Ato 1 - Cena XII
CENA XII
Adriano e Beatriz que acompanha Celestina até a portaBeatriz (pondo
no piano copos, pratos, etc.) – Creio, que esta sirigaitazinha olhoume assim
com um ar de desprezo... isto já me vai passando os limites da familiaridade!
Adriano (Voltando) – Senhora Beatriz, a senhora é
uma velha Prosérpina!
Beatriz –
Prosérpina! Prosérpina!... e o senhor é um... é um... é um Prosérpino! (À parte) Entendo isto perfeitamente... a
menina untou-lhe mel pelos beiços, e ele caiu como um patinho... como é
crédulo, coitado!...
Adriano – Então
tudo está pronto?... mas faltam duas facas...
Beatriz – Foram
essas as únicas que encontrei na gaveta da mesa: e note que uma já está
desconjuntada.
Adriano – Não
importa: os meus amigos são ricos, e estão acostumados ao luxo; é bom que vejam
um dia e bem de perto como se passa na pobreza: divertir-se-ão ainda mais com
isso.
Beatriz – Devo,
porém, dizer, que o meu defunto Pancrácio era bem pobre, mas quando queria dar
o seu banquete, mandava-me pedir louça emprestada à mulher do sargento
Luizinho...
Adriano –
Silêncio! Sinto que sobrem os meus amigos: limite-se às suas funções; e que se
não perceba, que eu discuto com os meus criados.
Beatriz (À
parte) – Criados! Vejam como é insolente este farroupilha.