Os Sete Loucos: A proposta Os Sete Loucos: Traducao Literunico · Capítulo 13 de 34
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Os Sete Loucos: A proposta

A proposta

O Astrólogo preparava-se para deitar quando escutou passos no caminho que conduzia à casa. Como o cachorro não latiu, entreabriu a veneziana. Um paralelogramo de luz cortou as trevas até a copa das romãzeiras e, por essa caixa amarela, viu Erdosain avançar, com a luz batendo em cheio em seu rosto.

— Que curioso! — pensou o Astrólogo. — Ainda não tinha reparado que esse rapaz usa chapéu de palha! O que será que quer? — E, depois de assegurar-se de que tinha o revólver na cintura, movimento que nele era instintivo, abriu a fechadura da porta, e Erdosain entrou.

— Pensei que o senhor estivesse deitado.

— Entre.

Erdosain passou ao escritório. Ainda estava ali o mapa dos Estados Unidos, com as bandeiras negras cravadas nos territórios onde dominava o Ku-Klux-Klan. O Astrólogo havia trabalhado num horóscopo, pois sobre a mesa estava aberta a caixa de compassos. O vento que entrava pela grade movia os papéis, e Erdosain, depois de esperar que o outro guardasse alguns documentos no armário, sentou-se de costas para o jardim.

Já ali, ficou olhando o semblante largo do outro, o nariz torto arrancando da testa tumultuosa, a orelha em forma de repolho, o peito enorme contido dentro da roupa preta e sem lustro, a corrente de cobre cruzando de lado a lado o colete, o anel de aço com uma pedra violeta em sua mão de dedos deformes e pele curtida. Agora que o homem estava sem chapéu, via-se que seu cabelo era crespo, curtíssimo e muito emaranhado.

Havia esticado as pernas e descarregava todo o corpo sobre os braços da poltrona. Com suas botas sem lustrar, parecia um homem da montanha, talvez um buscador de ouro. Por que os buscadores de ouro da Patagônia não seriam assim?, pensou Erdosain, e, sem explicar a própria distração, ficou olhando o mapa dos Estados Unidos e repetindo mentalmente as palavras que havia escutado naquela tarde do Astrólogo, enquanto este apontava os estados federais ao Rufião.

— O Ku-Klux-Klan é forte no Texas, Ohio, Indianápolis, Oklahoma, Oregon...

— E então, amigo... como?...

— Ah, é verdade!... Vim vê-lo...

— Justamente eu ia me deitar. Estive trabalhando no horóscopo de um imbecil...

— Se estou incomodando, vou embora.

— Não, fique. O senhor brigou? O que aconteceu?

— Muitas coisas. Diga-me, se o senhor pudesse... Não vai se espantar com a pergunta?... Se o senhor, para fundar sua loja, quer dizer, para conseguir os vinte mil pesos necessários, se para conseguir vinte mil pesos tivesse de matar um indivíduo, o que faria?

O Astrólogo ergueu-se na cadeira, ficando agora com o corpo, levantado pelo assombro, em ângulo reto. E, embora sua cabeça estivesse erguida pelos pensamentos que Erdosain lhe suscitara, ela parecia pesar prodigiosamente sobre seus ombros. Esfregou as mãos e esquadrinhou o rosto de Remo.

— Por que lhe ocorre fazer-me essa pergunta?

— Porque encontrei o candidato que tem vinte mil pesos. Podemos sequestrá-lo e, se ele se negar a assinar o cheque, torturamo-lo.

O Astrólogo franziu o cenho. Diante dos enigmas que aquela proposta encerrava, sua perplexidade aumentou, e com os dedos da mão esquerda começou a fazer girar o anel no anular da direita. A pedra violeta passava a cada instante diante da corrente de bronze e, embora mantivesse o rosto inclinado, sob a linha de suas sobrancelhas, suas pupilas horizontais sondavam o rosto de Erdosain.

E o nariz torto, naquela posição, adquiria o vigor de uma defesa, com o queixo afundado no tecido negro do plastrão.

— Vamos ver, explique-me tudo isso, porque não estou entendendo uma palavra.

Agora havia se endireitado, e seu rosto parecia desafiar uma chuva de golpes.

— É fácil e genial. Minha mulher, esta noite, foi viver com outro homem. Então ele...

— Quem é ele?...

— Barsut, o primo de minha mulher... Gregorio Barsut, veio me ver e confessar que foi ele quem me denunciou à Açucareira.

— Ah!... Foi ele quem o denunciou?...

— Sim, e para completar...

— Mas por que motivo o denunciou?...

— Que sei eu!... Para me humilhar... Enfim, é meio louco. Um indivíduo que vive freneticamente.

Tem vinte mil pesos. O pai morreu num manicômio. Ele também vai terminar lá. Os vinte mil pesos são a herança de uma tia por parte de pai.

O Astrólogo levou a mão à testa. Estava mais perplexo do que nunca. O assunto lhe interessava, mas ele não o compreendia.

Insistiu:

— Conte-me tudo com detalhes, ordenadamente.

Erdosain recomeçou seu relato. Narrou tudo o que já conhecemos. Falava devagar, meticulosamente, pois desaparecera dele a tensão nervosa que antecedera a proposta feita ao Astrólogo.

Agora estava sentado na beira da cadeira, as costas arqueadas, os cotovelos apoiados nos joelhos, as faces gradeadas pelos dedos, o olhar fixo no pavimento. A pele amarela grudada aos ossos planos do semblante lhe dava a aparência de um tísico. Um cúmulo de iniquidades saía de sua garganta, sem interrupções, surdamente, como se recitasse uma lição estampada a frio no plano de sua consciência. O Astrólogo, cobrindo os lábios com os dedos, escutava-o com estranheza.

Havia imaginado muitas coisas, mas não tantas.

Com uma lentidão derivada do excesso de atenção para não se equivocar, Erdosain acumulava angústias, humilhações, lembranças, sofrimentos, noites que passara sem dormir, brigas espantosas. Disse, entre outras coisas:

— Vai lhe parecer mentira que eu, eu que vim propor ao senhor o assassinato de um homem, fale de inocência; e, no entanto, eu tinha vinte anos e era um menino.

O senhor sabe que espécie de tristeza é essa que faz alguém passar a noite num botequim asqueroso, perdendo tempo entre conversas estúpidas e tragos de aguardente? Sabe o que é estar num prostíbulo e, de repente, conter-se para não chorar desesperadamente? O senhor me olha espantado, claro, via em mim um homem estranho talvez, mas não percebia que toda essa estranheza derivava da angústia que eu trazia escondida dentro de mim. Veja, até me parece mentira falar com precisão como falo.

Quem sou? Para onde vou? Não sei. Tenho a impressão de que o senhor é igual a mim, e foi por isso que vim propor-lhe o assassinato de Barsut. Com o dinheiro, fundaremos a loja e talvez possamos remover os alicerces desta sociedade.

O Astrólogo o interrompeu:

— Mas por que o senhor procedeu sempre assim?...

— Isso é que eu não sei. Por que o senhor quer organizar a loja? Por que o Rufião Melancólico continua explorando mulheres e lustrando as botinas, apesar de ter fortuna? Por que Ergueta se casou com uma prostituta e abandonou a milionária? O senhor acha acaso que eu tolerei a bofetada de Barsut e a presença do capitão por nada? Aparentemente sou um covarde, Ergueta um louco, o Rufião um avaro, o senhor um obcecado.

Aparentemente somos tudo isso, mas no fundo, lá dentro, mais abaixo de nossa consciência e de nossos pensamentos, há outra vida mais poderosa e enorme... e, se suportamos tudo, é porque acreditamos que, suportando ou procedendo como procedemos, chegaremos enfim até a verdade, quero dizer, à verdade de nós mesmos.

O Astrólogo levantou-se, avançou até Erdosain e, pondo-lhe a mão sobre a cabeça, disse cismando:

— O senhor tem razão, meu filho. Somos místicos sem saber. Místico é o Rufião Melancólico, místico é Ergueta, o senhor, eu, ela e eles... O mal do século, a irreligião, nos destroçou o entendimento, e então buscamos fora de nós aquilo que está no mistério de nossa subconsciência. Precisamos de uma religião para nos salvar dessa catástrofe que caiu sobre nossas cabeças.

O senhor me dirá que não digo nada de novo. De acordo; mas lembre-se de que, na terra, a única coisa que pode mudar é o estilo, o costume. A substância é a mesma. Se o senhor acreditasse em Deus, não teria passado essa vida endemoninhada; se eu acreditasse em Deus, não estaria ouvindo sua proposta de assassinar um semelhante. E o mais terrível é que, para nós, já passou o tempo de adquirir uma crença, uma fé.

Se fôssemos procurar um sacerdote, ele não entenderia nossos problemas e só atinaria em nos recomendar que rezássemos um Pai-Nosso e nos confessássemos todas as semanas.

— E a gente se pergunta o que se deve fazer...

— Aí está. O que se deve fazer. Em outras épocas, para nós restaria o refúgio de um convento ou de uma viagem a terras desconhecidas e maravilhosas. Hoje o senhor pode tomar um sorvete de manhã na Patagônia e comer bananas à tarde no Brasil. O que se deve fazer? Eu leio muito e, acredite, em todos os livros europeus encontro esse fundo de amargura e de angústia que o senhor me conta de sua vida. Veja os Estados Unidos.

As artistas mandam implantar ovários de platina, e há assassinos que tentam bater recorde em crimes horrorosos. O senhor, que andou por aí, sabe. Casas, mais casas, rostos distintos e corações iguais. A humanidade perdeu suas festas e suas alegrias.

Os homens são tão infelizes que até Deus perderam! E um motor de trezentos cavalos só consegue distraí-los quando é pilotado por um louco que pode se arrebentar numa valeta. O homem é uma besta triste que só se emocionará com prodígios. Ou com carnificinas. Pois bem, nós, com nossa sociedade, lhe daremos prodígios, pestes de cólera asiático, mitos, descobertas de jazidas de ouro ou minas de diamantes. Observei isso conversando com o senhor.

O senhor só se anima quando o prodigioso intervém em nossa conversa. E o mesmo acontece com todos os homens, canalhas ou santos.

— Então sequestramos Barsut?

— Sim. Agora é preciso ver de que modo podemos nos apoderar dele e do dinheiro.

O vento remexeu a folhagem. Erdosain ficou alguns segundos olhando a faixa de luz que, pela janela entreaberta, caía sobre as romãzeiras. O Astrólogo havia puxado sua cadeira até o armário, de modo que apoiava a cabeça no tampo ocre, e seus dedos tornaram a brincar com o anel de aço, fazendo-o girar diante dos olhos.

— Como nos apoderaremos dele? É muito fácil. Direi a Barsut que averiguei onde o capitão se encontra com Elsa...

— Sim, isso está bem. Mas como o senhor averiguou? É isso que o outro não deixará de perguntar...

— Dizendo que me dirigi à Diretoria do Pessoal do Ministério da Guerra.

— Perfeito... muito bem... claríssimo...

Agora o Astrólogo se havia incorporado vivamente e olhava para Erdosain com interesse.

— E, com o pretexto de que ele convença Elsa a voltar para o meu lado, nós o trazemos.

— Admirável. Deixe-me pensar um pouco. Tudo o que o senhor propõe... claro... está muito bem. Ah... diga-me uma coisa: ele tem parentes?

— Salvo minha senhora, não.

— E onde vive?

— Numa pensão. A filha da dona é vesga.

— O que dirão quando Barsut desaparecer?

— Podemos fazer isto, que é admirável. Enviamos à dona da pensão um telegrama de Rosário, assinado por ele, dizendo que mande os baús para determinado hotel, onde o senhor estará hospedado com o nome de Gregorio Barsut.

— Isso mesmo. Sabe que o senhor estudou muito bem o caso? O plano é perfeito. É certo que tudo se presta: o capitão, os endereços do Ministério, ele não ter parentes, viver numa pensão. É mais claro que uma jogada de xadrez. Está bem.

Dito isso, começou a andar de um lado para outro pelo aposento. Cada vez que cruzava diante da grade da janela, o jardim escurecia ou, no armário, despejava-se uma sombra que chegava até os tirantes do teto. Erdosain não deixou de ter razão quando disse que o plano era nítido “como se o tivessem estampado numa chapa de ferro sob milhares de libras de pressão”.

E, enquanto no quarto as botas do Astrólogo ressoavam surdamente a cada passo, Erdosain já se lamentava de que o “plano” fosse tão simples e pouco novelesco. Teria gostado de uma aventura mais perigosa, menos geométrica.

— Que diabo! Isto não tem graça! Assim qualquer um é assassino!

— E Gregorio não tem relações com a vesga?

— Não.

— E por que o senhor me falou dela, então?

— Não sei.

— E não tem medo de sentir remorsos depois que “isso” acontecer?

— Veja, acho que isso só acontece nos romances. Na realidade, fiz ações más e boas, e, em nenhum dos casos, senti nem a maior alegria nem o menor remorso. Acredito que se deu o nome de remorso ao medo do castigo. Aqui ninguém é enforcado, e só os covardes...

— E o senhor?...

— Permita-me. Não sou um homem covarde. Sou um frio, que é diferente. Raciocine. Se impassivelmente deixei que levassem minha mulher e que me esbofeteasse um indivíduo que me traiu, com muito mais razão assistirei impassivelmente à cena de sua morte, desde que não seja uma carnificina.

— Certo. É muito lógico. Tudo no senhor é lógico. Sabe, Erdosain, que o senhor é um indivíduo interessante?

— Minha esposa dizia a mesma coisa. Isso não a impediu de ir embora com outro.

— E o senhor o odeia?

— Às vezes. Depende. Talvez em mim possa mais a repulsão física que o ódio. Na verdade, ódio, não; porque nunca podemos odiar as pessoas que sabemos serem capazes de fazer exatamente as mesmas canalhices que nós.

— E por que quer matá-lo, então?

— E por que o senhor quer fundar a sociedade?

— E acredita que esse crime terá alguma influência em sua vida?

— Essa é a curiosidade que tenho. Saber se minha vida, minha forma de ver as coisas, minha sensibilidade, mudam com o espetáculo de sua morte. Além disso, já tenho necessidade de matar alguém. Nem que seja para me distrair, sabe?

— E o senhor quer que eu tire suas castanhas do fogo?

— Claro!... porque, para o senhor, nestas circunstâncias, tirar minhas castanhas do fogo equivale a ter vinte mil pesos para instalar a sociedade e os prostíbulos...

— E como lhe ocorreu que eu era capaz de fazer “isso”?

— Como? Faz muito tempo que o observo. Mas a convicção de que o senhor era homem de se embarcar numa aventura perigosa me veio há um ano, quando o conheci na Sociedade Teosófica.

— Vamos ver?...

— Lembro-me como se fosse agora. Uma carvoeira, à sua esquerda, falava do perispírito com um sapateiro. O senhor nunca reparou na predileção dos sapateiros pelas ciências ocultas?

— E?

— Nessa circunstância, o senhor se dirigiu a um cavalheiro polonês que mantinha relações com o espírito de Sobieski.

— Não me recordo...

— Eu sim. O cavalheiro polonês, o próprio senhor me disse mais tarde, era servente de pedreiro... O senhor e o cavalheiro polonês passaram de Sobieski a discutir sobre o “sentido de orientação dos pombos”, e o senhor respondeu: “Para mim, a única importância do sentido de orientação dos pombos é servir como intermediários num chantage”, e ali o senhor começou a explicar...

Bom, quando o senhor terminou de falar, entre o assombro do polonês, da carvoeira e do sapateiro, eu disse a mim mesmo: este homem é um audaz em disponibilidade...

— Haha! Que rapaz é o senhor!

— Perfeito.

— O senhor deve levar em conta isto: é um mecanismo que se desmonta em três submecanismos que têm de marchar harmoniosamente, embora sejam independentes. Veja: o primeiro mecanismo é o sequestro. O segundo, sua estadia em Rosário, onde o senhor pedirá e receberá a bagagem com o nome de Barsut. O terceiro, o assassinato e o procedimento para fazê-lo desaparecer.

— Destruiremos o cadáver?

— Claro. Com ácido nítrico, ou então com um forno onde... Se for forno, é preciso ter um mínimo de quinhentos graus para carbonizar também os ossos.

— E de onde o senhor tirou esses dados?

— O senhor sabe que sou inventor. Ah, dos vinte mil pesos podemos dedicar uma parte a fabricar a rosa de cobre em grande escala. Já encomendei sua fabricação a uma família amiga. Possivelmente um dos rapazes entre na sociedade. Além disso, dias atrás me ocorreu uma mudança eletromagnética para a máquina a vapor de Stephenson. Bom, o que imaginei é cem vezes mais simples. Sabe do que eu precisaria? Ir embora por um tempo, ficar na montanha, descansar e estudar.

— E o senhor poderia ir à colônia que organizaremos...

— Então está de acordo com o plano?

— Ah! Uma coisa. O dinheiro, de onde Barsut o tirou?

— Há três anos vendeu uma propriedade que lhe coube por herança.

— E o tem na caderneta de poupança...

— Não, em conta corrente.

— Então ele não vive dos juros?

— Não, vai gastando aos poucos. Duzentos pesos por mês. Diz que antes de terminar com essa soma terá morrido.

— É curioso. E que tipo é ele?

— Forte. Cruel. O sequestro terá de ser muito bem estudado, porque ele se defenderá como uma fera.

— Muito bem.

— Ah!, antes que eu vá embora. O senhor dirá algo disso ao Rufião?

— Não. É um segredo entre nós. O Rufião participará como organizador dos prostíbulos, nada mais. O senhor paga amanhã na Açucareira, não paga?

— Sim.

— Agora que me lembro, conheço um impressor. Ele será quem fará para nós a circular do Ministério da Guerra.

Erdosain passeou um instante pelo quarto.

— O sequestro é fácil. O senhor vai a Rosário e, com um telegrama, pede os baús. O que acontece é que, quando alguém se encontra diante da comissão de um delito...

— É que não será o único que cometeremos...

— Como?...

— Claro. Outra das coisas que me preocupam é a manutenção do segredo na sociedade. Eu havia pensado o seguinte. Em cada ponto do Estado haverá uma célula revolucionária. O comitê central ficará na capital. Então esse comitê estaria organizado da seguinte forma: chefe da capital de província, membro do comitê central; chefe do distrito de província, membro do comitê da capital de província; chefe de vila principal, membro do comitê do distrito-cabeça.

— O senhor não acha muito complicado?

— Não sei, seria estudado. Outros detalhes de organização que me ocorreram são estes: cada célula disporá de um transmissor e receptor radiotelegráfico, sendo também obrigatório que cada dez associados adquiram um automóvel, dez fuzis, duas metralhadoras; por sua vez, cem membros deverão custear o preço de um aeroplano de guerra, bombas, etc., etc. As promoções serão por disposição do conselho superior; as eleições de categoria inferior serão regidas por votações qualificadas.

Mas já é hora de dormir. Dentro de pouco há trem... ou o senhor quer dormir aqui?

Na verdade, Erdosain não tinha nada que fazer. O relógio já dera três da manhã e as palavras pronunciadas pelo Astrólogo passaram por seu entendimento quase borradas. Nada lhe interessava. Queria ir embora, só isso. Apertou a mão do outro; o Astrólogo o despediu na escadaria, e Erdosain, abatido, cruzou a chácara. Quando voltou a cabeça nas trevas, a janela iluminada punha um retângulo amarelo suspenso no centro da escuridão.

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