Ato 1 - Cena X
CENA XBeatriz e Adriano logo depois Adriano – “É
necessário pagar; eu quero o meu dinheiro!” Tal e qual como aquele indigno
alfaiate: “Meu dinheiro!” Que gente estúpida! Só tem na boca uma palavra, não
sabe dizer senão isto: “Meu dinheiro!” é fastidioso... maçante... diabólico...
vaite, miserável taberneiro.
Beatriz
(Trazendo uma cesta e uma bandeja) – Senhor, eis aqui o que me entregaram no
hotel... vim carregada como um preto do ganho.
Adriano
(Examinando) – Muito bem: bolo inglês... champanhe... vinho de Reno... madeira
seco... Experimentemos este; afoguemos os pesares em copos de vinho (Bebe); não está mau!...
Beatriz – Mas
como o vejo triste, senhor: ah! Adivinho, que já lhe deram a notícia...
Adriano –
Notícia de que, mulher?...
Beatriz
(Arranjando a mesa) – Eu sou discreta... porém, como não é mais um mistério...
o senhor Juca do armarinho o tem publicado por todo o quarteirão.
Adriano – O quê?... o quê! Diga de uma
vez, ande...
Beatriz – Enfim,
ele é suficientemente rico para fazer a fortuna de uma moça: olhe, só em
consultas gratuitas, tem ganho rios de dinheiro!
Adriano – Mas
então o que há?... desembucha, velha dos meus pecados.
Beatriz (À
parte) – Velha! Pois espera, que eu te curo. (A ADRIANO) Eu me explico: o doutor Oliveira, médico homeopata, que,
como todos sabe, está muito rico, e que vende cada vidrinho das suas
feitiçarias a cinco mil réis, fez suas proposições à senhora Dona Celestina,
que depois de algumas dúvidas acabou por dizer, que sim.
Adriano – Celestina?!!! É uma ignóbil mentira!
Beatriz – O
senhor está no seu direito duvidando; mas a notícia é oficial; falta só
aparecer no Jornal do Comércio, e nos fatos diversos do Mercantil.
Adriano –
Senhora Beatriz, retire-se, deixe-me!...
Beatriz –
Senhor!
Adriano –
Retire-se... retire... aliás...
Beatriz – Está furioso: tal e qual como o meu defunto Pancrácio quando tinha ciúmes de sua formosa Beatriz! (Vai-se)