalho em qualquer ofício é pago pelo número de peças, a tanto por peça... os salários podem diferir muito em montante... Mas, no salário diário, existe em geral uma taxa uniforme... reconhecida pelo empresário e pelo trabalhador como salário-padrão para o trabalhador médio daquele ofício.” (Dunning, op. cit., p. 17.)
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Nota 54“O trabalho dos oficiais artesãos regula-se pelo dia ou pela peça (à la journée ou à la pièce)... Os mestres sabem aproximadamente quanto trabalho os operários conseguem executar por dia em cada métierE6 e, por isso, muitas vezes os pagam proporcionalmente ao trabalho realizado; assim, esses oficiais trabalham quanto podem, em seu próprio interesse, sem fiscalização adicional.” (Cantillon, Essai sur la Nature du Commerce en Général, Amsterdã, edição de 1756, pp. 185 e 202. A primeira edição apareceu em 1755.) Cantillon, de quem Quesnay, Sir James Steuart e A. Smith se serviram abundantemente, já apresenta, portanto, o salário por peça como mera forma modificada do salário por tempo. A edição francesa de Cantillon anuncia-se no título como tradução do inglês, mas a edição inglesa, The Analysis of Trade, Commerce etc., by Philip Cantillon, late of the City of London, Merchant, além de ser posterior (1759), revela-se pelo conteúdo uma reelaboração posterior. Por exemplo, Hume ainda não é mencionado na edição francesa, enquanto, inversamente, Petty quase não aparece na inglesa. A edição inglesa é teoricamente menos importante, mas contém vários elementos específicos sobre o comércio inglês, o comércio de metais preciosos etc., ausentes do texto francês. As palavras do título da edição inglesa, segundo as quais o escrito foi “Taken chiefly from the Manuscript of a very ingenious Gentleman deceased, and adapted etc.”E7, parecem, portanto, mais que uma simples ficção, muito comum na época.E8
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Nota editorial E6Glosa editorial da MEW, p. 579, chamada 1*: métier: “ofício”.
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Nota editorial E7Glosa editorial da MEW, p. 579, chamada 2*: “Extraído principalmente do manuscrito de um cavalheiro falecido, muito engenhoso, e adaptado etc.”
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Nota editorial E8Nota editorial 132 da MEW, p. 858, com remissão à p. 579: O autor do livro Essai sur la nature du commerce en général é Richard Cantillon. A edição inglesa foi reelaborada por Philip Cantillon, parente de Richard Cantillon.
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Nota 55“Quantas vezes vimos que, em certas oficinas, se admitia um número muito maior de trabalhadores do que aquele realmente necessário ao trabalho? Muitas vezes contratam-se trabalhadores na expectativa de um serviço ainda incerto, às vezes até puramente imaginado: como se paga por peça, pensa-se que nada se arrisca, pois todo o tempo perdido fica por conta dos que estão sem ocupação.” (H. Gregoir, Les Typographes devant le Tribunal Correctionnel de Bruxelles, Bruxelas, 1865, p. 9.)
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Nota 56Remarks on the Commercial Policy of Great Britain, Londres, 1815, p. 48.
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Nota 57A Defence of the Landowners and Farmers of Great Britain, Londres, 1814, pp. 4 e 5.
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Nota 58Malthus, Inquiry into the Nature etc. of Rent, Londres, 1815, [p. 49, nota].
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Nota 59“Os trabalhadores pagos por peça constituem provavelmente quatro quintos de todos os trabalhadores nas fábricas.” (Reports of Insp. of Fact. for 30th April 1858, p. 9.)
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Nota 60“A força produtiva de sua máquina de fiar é medida com exatidão, e a remuneração do trabalho realizado com ela diminui com o aumento de sua força produtiva, embora não na mesma proporção.” (Ure, op. cit., p. 317.) O próprio Ure desfaz em seguida essa última formulação apologética. Admite que, ao se alongar, por exemplo, uma mule, surge trabalho adicional decorrente dessa extensão. Portanto, o trabalho não diminui na mesma proporção em que aumenta sua força produtiva. Além disso: “Esse alongamento eleva a força produtiva da máquina em um quinto. Em consequência disso, o fiandeiro já não recebe a mesma taxa de remuneração por trabalho realizado que antes; mas, como essa taxa não diminui na proporção de um quinto, o melhoramento aumenta seu ganho monetário para cada dado número de horas de trabalho” (mas, mas) “a afirmação anterior exige certa restrição... o fiandeiro precisa pagar, de seu meio xelim adicional, alguma coisa a ajudantes jovens suplementares e, além disso, trabalhadores adultos são deslocados” (op. cit., pp. 320 e 321), o que de modo algum tende a elevar o salário.
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Nota 61H. Fawcett, The Economic Position of the British Labourer, Cambridge e Londres, 1865, p. 178.
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Nota editorial E9Variante registrada pelos editores da MEW, p. 582, chamada 1*: “3ª e 4ª edições: Ausspruch”. O termo significa “afirmação” ou “enunciado”; o corpo da MEW traz Anspruch, traduzido aqui por “pretensão”.E10
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Nota editorial E10Esta edição acompanha Anspruch, “pretensão”, no texto principal da MEW 23 (1962). O aparato registra Ausspruch, “afirmação” ou “enunciado”, na terceira e na quarta edições alemãs. A variante é registrada sem substituir a leitura da edição-base.
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Nota 62No Standard, de Londres, de 26 de outubro de 1861, encontra-se notícia de um processo movido pela firma John Bright et Co. perante os Rochdale MagistratesE11, “para levar judicialmente os representantes do sindicato dos tecelões de tapetes a responder por intimidação. Os sócios de Bright haviam introduzido nova maquinaria destinada a produzir 240 jardas de tapete no mesmo tempo e com o mesmo trabalho (!) antes necessários para produzir 160 jardas. Os trabalhadores não tinham direito algum de participar dos lucros obtidos com o investimento de capital de seus empresários em melhorias mecânicas. Por isso, os srs. Bright propuseram reduzir o salário de um penny e meio por jarda para um penny, com o que os rendimentos dos trabalhadores pelo mesmo trabalho permaneceriam exatamente como antes. Mas isso era uma redução nominal da qual, segundo se afirma, os trabalhadores não haviam sido previamente informados com franqueza.”
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Nota editorial E11Glosa editorial da MEW, p. 582, chamada 2*: “juízes de paz”.
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Nota editorial E12Variante registrada pelos editores da MEW, p. 582, chamada 3*: “4ª edição: Arbeiter”. O termo significa “trabalhador”; o corpo da MEW traz Arbeit, traduzido aqui por “trabalho”.E13
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Nota editorial E13Esta edição acompanha Arbeit, “trabalho”, no texto principal da MEW 23 (1962). O aparato registra Arbeiter, “trabalhador”, na quarta edição alemã. Mantém-se, portanto, “produtividade do trabalho”, registrando a variante “produtividade do trabalhador”.
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Nota 63“Os sindicatos, em seu afã de conservar os salários, procuram participar dos lucros das máquinas aperfeiçoadas!” (Quelle horreur!E14) “... exigem salários mais altos porque o trabalho foi encurtado... em outras palavras, procuram impor um tributo às melhorias industriais.” (On Combination of Trades, nova edição, Londres, 1834, p. 42.)
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Nota editorial E14Glosa editorial da MEW, p. 582, chamada 4*: Quelle horreur!: “Que horror!”
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