Ato 2 - Cena III
CENA IIIBeatriz e Adriano, trazendo o violão e as músicas. Adriano –
Finalmente, eis aqui tudo.
Beatriz
(Correndo a ele) – Oh! Senhor Adriano, meu amorzinho do coração da minha alma!
Para que tomou o trabalho de ir buscar tanta coisa lá embaixo?... era eu quem
devia ir... eu tinha obrigação disso...
Adriano
(Espantado) – O que é isto, senhora Beatriz?... a senhora está deveras falando
comigo?...
Beatriz –
Certamente: por ventura não sou criada de Vossa Senhoria?
Adriano –
Senhora?!!! Senhora Beatriz, diga, está em seu perfeito juízo?...
Beatriz – Nunca
me senti melhor.
Adriano –
Nada... a senhora não está no seu estado normal.
Beatriz – Sim,
senhor... estou mesmo no natural da minha natureza!
Adriano –
Todavia... esta esquisita urbanidade... os obséquios que agora me está
fazendo... esta mudança do preto para o cor-de-rosa operada em um instante...
tudo, tudo é um fenômeno em nossas relações quotidianas.
Beatriz – Talvez
que, às vezes, eu me tinha achado de mau humor... é necessário perdoar os
pesares internos que me atormentam: quando se tem recebido uma certa educação,
e se chegou a ser...
Adriano – Ah!
sim... sim...
Beatriz – É duro
ver-se depois a gente reduzida a uma triste posição: tirando disto, eu não sou
má, e, olhe, tive sempre por Vossa Senhoria a mais decidida predileção...
Adriano – Senhoria outra vez!... enfim, seja como for, antes como está, do que como estava.