Versos a um Cão Eu · Capítulo 52 de 56
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Versos a um Cão

Que força poude, adstricta a embryões informes,

Tua garganta estupida arrancar

Do segredo da céllula ovular

Para latir nas solidões enormes?!

Esta obnoxia inconsciencia, em que tu dormes,

Sufficientissima é, para provar

A incógnita alma, avoenga e elementar

Dos teus antepassados vermiformes.

Cão! — Alma de inferior rhapsôdo errante!

Resigna-a, ampara-a, arrima-a, affaga-a, acóde-a

A escala dos latidos ancestraes

E irá assim, pelos séculos, adiante,

Latindo a exquisitissima prosódia

Da angustia hereditaria dos seus paes!

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