O Martyrio do Artista Eu · Capítulo 34 de 56
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O Martyrio do Artista

Arte ingrata! E comquanto, em desalento,

A órbita ellipsoidal dos olhos lhe arda,

Busca exteriorisar o pensamento

Que em suas phronetaes céllulas guarda!

Tarda-lhe a Idéa! A Inspiração lhe tarda!

E eil-o a tremer, rasga o papel, violento,

Como o soldado que rasgou a farda

No desespero do ultimo momento!

Tenta chorar e os olhos sente enxutos!...

É como o paralytico que, á mingua

Da propria voz e na que ardente o lavra

Febre de em vão falar, com os dedos brutos

Para falar, puxa e repuxa a lingua,

E não lhe vem á bocca uma palavra!

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